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Bon Jovi: relembre apresentação no Allianz Parque (melhor que o RIR)

Resenha - Bon Jovi (SP Trip, Allianz Parque, São Paulo, 23/09/2017)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Continuando nossa série de reposts das resenhas originalmente publicadas na Metal Militia, vamos lembrar como foi o show do BON JOVI na noite mais lotada do festival. O Allianz Parque tremeu ao som do hard rock e das baladas do veterano de New Jersey. John Francis Bongiovi, Jr chegou em São Paulo prometendo que seu show no festival SP TRIP seria muito melhor que o da noite anterior, no festival carioca Rock IN RIO. E, já de pronto, adiantamos que cumpriu a promessa. Comparando ambos os shows e entrando no clima do futebol (afinal, o show aconteceu em um templo desse esporte, o estádio Allianz Parque) podemos dizer que o show de sábado ganhou do de sexta por um placar quase elástico: 3 x 1. Acompanhe agora tudo o que aconteceu no jogo, digo, no show.

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Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

THE KILLS

A escalação mais controversa de todo o festival foi a da banda de rock alternativo THE KILLS, oficialmente um duo formado pela norte-americana Alison "VV" Mosshart (vocais e guitarra) e pelo britânico Jamie "Hotel" Hince (vocais, guitarra e bateria), mas cercada de músicos de apoio. Por que controversa? Porque seu som, embora tenha fãs no mundo inteiro, não tinha nada, ou quase nada, a ver com todas as outras atrações do Line Up. É uma banda que cairia muito bem na escalação de um Lolla, por exemplo, um festival mais plural, mais indie, com público realmente mais ávido por novidades (o que, digamos a verdade - e não há nenhum traço de crítica negativa aqui, não é o caso dos fãs do hard rock).

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O que o THE KILLS encontrou pela frente foi um estádio realmente lotado (já neste primeiro show não era tão fácil circular, como havia sido na quinta-feira anterior), mas apático. Em sua apresentação, que começou com cerca de 10 minutos antes do previsto, tanto Mosshart quanto Hince se esforçaram para conquistar o público e não deixavam de usar a passarela, indo tocar mais próximos ao público, mas muitas pessoas preferiram sentar no chão e esperar a atração principal.

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Alison tem boa presença de palco e uma voz que lembra PORTISHEAD, enquanto Hince tem ideias e acordes criativos, mas canções como "Heart of a Dog", "Hard Habbit to Break", "Baby Steps", "Echo Home" (esta lembrando muito o trio queridinho dos indies THE XX) fariam mesmo muito mais sucesso em Interlagos, mas Hince teve muita dificuldade em instigar o público do Allianz. Na pista, pequenos grupos pareciam curtir bastante com as mãos para o ar. Com Alison também nos tambores eles tocaram "Pots and Pans" e, depois de muitos efeitos de microfonia, acordes bluezeiros (mas extremamente modernos) iniciam "Monkey 23", da trilha sonora do filme francês "De Tanto Bater, Meu Coração Parou". No entanto, o público gostou mais quando eles se despediram. Talvez, como foi desejo de muitos, chamar o TEARS FOR FEARS (e a sugestão se dá, claro, pelo fato de que o também duo foi a atração imediatamente antes do BON JOVI no festival carioca) tivesse alcançado uma resposta melhor do público. Há a máxima "Em time que está ganhando não se mexe", mas, com a maior bilheteria do festival, também poderíamos dizer que "Em time que vai ganhar não se mexe"? Fica a pergunta.

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BON JOVI

Com flashmobs como ola e noite estrelada (belo efeito criado quando as pessoas empunham seus celulares com lanternas ligadas em um estádio com as luzes apagadas) nas arquibancadas o público esperava ansiosamente pelo BON JOVI. Quando o show começa, gritaria pra música que dá nome ao novo disco, "This House Is Not For Sale", é ensurdecedora. É uma boa canção, mas, claro, sabemos que a gritaria é mais pela própria presença do astro grisalho no palco que pela música em si. Além de Jon, estão no palco os guitarristas Phil X e John Shanks, o baixista Hugh McDonald, o percussionaista Everett Bradley, o baterista Tico Torres e o tecladista David Bryan (estes dois últimos os únicos, além de Jon, membros da formação original) . Havia preocupações com a voz de Jon (com 55 anos e arregaçando a garganta desde os 21) e é até difícil reconhecer algumas palavras das primeiras estrofes de "Raise Your Hands", a próxima. O Fôlego de Jon já não é mais o mesmo da época do arrasa-quarteirão "Slippery When Wet", mas isso não importa para o público, que até vibrou mais com o rebolado de Jon do que com o solo de Phil X ou com a arrematada de Tico. E claro, pista e arquibancada, todos levantavam as mãos em sincronia.

