Resenha - Marky Ramone's Blitzkrieg (Bar Opinião, Porto Alegre, 10/10/2023)
Por Guilherme Dias
Postado em 30 de outubro de 2023
No dia 10 de outubro, Marky Ramone esteve em Porto Alegre mais uma vez. O Ramone com mais passagens pelo Brasil está em turnê apresentando o melhor de quase todas as fases dos Ramones. O maravilhoso Bar Opinião recebeu o baterista de braços abertos para uma noite histórica.

Marc Steven Bell completou 71 anos de idade em 2023. Baterista desde 1971, teve uma mudança radical na sua vida no ano de 1978. Nesse ano, além de mudar de banda, mudou também de nome. Recebeu o convite para entrar em uma nova família e se tornou Marky Ramone, graças ao convite do baixista dos Ramones, Dee Dee Ramone. Marky teve duas passagens pelo grupo, a primeira até 1983 e a segunda de 1987 até o fim do grupo em 1996. Após a morte dos principais membros da banda, ficou com Marky a responsabilidade de manter o legado das maiores lendas do Punk Rock vivo. Com o nome de Marky Ramone’s Blitzkrieg, ele vem apresentando o tributo mais completo há anos.

Após diversas passagens na capital gaúcha, o norte-americano voltou com os seus companheiros atuais Iñaki "Pela" Ubnizu (vocal), Marcello Gallo (guitarra) e Martin Sauan (baixo). Os músicos subiram no palco por volta das 22 horas. Os bateristas costumam subir por trás do palco, mas como estrela principal da noite, Marky entrou pela frente e acenou para os seus fãs. No palco, um paredão com amplificadores Marshall e a icônica bateria de Marky já encantavam os mais de mil fãs de Ramones que lotaram a casa.

A primeira da noite foi "Rock and Roll High School", clássico absoluto, lançado como single em 1979 e também presente no disco "End of the Century" de 1980. Boa parte do repertório esteve focado nos três primeiros discos dos Ramones. Discos que Marky não gravou, mas que apresentou praticamente todas as canções ao vivo durante seu período na banda, inclusive sendo mais agressivo e veloz do que nas versões originais com Tommy Ramone nas baquetas. Muitas dessas canções ficaram imortalizadas no disco "Loco Live", um dos melhores discos ao vivo já lançados na história do rock and roll. Do primeiro disco "Ramones", do segundo "Leave Home" e do terceiro "Rocket To Russia" foram apresentados petardos como: "Teenage Lobotomy", "Commando", "Beat on the Brat", "I Don’t Care", "Sheena is a Punk Rocker" e muitas outras, como as históricas "Judy is a Punk", "I Wanna be your Boyfriend", "Cretin Hop" e "Pinhead" (com o marcante coro "Gabba Gabba Hey!").

O primeiro disco com Marky na bateria foi "Road to Ruin", dele foram apresentadas "I Wanna be Sedated" e "She’s the One" apenas. De "Pleasant Dreams" (1981) apresentaram o eterno desabafo de Joey para Johnny: "The KKK Took My Baby Away", a romântica "She’s a Sensation" e a animada "Sitting in My Room". Marky deixou de fora do repertório diversos álbuns da década de 1980, principalmente os gravados por Richie Ramone. Mas deu espaço para algumas composições dos últimos anos dos Ramones como "Pet Sematary" de "Brain Drain", lançado em 1989, "Anxiety" e "Tomorrow She Goes Away" de "Mondo Bizarro" (1992). Foram apresentados também covers gravados pelos Ramones ao longo da carreira, como: "Let’s Dance", "Surfin’ Bird", "California Sun", "Do You Wanna Dance" e "Have You Ever Seen the Rain". Ainda sobre covers, Marky e seus amigos tocaram "R.A.M.O.N.E.S." do Motörhead e "What a Wonderful World" de Louis Armstrong e regravada por Joey Ramone, contendo as baterias Marky. O encerramento ficou aos gritos de "Hey Ho Let’s Go" com "Blitzkrieg Bop".

Uma apresentação crua, direta, com tons de nostalgia, emoção e quase 40 músicas no setlist. O espanhol Pela e os hermanos argentinos Marcelo e Martin tomaram conta do palco. Em nenhum momento tentaram ser um Ramone, foram eles mesmos do início ao fim, com muita personalidade, técnica, carisma, energia e presença de palco. Marky foi surreal, sempre muito técnico, veloz, preciso e contente o tempo todo. O público foi um show à parte, cantando todas as músicas, pulando, gritando e sempre em ação na roda punk em meio à pista do Opinião. Sempre vale a pena assistir a um Ramone, ainda mais se tratando de Marky, uma lenda viva, que deixou o seu melhor pra quem tanto o admira.
Fotos por: Guilherme Dias



Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
O gênero musical cujo nome não faz sentido algum, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
200 shows internacionais de rock e metal confirmados no Brasil em 2026
A banda em que membros do Iron Maiden e Dio disputaram para entrar e só um conseguiu
A música dos Stones que Mick tinha dificuldade de cantar: "eu não acertava muito bem as notas"
O guitarrista que custou mil dólares por dia a David Gilmour; "eu queria bater nele"
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
Vídeo dos Mutantes tocando Beatles em 1969 é encontrado
As bandas de heavy metal favoritas de Rob Halford; "o som deles me abalou até o fundo"
O grande problema dos australianos, brasileiros e ingleses, segundo ex-roadie do Sepultura
Iron Maiden começou a lucrar de verdade a partir do terceiro disco, diz Steve Harris
A banda mais influente do rock progressivo, de acordo com Geddy Lee
Os 5 álbuns de rock que todo mundo deve ouvir pelo menos uma vez, segundo Lobão
"Até quando esse cara vai aguentar?" O veterano que até hoje impressiona James Hetfield

O último grito na Fundição Progresso: Planet Hemp e o barulho que vira eternidade
Pierce the Veil - banda dá um grande passo com o público brasileiro
Tiamat - aquele gótico com uma pegada sueca
Boris - casa lotada e público dos mais diversos para ver única apresentação no Brasil
Molchat Doma retorna ao Brasil com seu novo álbum Belaya Polosa
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente


