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Angra: resenha do Festival Rock Will Never Die 2018

Resenha - Angra (Clube Internacional, Recife, 12/05/2018)

Por Renan Soares
Postado em 18 de maio de 2018

Queria que essa fosse mais uma daquelas resenhas de shows onde eu falaria mil maravilhas do evento, mas, infelizmente não será dessa forma. Apesar dos contratempos ocorridos na edição do ano passado, que resultou em um grande atraso nas apresentações (em um domingo) fazendo com que muitos fossem embora antes de ver a atração principal por ter que ir trabalhar no dia seguinte, eu tinha boas expectativas para o Festival Rock Will Never Die de 2018.

A edição contava com o Angra como atração principal trazendo a turnê do novo disco Omni, além de mais cinco bandas de abertura, sendo todas elas locais (Sun Diamond, Avaken, Final Age, Diego Richard e Insecticida).

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A coisa já começa estranha quando eu vou comprar o ingresso físico e vejo que invés de confeccionarem ingressos novos para a ocasião, eles "reaproveitaram" sobras de um evento organizado por eles ocorrido em Fortaleza, que teve Edu Falaschi como atração principal. Por mais econômico que isso seja, fica parecendo muito amador, além do risco de confundir o comprador por conta das informações contidas no mesmo.

Mas acreditem, em comparação a tudo que será relatado aqui, isso foi o de menos.

Ao longo das semanas anteriores ao evento, a produção fazia questão de ressaltar nas redes sociais que nesse ano haveria pontualidade, com isso, o pessoal que participaria do Meet and Greet com o Angra entraria no Clube Internacional às quatro da tarde, às cinco abririam os portões para o público em geral e às seis, a primeira banda (Insecticida) subiria ao palco.

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Bom, cheguei ao Clube Internacional às cinco e meia da tarde e nada dos portões terem sido abertos, aliás, a entrada do pessoal do Meet and Greet nem sequer havia sido liberada. Mas até ai tudo bem, era algo até esperado que ocorresse e infelizmente comum em eventos aqui no Brasil.

Mas o atraso acabou sendo pior que o esperado, apenas por volta das sete de noite que os participantes do Meet and Greet começaram a serem chamados (isso com a passagem de som do Angra rolando apenas naquela hora) e a entrada do público em geral só foi finalmente liberada às oito na noite.

Além da demora para abrir os portões, a entrada acabou sendo confusa porque o cidadão que estava controlando a entrada do pessoal começou a chamar todos que estavam com "convite" em mãos.

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Na hora, ninguém entendeu se o cara estava chamando o ingresso erroneamente de convite, ou se ele estava falando de algum tipo de entrada específica. E como se não bastasse, quando alguém ia lá mostrar o ingresso perguntando se era daquele tipo que ele estava falando, o cara tratava todos de forma grosseira e puxando os mesmo para dentro a força como se a gente fosse burro por não ter entendido que era para entrar quando ele pediu os "convites" das pessoas.

Mas enfim, finalmente estava dentro do Clube Internacional, e a partir daí os shows ocorreriam normalmente com tudo nos conformes, certo?

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Errado!

De início, as bandas se apresentariam na seguinte ordem: Insecticida, Avaken, Sun Diamond, Final Age, Diego Richard (sem o Nando Fernandes, que já havia cancelado a participação no show duas semanas antes por questões de agenda) e o Angra por último.

Mas, por conta de problemas nos bastidores que não me cabem especificar, houve a necessidade de colocar o Angra para abrir o evento e deixar todas as outras bandas para tocar depois.

Ao que tudo aparentava, a organização do festival desse ano estava pior do que a da edição anterior, pois no ano passado, apesar dos contratempos, todas as atrações tocaram na ordem, e o transtorno maior só foi causado porque o evento tinha sido marcado em uma véspera de dia de semana.