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Depois de "Knockout", o astro-galã dá seu boa noite à São Paulo. "Alguém nos viu na TV ontem no Rock in Rio? É engraçado, hoje vai ser muito melhor", é a promessa. "É sábado a noite, o tempo que temos tem que valer a pena, vocês estão comigo?

Então me mostrem o que tem". Aqui, o vocalista não precisou fazer nenhum esforço para conseguir que o público, além de gritar como já estavam fazendo, começasse a pular. Claro, era vez do classicão "You Give Love A Bad Name" e Jon vem pra passarela pela primeira vez. Parece ter guardado, tanto ele quanto o público, esse por cento a mais para este momento.

Em "Born To Be My Baby", ele explora as laterais do palco, manda beijos, aponta para as fãs. Ele já até já vinha fazendo isso (apontar), mas nessa ele aponta ainda mais, claro, por causa da letra da canção. Os ânimos chegam a baixar um pouco em "Lost Highway", com Jon no violão, e "We Weren't Born To Follow", mas a histeria volta com tudo em "Lay Your Hands on Me". "Vocês sabem o que eu gosto? Eu gosto das mulheres gostosas do Brasil [Nota: ele disse "Hot Women", traduza como quentes, se achar melhor, mas o termo em inglês é bem usado para "gostoso / gostosa", com conotação sexual]", ele dissera antes da canção. E durante a música ele desce do palco, distribui carinho, aperta mãos e até tira uma selfie no celular de uma fã. Cada ação é acompanhada de gritos no estádio inteiro enquanto as imagens aparecem no telão. E se o nome da canção é sugestivo, foi exatamente o que ele fez, ou melhor, deixou fazer. Até marmanjos queriam passar a mão no sujeito. Quando ele volta, luzes iluminam o estádio para que todos vejam que todos estão com as mãos para cima, enquanto o refrão mono-verso é insistentemente cantado.

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O show continua com "In These Arms", do "Keep The Faith" e "New Year's Day", do disco novo, com o clipe, um dos mais novos da videografia da banda, ao fundo. Depois, Jon volta sozinho e resgata "(You Want to) Make a Memory" no violão (ele não tocava esta canção ao vivo desde 2013). O público, com seus celulares, também dá um show na arquibancada num momento bem emocional. E eu não duvido que muitos tenham ido às lágrimas.

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Chega a vez do mega-uber-ultra-clássico "Bed of Roses", a canção mais honesta que algum artista já escreveu. Durante a canção, uma fã consegue subir ao palco e Jon a chama pra dançar. E dançam a canção quase inteira abraçados, pra inveja do enorme público feminino que fora ao estádio. Este foi o primeiro gol. SP Trip 1, Rock in Rio 0. Enquanto tudo isso, no chão, interessante notar que até os vendedores de cerveja acompanhavam e cantavam junto a canção. Afinal, quem não se emociona com esse negócio de "quero me deitar contigo numa cama de rosas, porque hoje eu me deito (com alguma loira que tá ali me chamando) numa cama de pregos / Não tenho nada a provar porque é por você que eu morreria pra defender"?

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Todo mundo de volta ao seu lugar, segue o show com "It's My Life" que, apesar de não ser da fase mais clássica, desperta muitos gritos e tem um dos refrãos mais grudentos do rock. Em seguida, e felizmente, felizmente, não foi a versão acústica e sem tesão de "Someday I'll Be Saturday Night" que a banda tem apresentado que rolou no SP Trip. SP Trip 2, Rock in Rio 0. No meio da canção, Jon lembra: "da última vez passamos por tempos difíceis, Tico estava doente, Richie (Sambora, guitarrista da formação clássica) estava ausente, mas o amor de vocês me ajudou a chegar até aqui". "Quatro anos depois, as estrelas brilharam, eu ouço um trovão atrás de mim (Tico bate mais forte, confirmando que é ele o dito trovão), ouço seus corações e eles me chamam", diz ele antes de puxar o coro ô ô ô pra tudo explodir. E até eu explodo novamente aqui enquanto escrevo a resenha.

