365 celebrou os 472 anos de São Paulo com show memorável no CCSP
Resenha - 365 (Sala Adoniran Barbosa, São Paulo, 25/01/2026)
Por Flávia Pais da Silva
Postado em 28 de março de 2026
Tarda, mas não falha: o registro de uma noite histórica
Demorei, mas não falhei. Eis o relato de mais uma apresentação épica da 365 - desta vez em uma data carregada de simbolismo. No domingo em que São Paulo completou 472 anos, 25 de janeiro de 2026, a banda subiu ao palco da Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo, para entregar um espetáculo que foi ao mesmo tempo celebração e reafirmação da força do punk e do rock alternativo nacional.
Fotos: Boomerang Music e Mário Palhares
Não se tratava apenas de um show comemorativo. Havia ali uma sintonia rara entre cidade, público e repertório. Poucas bandas traduzem tão bem o espírito urbano paulistano quanto a 365 - crônica musical de concreto, pressa, resistência e identidade.
A cidade como protagonista
A Sala Adoniran Barbosa recebeu um público diverso, com veteranos que acompanham a trajetória do grupo há décadas e jovens que descobriram recentemente a potência do som direto e sem concessões. Antes mesmo do primeiro acorde, já se percebia a expectativa no ar.

A abertura com "Nunca Mais" foi certeira. Logo em seguida, "Só Armas" manteve a tensão elevada, com guitarras afiadas e base rítmica pulsante. A sequência com "Berço Esplêndido" reforçou o tom crítico que sempre marcou a carreira da banda.
Quando os primeiros acordes de "Tietê" ecoaram pela sala, a identificação foi imediata. A música, que retrata um dos símbolos mais controversos da capital, ganhou peso extra naquele 25 de janeiro. Era como se cada verso dialogasse diretamente com a história da cidade aniversariante.
Clássicos que atravessam gerações
O show seguiu consistente com "Dança das Mãos", "Por Quanto Tempo" e "Manhã de Domingo", mantendo equilíbrio entre intensidade e reflexão. Em "Cegos Movimentos", a banda mostrou entrosamento absoluto, com execução precisa e energia controlada na medida certa.

Mas foi em "São Paulo" que a noite atingiu um de seus grandes ápices. Cantada em coro pelo público, a música transformou a Sala Adoniran Barbosa em um retrato sonoro da metrópole. No aniversário da cidade, ouvir "SP" ao vivo teve sabor especial - quase um hino alternativo para quem vive a capital em suas contradições diárias.

A homenagem explícita ao punk britânico veio com "The Clash", reafirmando as raízes e influências que moldaram o som da 365, mas sempre filtradas por uma identidade brasileira inconfundível.
Surpresas e reafirmações
A inclusão de "Asa Branca" trouxe um momento inesperado e simbólico, ampliando o espectro cultural da apresentação e lembrando que o rock nacional dialoga com múltiplas tradições. Em seguida, "Way Of Life" retomou o peso característico, mantendo o público em estado de atenção constante.

"Não Dá" reforçou a veia contestadora do grupo, enquanto "Canção Para Marchar" funcionou como verdadeiro manifesto coletivo. Ali, banda e plateia já eram uma só voz.
O encerramento com "Vila Morena" foi emocionante. A interpretação intensa fechou a noite com sentimento de união e resistência - elementos que atravessam tanto a trajetória da 365 quanto a própria história de São Paulo.
Punk vivo, cidade pulsante
Mais do que uma sequência bem executada de músicas, o show foi uma declaração de permanência. Décadas após sua formação, a 365 segue relevante porque fala de inquietações que continuam atuais: política, identidade, inconformismo e pertencimento.

A performance mostrou maturidade sem perder vigor. Não houve excessos nem teatralidade gratuita - apenas entrega, consistência e verdade. Cada integrante demonstrou segurança técnica e conexão genuína com o público.
No aniversário da maior capital do país, nada mais justo do que celebrar com uma banda que canta São Paulo como poucos. A 365 não apenas participou das comemorações: ajudou a escrever mais um capítulo da trilha sonora da cidade.

E se demorei para trazer este registro, foi para garantir que cada detalhe dessa noite - intensa, simbólica e necessária - fosse contado à altura do que representou. Porque quando São Paulo sopra velas, o rock também responde.
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