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Como se não bastasse isso tudo, ainda não havia sinais do horário em que as apresentações finalmente começariam, tendo apenas pouco depois das nove e meia da noite Diego Richard, idealizador do festival, subido ao palco para dar alguma satisfação ao público presente, se desculpando pelo atraso do início das apresentações, avisando da mudança na ordem das bandas e dado a previsão de dez da noite para se iniciar o show do Angra.

Mas nem essa previsão foi cumprida, quando o relógio marcou dez horas ainda havia coisas sendo ajeitadas no palco, e os presentes, que já estavam em grande número enchendo a pista do Clube Internacional, começava a mostra impaciência.

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Um pouco depois de dez e meia da noite, a longa espera de quatro horas e meia finalmente se encerrou, e o Angra subiu ao palco. Sendo assim, finalmente podemos falar da parte boa da noite.

Aos gritos do público presente, aos poucos o Angra foi aparecendo ao palco, tendo iniciado a apresentação ao som da música "Nothing to Say", do álbum "Holy Land".

Desde o início percebia-se que a energia da banda com o público seria sintonizada, todas as músicas eram cantadas a plenos pulmões de início ao fim, inclusive as do Omni, sendo uma delas "Travelers of Time", segunda tocada no set da noite.

Após a execução de "Angels and Demons", Lione conversa com o público pela primeira vez dando uma mensagem de apoio às bandas locais, e pedindo para o público permanecer no evento para acompanhar as bandas que viriam depois do Angra. Além disso, também anunciou que no show de Recife, eles estreariam novidades no setlist da turnê. Sendo assim, pouco depois, é iniciada a execução da música "Newborn Me".

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Logo após, a banda executou a clássica "Time" do disco Angels Cry, onde Lione mais uma vez caprichou nos agudos, e seguiu com "Light Of Transcedence", também do Omni, onde a plateia formou a primeira grande roda punk da noite.

Após "Acid Rain", faixa do clássico Rebirth, veio a primeira novidade do setlist, que se tratou da música "Storm of Emotions", do Secret Garden.

Em seguida, o single "Insania" foi tocado, tendo depois a banda feito uma "pausa" para que o baterista Bruno Valverde mostrasse ao público o que sabia fazer de melhor, nos proporcionando um excelente solo de bateria.

E finalmente chegamos ao um dos momentos mais esperados da noite, momento esse que foi anunciado pela banda em live em seu Instagram oficial no dia anterior, e que foi tocado durante a passagem de som. A música "Black Widow’s Web", tão comentada por conta da participação da Sandy, seria executada ao vivo pela primeira vez.

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Mas, a principal pergunta era: Como seriam executadas as parte onde a Sandy e a Alissa White-Gluz participam?

Bom, não houve muitas artimanhas em relação a isso, o guitarrista Rafael Bittencourt cantou as partes da Sandy, mas surpreendentemente, Fabio Lione arriscou um gutural para fazer as partes da Alissa, e por incrível que pareça, não ficou ruim.

O show seguiu com "Upper Levels" e a icônica "Z.I.T.O", tendo depois "War Horns", única música do Omni com a participação de Kiko Loureiro, sido executada com o público fazendo o segundo mosh pit mais insano da noite.

Depois, tivemos uma música a qual poucos imaginariam que estaria no setlist, se tratando da "Ego Painted Grey" do álbum Aurora Consurgens, um dos discos menos aclamados da banda.

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"Lisbon" foi mais uma música em que todos cantaram em uma só voz com toda a empolgação possível, e logo após, "Magic Mirror" encerrou a primeira parte do set, tendo a banda deixado o palco fazendo o público esperar pelo "bis".

Não demorou muito até o Rafael Bittencourt reaparecer sozinho no palco, onde ele tocaria a acústica "Gentle Change", do disco Fireworks, como uma forma de homenagear um falecido amigo.

