Shaman: Reason, Ritual e Painkiller, mas qual o futuro da banda?

Resenha - Shaman (Armazém, Fortaleza, 16/11/2018)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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"Eu acho que o futuro do SHAMAN vai ser uma consequência do que a gente tá fazendo hoje", diz um jovem ANDRE MATOS no vídeo que abre o show de passagem da reunião do SHAMAN por Fortaleza, na última sexta-feira, 16 de novembro. O questionamento feito àquela época mergulhou nos anos anteriores em uma história que teve mudança de nome, saída de quase todos os integrantes até o fim completo. Dali, ANDRE MATOS investiu em sua carreira solo, emocionou os fãs com seu retorno ao VIPER e participou de outros projetos. Confessori voltou e saiu novamente do ANGRA. Dos irmãos Mariutti, o caçula continuou como axeman de ANDRE, enquanto o mais velho foi ser instrutor de artes marciais. Até que, este ano, no ano em que pelas redes sociais se consegue tudo (até ser presidente), os fãs orquestraram ações nas redes sociais, impulsionaram a hashtag #VoltaShaman e conseguiram convencer a banda a voltar aos palcos. A comoção foi comparável ao já citado retorno do VIPER (única notícia boa em tempos de Metal Open Air). O primeiro show, na casa Audio, em São Paulo, foi sold out. E a Empire não poderia ficar também sem atender aos pedidos da porção cearense dos fãs da terceira banda em que ANDRE MATOS meteu a sua mão de Midas e proporcionou no Armazém um espetáculo que vai ficar na memória tanto quanto os shows de antigamente, no finado Metrópole e no, que está merecendo também a sua #volta, Ceará Music. Confira, com fotos de Rubens Rodrigues, como foi este show.

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A voz dele na gravação que acabamos de citar só é ouvida até que uma das canções do SHAMAN soa ao fundo. A partir daí o público canta junto, sem conseguir segurar a ansiedade. Minutos depois surgem os quatro SHAMAN, Andre Matos (vocal, ex-ANGRA, ex-VIPER), Luis Mariutti (baixo), seu irmão Hugo Mariutti (guitarra) e Ricardo Confessori (bateria, ex-ANGRA), acompanhados de Fábio Ribeiro para enlouquecer o público com "Turn Away", primeira canção do "Reason", o segundo álbum do SHAMAN, que seria o primeiro naquela noite. Embora não estivesse em sua capacidade máxima, uma vez que o palco estendido (pela primeira vez vimos um arranjo semelhante na casa) ocupava uma porção considerável do lugar, a pista estava completamente lotada. Não havia espaço livre pra nada, mas o povo achou como pular e bater palmas. Afinal, pra cima, ainda havia espaço. A Empire foi arrojada em trazer a banda mesmo em um mês com tantos shows (irmãos Cavalera, Arch Enemy + Kreator, Sepultura) e teve a casa cheia como recompensa.

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Óbvio que os fãs também cantaram a letra.

Alto.

Alto demais.

Alguns com os olhos molhados (e não era suor).

No início de "Reason" ele nem precisa cantar. O público já está fazendo isso. Basta tocar piano. Isso o público não pode fazer, mas o entusiasmo do público era tão grande que se a produção desse bobeira (o que não aconteceu), subiriam uns três ou quatro para ocupar o piano enquanto André tocava no outro teclado a ótima "More" (confesse, você só ouviu falar de SISTERS OF MERCY por causa dessa música). Nas primeiras palavras trocadas, Andre dedicou "Innocence" "especialmente para vocês". E banda e público cantam em dueto em um momento belíssimo.

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Músicas como "Scarred Forever" e "In the Night" soam bem melhor ao vivo. É realmente belo ver mariutri estapeando as cordas de seu baixo ou Andre abraçado aos irmãos Jesus e Jesus Jr. em "Rough Stone". Não há tanta interação com Confessori, mas isso é até fisicamente complicado, pois a todo momento Confas está castigando a bateria. Não é que o vocalista não queira ou não possa expressar uma amizade que só eles sabem se existe ou não. É que quem chegar perto periga mesmo levar uma baquetada.

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Sem surpresas, o show segue à risca o repertório do álbum, dando vez a canções que nem sempre a tiveram, como "Born to Be", a última do disco, encerrada aos gritos eufóricos da torcida "Olê Olê Olê, Shaman, Shaman".

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Com imagens de ensaios, principalmente da época do "Reason", a apresentação tem uma pausa para que todo mundo possa recuperar o fôlego. Fez falta algumas imagens do DVD "Ritualive" (considerado por muitos como o melhor DVD de metal já lançado no Brasil), especialmente dos extras. Em Fortaleza, com certeza, todos gostariam de rever as imagens gravadas na cidade, o Mara Hope ao fundo...

