Shaman: um novo e surpreendente ritual

Resenha - Shaman (Audio, São Paulo, 22/09/2018)

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Por Alexandre Veronesi
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Conheci o Shaman em 2005. No ano anterior, eu entrava de cabeça no Heavy Metal após ouvir o Temple Of Shadows, do Angra, diferente de tudo que eu havia escutado até então. Chegar ao Shaman foi uma inevitável consequência, e rapidamente se tornou uma de minhas bandas preferidas. Na época, estavam às vésperas do lançamento de seu segundo registro de estúdio, que viria a ser o polêmico Reason. Após algumas tentativas frustradas, finalmente consegui assistir um show dos caras, em 2006, no Kazebre Rock Bar, junto ao Dr. Sin. Uma noite memorável. Lamentavelmente, o grupo se dissolveria alguns meses depois, e o resto da história é do conhecimento de todos.
12 longos anos se passaram, e o improvável aconteceu: a formação original deixou as rusgas no passado e se reuniu para uma tour, apresentando seus 2 álbuns, Ritual e Reason, na íntegra.

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No dia 22/09 aconteceu o primeiro show da turnê, na Audio, localizada na região da Barra Funda, em São Paulo. As expectativas eram altíssimas por parte de todos. Casa absurdamente lotada ("sold out" poucos dias após a abertura das vendas), e às 21h em ponto as luzes se apagam. No telão, imagens da banda em estúdio nos "anos dourados", além de depoimentos dos integrantes (gravações também da época). Logo após, o clássico logo do Shaman toma o fundo do palco, e Hugo Mariutti (guitarra), Luis Mariutti (baixo), Ricardo Confessori (bateria), Fabio Ribeiro (teclado), e por último, Andre Matos (vocal, piano e teclado), sobem ao palco para o pontapé inicial com Turn Away, e a emoção toma conta do local. Como havia sido noticiado que os discos seriam executados em sua ordem original, já sabíamos o que esperar dali em diante.

Com a platéia na mão, o grupo deu continuidade com Reason (belíssima, e o primeiro momento do maestro ao piano), More (cover do Sisters Of Mercy) e Innocence, bradadas a plenos pulmões pela platéia (especialmente esta última).

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Para alívio geral, a banda se encontra entrosada e afiadíssima, esbanjando energia e profissionalismo. A voz de Matos permanece resistindo ao teste do tempo, o cantor teve uma performance primorosa. Percebe-se que a química entre os músicos ainda é forte, e os 5 se mostravam visivelmente felizes por estarem ali.

Seguindo com o trabalho de 2005, veio a pesada Scarred Forever, sucedida por In The Night, Rough Stone, Iron Soul, Trail Of Tears (uma das minhas prediletas do álbum), e finalmente, a "pomposa" Born To Be, encerrando o primeiro ato do show, sob muitos aplausos.

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O telão então passou a transmitir novas imagens de estúdio e bastidores da banda, em vídeo que durou cerca de 10 minutos, até que a intro Ancient Winds soou nos PAs. Nos primeiros acordes de Here I Am, a casa veio abaixo. O público, bastante animado e participativo, alcançaria a partir deste momento o mais elevado patamar de excitação. Todas as canções de Ritual, sem exceção, foram entoadas "de cabo a rabo" pela audiência, em vários momentos se sobrepondo à voz de Andre. Sou um grande apreciador do Reason desde sua concepção, porém é mais do que evidente que o trabalho não possui o mesmo impacto do debut, principalmente no quesito "ao vivo".

Distant Thunder botou todo mundo para pular e bater cabeça, enquanto o hino For Tomorrow foi abrilhantado com Andre tocando a famosa flauta Pan, assim como no DVD RituAlive. Time Will Come e Over Your Head mantiveram o nível altamente elevado, mas o ápice da interação público / banda, obviamente, veio com Fairy Tale, maior hit e sucesso comercial do grupo. Inesquecível!

Vale ressaltar que todas as canções foram executadas em seus tons originais.

O espetáculo adentrava sua reta final, mas a galera não deixou a peteca cair em Blind Spell e Ritual. Antes da derradeira Pride, o frontman anuncia que não teriam a presença de Tobias Sammett dessa vez, porém haviam chamado um convidado à altura. Então, o humorista e cantor Bruno Sutter sobe ao palco para interpretar as linhas de voz gravadas originalmente pelo líder do Avantasia e Edguy. Há quem torça o nariz, mas fato é que Matos e Sutter protagonizaram um dos grandes momentos da noite, encerrando o espetáculo de forma apoteótica.

Infelizmente, não tivemos nenhuma surpresa no repertório (mas convenhamos, não tem como reclamar: o show teve 2h20 de duração), e ocorreram algumas falhas de equalização na guitarra e no vocal, que apresentaram oscilações durante todo o set. Nada na vida é perfeito.

Por fim, foi uma noite absolutamente histórica para o Metal nacional. Ali foi possível compreender a força que o Shaman possui dentro do cenário, a enorme quantidade de seguidores fiéis, e a falta que o grupo faz. Esperamos que este retorno se torne definitivo, mas caso não aconteça, não há problema, a missão já estará cumprida mesmo assim.

SETLIST

REASON
01. Turn Away
02. Reason
03. More (Sisters Of Mercy cover)
04. Innocence
05. Scarred Forever
06. In The Night
07. Rough Stone
08. Iron Soul
09. Trail Of Tears
10. Born To Be

RITUAL
Ancient Winds (intro)
11. Here I Am
12. Distant Thunder
13. For Tomorrow
14. Time Will Come
15. Over Your Head
16. Fairy Tale
17. Blind Spell
18. Ritual
19. Pride


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