Paul Mccartney: mais um show brilhante para todas as idades
Resenha - Paul McCartney (Allianz Parque, São Paulo, 16/10/2025)
Por Diego Camara
Postado em 18 de outubro de 2024
É sempre um espetáculo à parte ver as apresentações de Paul Mccartney. Enquanto a maioria dos músicos da mesma idade que ele se escondem em setlists cada vez mais pífios, sem criatividade e curtos – como se muitos dos fãs fizessem um favor para ter que ir assistir seus shows – o eterno Beatle continua sua saga de fazer um serviço completo em uma grande obra de arte que são suas apresentações. Há um claro desgaste no músico, mas o compromisso selado com os fãs não o deixa entregar menos: deixa sempre tudo no palco.
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A apresentação estava marcada para às 20h, mas foi começar mais uma vez com 30 minutos de atraso do combinado. Aparentemente há uma confusão de horários, talvez de ajuste com o artista, pois no horário combinado se inicia a apresentação de imagens no telão com a carreira de Paul. De qualquer modo, o público enchia totalmente o estádio quando Paul e sua ótima banda de apoio subiram para tocar "Can’t Buy Me Love", eletrizando o público presente, que cantou e dançou durante a música inteira, uma das novidades desta segunda noite em São Paulo.
"All My Loving" foi outra surpresa excelente, que deixou os fãs muito felizes. A música, um dos clássicos dos Beatles em seu segundo álbum, deixou o público doido, cantando a plenos pulmões durante toda a apresentação. A qualidade do som estava ótima, mas tudo parecia meio baixo para um local do tamanho do Allianz Parque, mesmo na frente do palco. Difícil saber se isso foi uma questão que impactou todo o estádio ou foi um problema pontual, de localização.
Novamente a banda de apoio deu grande show, em especial em músicas mais orquestradas, que usam demais o ritmo. A excelente introdução de "Foxy Lady", de Jimi Hendrix, encantou o público com "Let me Roll It". As guitarras aqui são profundas e potentes, agradando os fãs e mudando o som do show. Novamente, a performance de "My Valentine" foi um primor estético, que transmite o sentimento de Paul de uma forma especial para sua esposa Nancy Shevell.
Mas o público foi para lá ver as músicas dos Beatles, e a sequência deixou zero pessoas descontentes. "In Spite of All the Danger", primeira música gravada pelo trio Lennon, McCartney e Harrison no ano de 1958, ainda com o nome da banda Quarrymen, com os amigos de escola de John. O público mostrou muita empolgação, e cantou junto durante toda a música, especialmente puxando o coro, que encheu o som do Allianz Parque.
"Love Me Do", veio logo em seguida, com mais um dos momentos onde a iluminação do local baixa, dando espaço para que os fãs liguem as lanternas de seus celulares e iluminem todo o estádio. A cantoria aqui foi bastante alta também, e o público não perdeu uma linha da música. "Blackbird", novamente, foi um dos pontos altos do show, com uma performance mágica de Paul e o palco que sobe para dar a ele grande destaque, no alto. O público cantou esta lindamente, demonstrando muita emoção.
A música mais esperada então veio: "Now and Then", uma das promessas desta perna da turnê foi de uma execução ímpar e belíssima, com mais uma performance mágica do público, que não largou por um instante o show. Ao puxar seu ukulele, Paul diz que foi um presente de alguém muito especial: George, a quem dedicou a música "Something", um dos singles do "Abbey Road" escrita pelo próprio Harrison. A música foi linda e mágica, com o público puxando a voz junto com Paul durante toda a apresentação, emotiva e bastante intimista.
O show foi ganhar ares mais emocionantes na parte final da apresentação, com a puxada nos pianos de "Ob-La-Di, Ob-La-Da", os fãs foram novamente convidados a dançar com muita vontade, virando a chave da apresentação. Pouco depois veio "Get Back", novamente com uma performance sensacional da banda de apoio, que trouxa grande dinamismo ao show.
"Let It Be" vem logo depois, propondo uma nova virada de chave na apresentação: em outra performance intimista, Paul demonstra muita emoção cantando junto ao seu piano a música, acompanhando pela voz do público e as incansáveis lanternas dos celulares, um dos momentos mais bonitos da apresentação. O hard rock incansável do Wings veio logo em seguida com "Live and Let Die", com um show de luzes e fogos que animou demais os fãs.
Com o momento decisivo, "Hey Jude" veio para fechar o show. O público deu um verdadeiro show aqui, com seus cartazes e a cantoria com muita vontade, no momento mais mágico da noite. Paul parecia muito feliz, ao ver a performance mágica dos fãs, e enquanto todos cantavam disse que todos os fãs ali eram os seus manos. A lindíssima apresentação coroou com magia o show de Paul.
No bis, o show perdeu um pouco do fôlego, mas mesmo assim os fãs cantaram muito e se empolgaram, em especial com a apresentação de "I’ve Got a Feeling", que contou novamente com um dueto com John Lennon no telão do show, baseado na apresentação gravada no terraço da Apple Corps, último show da banda, e "Helter Skelter", uma das músicas mais potentes e heavy metal dos Beatles.
O show no geral foi muito bom, com uma apresentação incrível de toda a banda de apoio e de um público cheio de vontade, que carregaram junto com Paul mais um belíssimo espetáculo para a conta. Por outro lado, é importante frisar que talvez seja, realmente, a hora derradeira para Paul Mccartney finalmente repensar um pouco a forma como ele se apresenta: os shows são marcados por pequenos erros, aqui e ali, e uma voz que vai desaparecendo e perdendo a força durante o show.
Uma apresentação tão longa, no nível de qualidade que o músico se acostumou a fazer, parece estar realmente o alcançando, e shows tão seguidos podem estar afetando sua performance. Talvez seja a hora de reduzir a frequência dos shows ou pensar em novas formas de realizar suas turnês.
Setlist
Can't Buy Me Love (música dos Beatles)
Junior's Farm (música do Wings)
Letting Go (música do Wings)
All My Loving (música dos Beatles)
Got to Get You Into My Life (música dos Beatles)
Come On to Me
Let Me Roll It (música do Wings)
Getting Better (música dos Beatles)
Let 'Em In (música do Wings)
My Valentine
Nineteen Hundred and Eighty-Five (música do Wings)
Maybe I'm Amazed
I've Just Seen a Face (música dos Beatles)
In Spite of All the Danger (música do Quarrymen)
Love Me Do (música dos Beatles)
Dance Tonight
Blackbird (música dos Beatles)
Here Today
Now and Then (música dos Beatles)
New
Lady Madonna (música dos Beatles)
Jet (música do Wings)
Being for the Benefit of Mr. Kite! (música dos Beatles)
Something (música dos Beatles)
Ob-La-Di, Ob-La-Da (música dos Beatles)
Band on the Run (música do Wings)
Get Back (música dos Beatles)
Let It Be (música dos Beatles)
Live and Let Die (música do Wings)
Hey Jude (música dos Beatles)
Encore
I've Got a Feeling (música dos Beatles)
Day Tripper (música dos Beatles)
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise) (música dos Beatles)
Helter Skelter (música dos Beatles)
Golden Slumbers (música dos Beatles)
Carry That Weight (música dos Beatles)
The End (música dos Beatles)
Outras resenhas de Paul McCartney (Allianz Parque, São Paulo, 16/10/2025)
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