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Mas é hora de celebrar o "Ritual", o melhor álbum da banda (não há um traço de polêmica nesta afirmativa. É uma unanimidade). Agora o SHAMAN é novamente recebido com o coro "O o o o o ooooo". Era "Ancient Winds" cedendo lugar a "Here I Am". Ali estava o SHAMAN, ainda só com o passado, mas com um possível futuro à frente. É André faz o pessoal balançar a cabeça ao som de um piano que insistentemente se intromete na parede de riffs dos Mariutti.

Com a cantoria incessante dos fãs, o Maestro ainda brincou: "Cês não me deixam eu cantar, porra". Mas o público estava mesmo interessado era na emoção de canções como "Distant Thunder", fazendo coro o tempo inteiro, houvesse letra ou não.

Só em "For Tomorrow" vem um boa noite mais formal. "Deixei pra falar na segunda metade do show. Super muito obrigado", diz o vocalista ao público de Fortaleza, mas citando também as cidades de Juazeiro do Norte, maior cidade do sul do estado, e Teresina, capital do vizinho Piauí, concluindo que sempre tinha que passar por ali. "Hoje eu tô deixando vocês cantarem, não é porque eu tô miguelando não. Até porque estou deixando as partes mais fáceis, mas o que vocês estão fazendo e bonito", declarou ele, avisando também que estava gravando o show. Ao fim, ele pendura a flauta pan andina no microfone e ajoelha se em reverência.

Como na parte anterior do show, o set seguiu à risca à ordem das faixas do álbum. Veio "Time Will Come" com muitas palmas, seguida de "Over Your Head" (no início teve até roda). Temos que ressaltar que o que Confas faz nesta canção (e nas outras) é incrível. Um breve solo de piano de Matos antecede "Fairy Tale". É difícil enxergar o palco com tantos celulares prontos para registrar a música da novela. A quantidade de celulares é justificável, afinal é o ponto alto do show. Quando os cearenses ouviram a canção ao vivo pela última vez até já haviam celulares, mas eles eram usados pra algo que raramente fazemos hoje: ligar.

Os gritos "André", "André", "André" interrompem a canção. Nova interrupção acontece instantes depois. E é o nome do SHAMAN que resta na boca do público. Repetidas vezes.
Sob uma belíssima iluminação, termina "Blind Spell" e o o pessoal já está cantando o riff de "Ritual", afinal não há surpresa no show que terminaria com "Pride". Terminaria porque Andre, Confessori e os Mariutti ainda atendem o pedido do público por "Painkiller". E essa é a principal surpresa da noite. E Andre até tinha avisado que cantaria só um pedaço, mas tocaram a canção inteira, ou quase.

"Não pede mais. Amanhã tem show em Recife, c***", arremata o maestro. "Tá cheio aqui. Até onde a gente consegue não enxergar ", reconhece ele antes de partir. "A gente tá fazendo isso porque os fins pediram", conclui. Foram dois álbuns inteiros, mas passaram bem rápido. E era uma sexta-feira, mas pela disposição do público ainda caberia "Carry On" (por que não?), "Lisbon" ou até "Make Believe". Como disse Edu Falaschi, primeiro sucessor de ANDRE MATOS no ANGRA, à época da notícia de que o SHAMAN voltaria aos palcos, "Essa reunião é mais uma grande vitória pra nós que trabalhamos com um estilo musical que é a contramão da indústria da música! Os fãs do estilo agradecem e todos nós saímos ganhando! Espero que essa reunião seja forte e duradoura". Rafael Bittencourt, que tocou no ANGRA com três dos ex-SHAMANs, ratificou: "este é um grande ano para o metal nacional". O que nós todos queremos saber agora é: o SHAMAN vai lançar músicas novas?

Agradecimentos:
Empire e Maurílio Fernandes, pela atenção e credenciamento.
Rubens Rodrigues, pelas imagens que ilustram esta matéria.

SETLIST
REASON
01. Turn Away
02. Reason
03. More (Sisters Of Mercy cover)
04. Innocence
05. Scarred Forever
06. In The Night
07. Rough Stone
08. Iron Soul
09. Trail Of Tears
10. Born To Be
RITUAL
Ancient Winds (intro)
11. Here I Am
12. Distant Thunder
13. For Tomorrow
14. Time Will Come
15. Over Your Head
16. Fairy Tale
17. Blind Spell
18. Ritual
19. Pride
20. Painkiller (cover JUDAS PRIEST)




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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