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Resenha - Ira! e Golpe de Estado (Carioca Club, São Paulo, 08/12/2019)

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Por Daniel Abreu
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Com mais de 35 anos de estrada, o Ira! continua sendo uma das bandas mais legais que surgiram nos anos oitenta e seguem na ativa. Com onze discos de estúdio no currículo, a banda paulista coleciona sucessos e fãs por todo o país. Com um hiato de cerca de sete anos, a banda voltou em 2014 apenas com Nasi e Edgard Scandurra da formação que solidificou o grupo entre os principais do Brasil. No último domingo os caras fizeram seu penúltimo show do ano, o último na capital paulista, no Carioca Club com abertura da banda Golpe de Estado.

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Por volta das 19 horas e 30 minutos, a banda Golpe de Estado subiu ao palco do Carioca com boa parte da casa já cheia. Com uma apresentação de uma hora, o grupo liderado pelo baixista Nelson Brito estava encerrando a turnê de divulgação do CD e DVD de 30 anos do quarteto. Influenciados por bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath e Judas Priest, o Golpe fez uma apresentação direta, honesta e muito pesada. Com João Luiz nos vocais, Marcelo Schevano na guitarra e Robby Pontes na bateria, além, claro, de Brito no baixo, os caras encerraram o show com "Noite de Balada", música do segundo disco, Forçando a Barra de 1988. Ótimo show de abertura!

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Com o fim da apresentação do Golpe, o público aproveitou para ir até banheiro e para o bar para pegar mais uma cerveja gelada. Antes dos relógios atingirem 21 horas, Marcos Valadão, mais conhecido por todos como Nasi, subiu ao palco com uma linda camiseta do The Clash. Em seguida, veio Edgard Scandurra empunhando uma guitarra Rickenbacker, na qual lembra muito a que Pete Townshend usava no The Who durante os anos sessenta.

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Dentro da casa a expectativa era alta para a apresentação do Ira!. Por se tratar da última performance do quarteto na cidade de São Paulo nesse ano, obviamente que os fãs aguardavam um ótimo show. E a banda correspondeu. A apresentação começou com o riff clássico de "Longe de Tudo", do disco de estreia dos caras, Mudança de Comportamento, que ano que vem completa 35 anos de lançamento. Em seguida eles mandaram "Flerte Fatal" e uma das canções mais icônicas da história do grupo, "Dias de Luta", com o público cantando em coro, "só depois de muito tempo comecei a refletir, nos meus dias de paz, nos meus dias de luta".

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O show seguiu por mais uma hora e meia. Edgard e companhia cantaram provavelmente todos os hits do grupo. Era visível que músicas como "Tarde Vazia" e "Eu Quero Sempre Mais", imortalizadas no acústico MTV de 2004, eram as mais celebradas, além do hino "Envelheço na Cidade". Porém talvez a que mais se identifique com o momento atual brasileiro seja "Núcleo Base". Quando Nasi canta "eu quero lutar, mas não com essa farda", uma referência clara ao regime militar, já que a música foi escrita nos anos oitenta, é impossível não se lembrar do atual nacionalismo extremo que corre por várias ruas brasileiras. Ainda rolaram algumas pérolas menos conhecidas, como "Rubro Zorro", do subestimado Psicoacústica de 1989, e homenagens para James Brown ("I Got You [I Feel Goo])" e Jimi Hendrix ("Foxy Lady").

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Fechando a apresentação, quando o relógio já apontava para às 22 horas e 30 minutos, Edgard mandou mais um riff icônico, porém esse não foi ele que escreveu. "My Generation" dos mods do The Who, encerrou mais um grande show da principal banda mod do Brasil.

Nos últimos anos a banda passou seu tempo na estrada divulgando o ao vivo Ira! Folk, com as músicas do grupo em formato voz e violão apenas. A iniciativa é legal, deu certo e passou por todo o país com shows lotados. Porém o Ira! elétrico é algo único na música. A conexão de Nasi com Edgard, vocalista e guitarrista, está sem sombra de dúvidas entre as mais icônicas da história do rock nacional. Com quase 60 anos, Nasi continua com aquela voz rouca, com aquele toque de blues que emociona, além de ser um grande frontman, o nosso Roger Daltrey tupiniquim. Edgard, o nosso Pete Townshend dos trópicos, continua a tocar guitarra de forma magistral. O cara consegue mandar Hendrix e Johnny Ramone com a mesma genialidade. A banda que acompanha eles atualmente, Evaristo Pádua na bateria e Johnny Boy no baixo, também é de alto nível, executando as partes que foram originalmente gravadas por André Jung e Ricardo Gaspa de forma perfeita.

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Apesar de não lançarem um disco de inéditas desde 2007, portanto há quase 13 anos, a banda prometeu que no começo do ano que vem os fãs podem ficar tranquilos, vem álbum novo do Ira! por aí, e com certeza mais shows do grupo em São Paulo e, claro, pelo Brasil todo. 2020, vai demorar para chegar?


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Sobre Daniel Abreu

Jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Apaixonado por cultura desde moleque, começou a escrever sobre música na internet em 2014. Anos depois fundou o Literatura do Rock no Instagram, Facebook e Youtube, tratando apenas de livros sobre rock. Em 2019 fundou o Geleia Mecânica com a proposta de falar sobre cinema, arte e, principalmente, música da melhor qualidade. Atualmente, trabalha com levantamento de dados na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Também é redator do Whiplash.Net, o maior site de rock e heavy metal do Brasil.

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