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Na hora de apresentar a banda, Tico e Bryan são os mais ovacionados. Bryan foi tão aplaudido que Jon até chegou a cometer a gafe de esquecer de apresentar John Shanks. Sobre Phil X, o vocalista lembrou que ele está na banda há mais de 100 shows (ele já tocava nas turnês mesmo antes de Sambora deixar o grupo). Embora Jon desse detalhes da história de cada membro com a banda (este aqui fez isso, aquele ali fez aquilo), não dá pra negar que o que dissera reforçava que Phil X era agora membro integral da banda e devia ser visto assim, pelo menos em sua opinião (os fãs não vão esquecer Sambora tão facilmente). Apresentações feitas, "Ok, tem ainda algum cowboy no Brasil?" é a pergunta de sempre para "Wanted Dead or Alive", outro clássico. E, com participação brilhante de David, Jon Bon Jovi empunha guitarra na baladeira "I'll Sleep When I'm Dead". Ele ora toca, ora rege as palmas do público fazendo até um solo no final. "Eu gosto dessa gente, eu amo essa gente", declarou ele no meio da canção. Ele tem motivos para dizer isso. Com as batidas fortes de Tico e o público inteiro cantando, até a mais insuportável da safra mais nova do BON JOVI, "Have a Nice Day", fica boa.

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Já próximo ao que seria o fim do show, o telão falhou em "Keep The Faith". Ok. É o gol do adversário. SP Trip 2, Rock in Rio 1. Mas com multiplos solos, mais de 10 minutos de música, mais ou menos, o jogo ainda estava ganho e vai todo mundo pra passarela (pelo menos os que podem ir, Tico e Bryan não podem carregar suas parafernalhas pra lá). É uma canção em que todo mundo brilha no baita momento "freebirdesco" (lembram dos solos sobre solos na canção do LYNYRD SKYNIRD?). David Bryan não dá descanso e já puxa "Bad Medicine" em seu teclado. É outro momento karaokê pra mil, milhares de vozes.

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Eles até demoraram a voltar. Sabíamos que voltariam. Mas o charme do bis parecia ser bem mais que um charme. É então que, com o palco ainda às escuras, num susto, Tico dá aquela marretada. Quem não reconhece as primeiras batidas de "Always". Emocionado e incrédulo ao mesmo tempo (não teve nada de "Always em Porto Alegre ou Rio, primeiras paradas da turnê do BON JOVI no Brasil), o público cantou e chorou. É o último gol da noite. A voz de Jon falha sim, mas é o momento o que mais vale. Só seria melhor se Phil X não inventasse no solo. Deixa o virtuosismo pras mais nova, especialmente as de "This House...", Phil.

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Olhos marejados era o que se via por todos os lados. Isso quando não estavam fechados enquanto bocas se beijavam. Sem estragar o clima, Jon começa Livin' acapella, logo seguido pelo público. Visivelmente emocionado também ele pede para ligar as luzes porque quer ver as pessoas. E logo todos estão pulando enquanto a guitarra de Phil X falava (claro, com o apoio de um talk box, como fazia Sambora).

Jon estava feliz por estar ali. E não queria sair do palco. São Paulo parecia muito especial pra ele. Talvez ele quisesse, definitivamente, passar uma borracha em momentos ruins que passara da última vez em que estivera na capital paulista. Obviamente, não por culpa da cidade ou de seus habitantes, mas dos problemas pelos quais a banda passava: a doença de Tico, a partida de Sambora. A banda tem o seu nome, ele é o membro mais famoso, mas ainda é uma banda. Talvez ele tivesse tido que esperar até aquele sábado para sentir que ela estava inteira novamente. Depois de mais um discurso de agradecimento, já nos acréscimos (com muito mais que 90 minutos de partida), o BON JOVI presenteou os fãs com "These Days". E é fim de jogo no Allianz Parque.

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Setlist Bon Jovi

1. This House Is Not for Sale
2. Raise Your Hands
3. Knockout
4. You Give Love a Bad Name
5. Born to Be My Baby
6. Lost Highway
7. We Weren't Born to Follow
8. Lay Your Hands On Me
9. In These Arms
10. New Year's Day
11. (You Want to) Make a Memory
12. Bed of Roses
13. It's My Life
14. Someday I'll Be Saturday Night
15. Wanted Dead or Alive
16. I'll Sleep When I'm Dead
17. Have a Nice Day
18. Keep the Faith
19. Bad Medicine

Bis
20. Always
21. Livin' on a Prayer

Bis
22. These Days

Agradecimentos:
Simone e Denise Catto, pela atenção e credenciamento.
Mônica Simonsen Porto e Ed Rodrigues, pela eterna parceria.


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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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