Legião Urbana: não foi tempo perdido...

Resenha - Legião Urbana (Espaço das Américas, São Paulo, 05/10/2018)

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Por Nelson de Souza Lima, Tradução
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Há tempos esperava conferir um show da Legião Urbana. Dessa forma poderia saldar comigo mesmo uma dívida de mais de 30 anos. Explico. Dos gigantes dos anos 80 o grupo brasiliense foi o único que nunca tinha assistido ao vivo. E digo que não foi por falta de oportunidade. Na real, acho que tinha uma certa birra do líder/vocalista Renato Russo. O cara, morto em 1996, é considerado um dos grandes letristas da música brasileira, autor de canções emblemáticas do rock brasuca. Porém confesso que nunca esteve entre os meus favoritos. Coisas da vida. Tem gente que vai cair na minha pele. Isso eu sei.

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Sua morte, praticamente decretou o fim do grupo. Passados 22 anos os membros remanescentes Dado Villa-Lobos (guitarra) e Marcelo Bonfá (bateria) estão percorrendo o país numa turnê comemorativa do lançamento dos álbuns "Dois", de 1986 e "Que País é Este?", de 1987.

Para isso Villa-Lobos e Bonfá arregimentaram um time forte que não deixa a peteca cair, demonstrando muita química. Completam a atual Legião Urbana André Frateschi (voz), Lucas Vasconcellos (guitarra), Mauro Berman (baixo) e Roberto Pollo (teclado).

Lá estava, como um Daniel na cova dos leões, na expectativa de ver os 50% restantes da Legião Urbana já que o outro membro da formação original, o baixista Renato Rocha, faleceu em 2015. Como sempre cheguei bem antes da hora, o show tava marcado pra começar às 23 horas. Mas às 20h30 já estava diante do Espaço das Américas acompanhando a chegada dos fãs. E como sempre afirmo o rock é sensacional. Um aglutinador de gerações. Fãs dos primeiros tempos dos brasilienses, lado a lado com outros bem jovens, muitos que nasceram depois que a banda terminou.

Com certeza, inúmeros pais e filhos, juntos ali pra conferir a apresentação.

Olhei no celular pra ver o horário. Pensei ainda é cedo. Vou comer um lanche depois entro.

Uma vez lá dentro saquei que o culto em torno do grupo é atemporal. Um bom público já estava à espera dos caras e digo que a casa lotou.

Nas pick ups o melhor dos anos 80 rolando: Zero, Lobão, Culture Club, Depeche Mode, Kid Abelha, Joy Division, The Police, Rita Lee. Oh tempo bom.

Por volta das 22h30 sobe ao palco munido apenas de um violão o cantor João Pedro, o JP. Durante 20 minutos o cara aqueceu o público com clássicos internacionais como "Stand By Me", "Please Don't Let me be Misunderstood", além de algumas autorais. Foi um bom pré-show.

Mas a galera queria Legião. Pontualmente atrasado em quarenta minutos o grupo entra. Primeiro Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá ovacionados pelos fás. André Frateschi com uma taça de vinho na mão faz saudação à galera. Ai foram 120 minutos duma avalanche sonora. A banda é competente com o baixista Mauro Berman agitando bastante. Claro que as maiores atenções ficavam pra André Frateschi. Ninguém espera uma cópia de Renato Russo e Frateschi consegue mandar bem interpretando as canções com personalidade e cara própria.

Foram tocados na íntegra "Dois" e "Que País é Este?" com uma coleção de hits dos 80, entre eles: "Eduardo e Mônica", "Quase sem querer", "Índios", "Faroeste Cabloco", "Tédio (Com Um T Bem Grande pra Você)", "Tempo Perdido", "Há Tempos", "Fábrica", "Angra dos Reis" e "Música Urbana 2".

Tocante a declaração de Frateschi à obra de Renato Russo. Segundo ele, Renato entendeu como poucos a sua geração enaltecendo a música e arte dos quatro integrantes originais do grupo. Disse ainda que a música da Legião corre em suas plaquetas enaltecendo a obra atemporal dos brasilenses. Antes de mandarem "Que Pais é Este?" o vocalista lembrou da importância das eleições e do delicado momento que o Brasil atravessa. Aplausos.

Depois de encerrar com Tempo Perdido. Frateschi disse que voltariam se os fãs pedissem. Batata né? Os caras deixaram o palco pra voltar logo em seguida.

Quebrando o protocolo no bis tocaram músicas fora do set original. Mandaram o clássico "Será" terminando o show com "Perfeição". Frateschi desfraldou uma bandeira com o rosto dos quatro integrantes originais da banda. Festa total.

Deram adeus ao público com a tradicional distribuição de baquetas e palhetas. Quanto a mim fiquei ali pensando o quanto o show foi legal. Aquelas duas horas, de forma alguma, foram tempo perdido. Minha dívida foi paga. Long Live Legião Urbana.

Set list - Dois
Daniel na Cova dos Leões
Quase sem querer
Acrilic on Canvas
Eduardo e Mônica
Central do Brasil
Tempo Perdido
Metrópole
Plantas embaixo do aquário
Música Urbana 2
Andrea Doria
Fábrica
Índios
Química

Set List - Que País é Este?
Que País é este?
Conexão Amazônica
Tédio (Com Um T bem Grande pra você)
Depois do começo
Eu Sei
Faroeste Caboclo
Angra dos Reis
Mais do Mesmo

Encore
Será
Perfeição




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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

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