Krisiun: resenha do Segundo Dia Municipal do Rock em Santo André

Resenha - Krisiun (Parque Ana Brandão, Santo André, 30/09/2018)

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Por Alexandre Veronesi
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No último dia 30/09, os headbangers do ABC Paulista puderam celebrar o "Segundo Dia Municipal do Rock em Santo André", mais uma brilhante iniciativa do Coletivo Rock ABC, em parceria com a prefeitura e secretaria de cultura da cidade. O palco do Parque da Juventude Ana Brandão recebeu 8 bandas, tendo KRISIUN - o maior expoente do Metal extremo nacional - como headliner, além de contar com a apresentação de gala do Doutor Rock, figura icônica no meio "Rock n' Roll" da região. Nem a chuva que insistia em cair no final da tarde / início de noite foi capaz de atrapalhar essa grande festa. Confira abaixo um pouco do que rolou!

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SPIRITUAL HATE

Incumbido de realizar a abertura do evento, o Spiritual Hate é oriundo de Diadema, e formado por Magnus Hellhound (vocal e guitarra), Fabiano Blackmortem (guitarra), Fernando H. Grommtt (baixo) e Thamuz (bateria). Apostando no Death / Black Metal, com influências de Belphegor, Vital Remains, Deicide e outros, o quarteto vem divulgando seu primeiro full-length, "Diabolical Dominium" (2017), e a apresentação contou com números profanos como "Excomunium", "Awating Fucking Jesus" e a faixa título do disco, "Diabolical Dominium". Apesar de curto (cerca de 25 minutos) o show foi excelente, agradou a galera que ia chegando ao parque, e deu o tom da brutalidade que presenciaríamos dali em diante.

GRINDING REACTION

A segunda banda do evento, também da cidade de Diadema, foi a veterana Grinding Reaction, que está na estrada desde o ano de 2000. Ricardo (vocal), Victor (guitarra), Rafael (guitarra), Renato (baixo) e Weslley (bateria) despejaram sobre o público seu Hardcore com pitadas de Thrash Metal, cantado 100% em português e altamente ácido, contendo severas críticas sociais em suas letras. Foram tocadas, em sua maioria, canções do novo trabalho do grupo, "O Caos Será a Tua Herança", sendo assim tivemos "Nega Sina", "Cangalha", "Inimigo no Espelho", "Guerra Urbana" e "Recuse a Cegueira", além de outras mais antigas, como "Sindicato do Crime", "Cultura do Terror" e "Foda-se", que encerrou o competente set do grupo.

CEMITÉRIO

Um dos mais aclamados do dia, o Cemitério trouxe seu Death Metal "old school" a Santo André, sob o forte sol das 12h30, para o deleite dos amantes de Death (old), Possessed, Pestilence (old) e similares. Capitaneada pelo multi instrumentista Hugo Golon, a banda traz letras em português, todas inspiradas em filmes de horror clássicos. Alguns dos petardos executados foram "A Volta dos Mortos Vivos", "Quadrilha de Sádicos", "Holocausto Canibal", "Sexta-Feira 13", "Tara Diabólica", "O Dia de Satã", "Oãxiac Odèz", "A Sentinela dos Malditos" e "Natal Sangrento", tudo de forma orgânica e visceral. O público não decepcionou e respondeu à altura. Além de Hugo (vocal), o line-up conta com Henrique Perestrelo (guitarra), Douglas Gatuso (baixo) e Guilherme de Pádua (bateria).

CHAOSLACE

A seguir, veio o Brutal Death Metal do Chaoslace. Tendo como tema lírico central a anti-religião, o trio Leandro Nunes (vocal e guitarra), Diogo Rodrigues (bateria) e Rafael Correa (baixo, substituindo Giovanni Fregnani neste show) apresentou sons como "Elimination", "Blasphemy", "Manifesto Against The Pedophile Lords" e "Anti-Religious Victory", todos presentes em seu primeiro full-length, "Inhumane Terror Cult", lançado este ano e produzido pelo saudoso Fabiano Penna (Rebaelliun). Por ser uma banda que realiza muitos shows, o Chaoslace transmite extrema solidez e segurança em cima do palco, apesar da sonoridade veloz e de difícil execução. "Lethal Aggressor" e "Rot On Thy Cross" colocaram um ponto final ao caos sonoro do grupo.

