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Por que Roger Waters cortou Paul McCartney em "Dark Side of the Moon"?

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Postado em 17 de agosto de 2026

Roger Waters nunca foi conhecido pela tolerância. Dentro do Pink Floyd, era quem cobrava primeiro quando uma música não saía do jeito que imaginava - e a rigidez atravessou toda a sua carreira, a ponto de ele ter demitido o próprio filho da banda solo. Diante disso, não surpreende que um Beatle tenha entrado na lista de colaborações que não deram certo.

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Foto: Divulgação
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Durante a gravação de "The Dark Side of the Moon" (1973), o Wings ocupava um estúdio vizinho em Abbey Road. Waters aproveitou a proximidade para convidar Paul McCartney a participar de uma das partes mais peculiares do disco: as gravações de pessoas comuns respondendo a perguntas sobre morte, loucura, violência e dinheiro, que aparecem espalhadas ao longo do álbum. O resultado não agradou.

"Ele foi a única pessoa que achou necessário atuar, o que foi inútil, claro", disse Waters. "Achei realmente interessante que ele fizesse isso. Ele estava tentando ser engraçado, o que não era nada do que a gente queria."

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O problema, na leitura do baixista, era de natureza conceitual. Waters buscava depoimentos de pessoas reais falando com naturalidade sobre suas angústias cotidianas - cruas, sem verniz. McCartney, acostumado ao palco e às entrevistas, entrou no modo performático e entregou respostas espirituosas. Exatamente o oposto do que o disco pedia.

Tim Coffman, da Far Out Magazine, autor do texto que resgata a declaração, observa que a exigência fazia sentido dentro da lógica do álbum. As falas funcionam como pano de fundo para a música, não como número à parte. Ninguém precisava atuar ao fundo - bastava que David Gilmour entrasse com o solo de "Time" para que a carga emocional se resolvesse sozinha.

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A crítica de Waters a McCartney não foi um caso isolado. O baixista também considerava que Richard Wright, tecladista do Pink Floyd, não estava à altura do que "The Wall" exigia - desentendimento que culminaria na saída de Wright da banda no fim dos anos 1970. Coffman aponta que, para Waters, os espaços entre as notas importavam tanto quanto as notas em si.

Ao longo da carreira solo, Waters trabalhou com nomes de peso - Eric Clapton na primeira turnê, Jeff Beck em boa parte de "Amused to Death", Don Henley em faixas pontuais. A régua, no entanto, nunca mudou. O critério não era prestígio, e sim se o músico entendia o que a canção pedia. McCartney, naquele momento específico, não entendeu.

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Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, fotógrafo de shows, youtuber e escritor. Ama todos os subgêneros do rock e do heavy metal na mesma medida que ama escrever sobre isso.
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