Behemoth: Poloneses abriram as portas do inferno em SP

Resenha - Behemoth (Tropical Butantã, São Paulo, 08/12/2019)

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Por Nelson de Souza Lima
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Fotos: Letícia Nunes Lima

O muito aguardado show dos poloneses do Behemoth rolou no Tropical Butantã do jeito que se imaginava: sonzeira demoníaca.

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Lenda do Black Metal com quase trinta anos de estrada o quarteto formado por Nergal (garganta/urros/berros/guturais/guitarra), Seth (guitarra), Orion (baixo) e Inferno (bateria) fez na casa localizada na zona oeste uma única apresentação em terras brasileiras, trazendo a tira-colo o mais recente álbum "I Loved You At Your Darkest", de 2018.

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Sua última passagem pelo Brasil foi em 2014 e após a Liberation Tour Booking anunciar o retorno da horda uma insana corrida atrás de ingressos começou. Resultado? Casa cheia.

Acompanhado da fotógrafa Letícia Nunes Lima (confiram os cliques) cheguei bem cedo, pois assim como muitos estava ansioso pra conferir o massacre sonoro do quarteto.

Na abertura dos serviços os paulistanos do Genocídio.

Se tem uma banda que merece o rótulo de honesta, é o Genocídio. Os caras estão há mais de três décadas de estrada, empunhando arduamente a bandeira do Trash Black Metal, sem nunca trair as raízes.

Merecem nosso respeito. Pontualmente às 19 horas Murillo Leite (guitarra/vocal), Wanderley Perna (baixo), Wellington Simões (baixo) e César Leite (bateria) entraram saudados pelo público. Os caras fizeram o primeiro show da tour "Till 96" com repertório dos álbuns clássicos "Genocídio" (1988), "Depression" (1990), "Hoctaedrom" (1993) e "Posthumous" (1996). Vários anos de bagagem conferiram ao Genocídio muita experiência e sua curta apresentação de apenas 30 minutos aqueceu o público.

Bom começo para uma noite dos diabos. Objetivando aguçar a expectativa e curiosidade dos fãs uma enorme cortina subiu para que ninguém visse a montagem do palco, correria dos roadies, criando assim, o clima para a a apresentação do Behemoth. A espera foi breve, pois pontualmente às 20 horas um coro litúrgico sombrio/alucinante e uma "tempestade" monumental de luzes anuncia o início do show. Adrenalina lá em cima, celulares a postos, levadas de baterias, guitarras distorcidas chegam ao auge quando o pano cai e o Behemoth entra levando o público à loucura.

O visual dos caras é muito irado. Máscaras diabólicas, corpse paint, mantos e mitras (adornos de cabeça). Além disso, são extremamente técnicos com o perdão do trocadilho. A bateria de Inferno é uma porradaria incessante com trabalho monumental de bumbo duplo, metranca sem parar. As guitarras de Nergal e Seth são como navalhas que com riffs e solos brutais cortam a alma. E o que falar do baixista Orion? Visual punk, death, black vindo das profundezas e seu baixo que parece um bate-estaca.

De cara mandaram "Wolves ov Siberia", do recente "I Love You At Your Darkest". Emendaram com "Daimonos" do cultuado álbum "Evangelion", lá de 2009.

Chama atenção no Behemoth, entre tantas coisas o magnífico trabalho vocal. Não é apenas Nergal que manda os guturais nervosos. Orion e Seth fazem vocais de apoio igualmente guturais dando a impressão que as portas das profundezas estão abertas e o Coisa Ruim vai se manifestar no palco. Não é um show o que o quarteto faz. É um ritual. Nergal pedia a todo instante a força de seus seguidores ao que respondiam com mãos chifradas, gritos, bangueadas e muitos "Hey, Hey, Hey". Não faltou nada.

Os poloneses mostraram um repertório que passeou pelos mais importantes discos de sua carreira. Do "The Satanist", lançado em 2014 detonaram "Ora Pro Nobis Lucifer" e "Blow Your Trumpets Gabriel". Do "Satanica" de 1999 extraíram "Decade" e "Chant for Eschaton 2000". "Demigod", álbum de 2004 contribuiu com "Conquer All" e "Slaves Shall Serve".

Contudo o que mais cedeu hinos infernais para o set list foi mesmo "I Love You At Darkest" destacando a sombria (lógico) "Bartzabel. No momento é minha preferida, enquanto não conheço toda a discografia dos caras.

O show é intenso mas deixou gostinho de quero mais, pois foi curtísssimo: apenas uma hora e quinze minutos.

Praticamente sem pausa mandaram no encore "Lucifer" para encerrarem de maneira apocaliptica com duas recentes: "We Are The Next 1000 Years" e "Coagvla" na qual os quatro integrantes terminam empunhando tambores que anunciam o término do cataclisma.

Diferentemente de outras bandas o Behemoth não se despede do público. Não tem fotos para as redes sociais. As distribuições de palhetas e baquetas ocorrem durante o show pra não frustar os fãs. Os caras simplesmente saem do palco e voltam para os domínios demoniácos. Um dos melhores shows que vi nos últimos tempos.

BEHEMOTH - TROPICAL BUTANTÃ - 08/12/19

Wolves ov Siberia
Daimonos
Ora Pro Nobis Lucifer
Bartzabel
Ov Fire and The Void
God = Dog
Conquer All
Sabbath Mater
Decade of Therion
Blow Your Trumpets Gabriel
Slaves Shall Serve
Chant for Eschaton 2000

Encore
Lucifer
We Are the Next 1000 Years
Coagvla



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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

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