JUSTABELI

War Metal! Este é o estilo autoproclamado do Justabeli, quinta banda a se apresentar no evento. A sonoridade dos caras é um híbrido entre Black e Death Metal, com letras inspiradas em guerras e conflitos diversos. Apesar de algumas falhas técnicas no início do show, a horda formada por War Pheriz (vocal e baixo), Blasphemer (guitarra) e Morbus (bateria) tirou os problemas de letra e colocou o público - a essa altura em grande número - para bater cabeça. Na ativa desde 2001, o conjunto foi capaz de abranger (rapidamente) todas as fases de sua carreira dentro do curto setlist, composto por "Satanic War Black Metal", "Parabellum", "Ad Bellum Et Gloria", "Cause The War Never Ends..." e "War Crime".

DEATHGEIST

Era chegado o momento "Thrash 80's" do dia, com o Deathgeist. Apesar do curto tempo de estrada (menos de 2 anos), o grupo conta com integrantes bastante experimentados no cenário underground: os ex-Bywar Adriano Perfetto (vocal e guitarra) e Victor Regep (guitarra), além de Maurício Bertoni (baixo) e Goro Disbelief (bateria). O repertório foi majoritariamente composto por sons do álbum de estréia, que leva o nome da banda, então as porradas "Thrash Metal Fire", "Day Of No Tomorrow", "Captured By Hell" e "Ghost Of Torture" ditaram o ritmo dos circle pits, que não cessaram nem sob a incômoda chuva que já dava as caras. Para finalizar, não poderia faltar aquele que talvez seja o maior clássico do Bywar, "Thrasher's Return", e mais uma do debut, "Death Razor". Muita energia neste que foi um dos melhores shows do festival.

RHINO

A penúltima banda a se apresentar foi o Rhino, grata surpresa do dia (para mim, que não conhecia muito do trabalho dos caras). O Thrash / Death Metal do quinteto, bem executado e ríspido, agitou o público para valer, com direito até a "wall of death" (quando a pista se divide em 2 e se junta no circle pit de acordo com o ritmo da música). O destaque fica para o cantor Glauber Rico, manauara insano que ostenta ótima presença de palco e voz poderosa. Algumas das canções executadas foram "Coca", "The Game", "Abutre Digital", "Bastardo", "Maldição", "Red Witch" e "Lei do Cão". O conjunto é integrado por Glauber (vocal), Gustavo Toledo (guitarra), Fausto Cestari (baixo) e Ian Alves (bateria).

KRISIUN

O trio gaúcho formado pelos irmãos Alex Camargo (vocal e baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria), responsável por encabeçar o evento, dispensa maiores apresentações. É de conhecimento geral que o Krisiun, já há alguns bons anos, figura no mais alto escalão do Metal extremo mundial. A banda atualmente está divulgando o recém lançado "Scourge Of The Enthroned", e o setlist executado englobou praticamente todas as fases de sua magnífica carreira. "Kings Of Killing" abriu o espetáculo, sucedida por "Ravager", e o que pudemos presenciar na sequência foi uma verdadeira devastação sonora com requintes de crueldade: "Combustion Inferno", "Descending Abomination", "Blood Of Lions", "Vengeance's Revelation" e "Slain Fate". Do novo trabalho, se fizeram presentes somente a faixa título e "Devouring Faith". Além da precisão e técnica apuradíssimas, impressiona a simplicidade dos músicos, que apesar do prestígio, não se esquecem jamais de suas raízes. O frontman Alex fez questão de agradecer a audiência por diversas vezes, além de exaltar a força do Metal nacional. A trinca derradeira foi formada por "Ace Of Spades", do Motörhead, uma homenagem ao grande Lemmy Kilmister, seguida por "Hatred Inherit", e a mais pedida da noite, "Black Force Domain", findando mais este irrepreensível culto negro.

Parabéns ao Coletivo Rock ABC e a todos os envolvidos, pois são iniciativas como essa que fortalecem cada vez mais o cenário Rock / Heavy Metal no Brasil!




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