Terminado a canção, Rafael pediu desculpas ao público por conta do atraso ocorrido, disse que tudo foi ocasionado por um problema no som, e pediu desculpas também as bandas que iriam abrir para eles, tendo assim, pedido para o público não ir embora após o show deles.

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Antes de chamar o restante da banda para o palco novamente, Rafael declarou que em breve, seria lançado um vídeo no canal do Angra do Youtube, onde finalmente eles revelariam o significado do termo "Z.I.T.O" e sua ligação com o disco Omni.

Depois de toda a banda retornar ao palco, era a hora de um dos momentos mais épicos do show do Angra, a execução a música "Rebirth". Só quem já viu o Angra ao vivo sabe o quão linda essa música é quando executada nos shows, essa era a quarta vez em que vi a banda no palco e sabia muito bem disso, nessa canção, é o momento onde alguns levantam as mãos, outros acendem seus isqueiros ou lanternas de celulares, e alguns outros dão os braços , e começam a cantar a música em um só coro, e dessa vez não foi diferente disso.

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Quando citei que "War Horns" teve a segunda roda mais insana da noite, imagino que alguns de vocês se perguntaram qual teria sido a primeira. Bom, definitivamente foi o mosh formado durante a dobradinha "Carry On/Nova Era", onde a roda atingiu sua maior proporção na pista do Clube Internacional.

E após duas horas de show, mais uma passagem do Angra pelo Recife se encerrava aos aplausos do público, e ao som da faixa "Omni – Infinite Nothing" ao fundo enquanto a banda se despedia dos presentes.

Até aqui, tudo lindo e maravilhoso, os fãs do Angra ficaram todos satisfeitos com a ótima apresentação da banda, mas a noite não iria acabar por aí, o festival seguiria com os shows das bandas que iriam abrir o evento.

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Como já imaginava, mesmo com os pedidos da banda e da organização para que o público ficasse para ver as outras atrações, os mesmo não atenderam, tendo 90% da plateia deixado o Clube Internacional após a apresentação do Angra. E para piorar, a partir daí tudo passou a acontecer aos "trancos e barrancos".

Além da redução do público, todos os shows que se seguiram aconteceram de forma corrida e reduzida, sendo assim, tentarei aqui falar de forma breve sobre cada uma das apresentações.

Já se passavam da uma da manhã quando a banda "Insecticida" subiu ao palco com o seu "Thrash Metal da Gota Serena" genuíno de Timbaúba, interior de Pernambuco.

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Admito que o som deles não é o do tipo que agrada meus ouvidos, isso sem falar que achei o vocal "limpo" demais para uma banda de thrash metal, mas apesar disso, admiro bandas que carregam a identidade da sua região, coisa percebida não só em suas letras, mas também nas vestimentas, que remetem ao Sertão Nordestino.

Além disso, também curti a presença de palco e irreverência do vocalista Juan Apolinario, tendo ao final do show colocado uma máscara de cavalo, e depois, descido do palco para abrir uma roda punk no meio da plateia.

Com menos de meia-hora de apresentação, a Insecticida encerra sua apresentação, e o palco é rapidamente ajeitado para o show da banda Avaken.

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Em seu rápido show, a Avaken mostrou com bastante técnica e qualidade aquele heavy metal com uma pegada um pouco puxada para o power, tendo durante o curto set, tocado o cover da música "Symphony of Destruction" do Megadeth.

No palco eles se portaram bem e fizeram uma apresentação bem técnica, mas é difícil falar do trabalho deles no geral, pois não há poucas informações sobre a banda nas redes sociais, e tão pouco músicas para audição. Mas pelo menos, o que vi deles no show me agradou.

Ainda na correria, o palco começa a ser preparado para a banda Sun Diamond, e já na intenção de ganhar tempo, o vocalista Aílton Neto conversou com o pouco público que ainda permanecia no Clube Internacional apresentando o grupo e o seu trabalho enquanto tudo era ajeitado.

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Às duas e meia da manhã a Sun Diamond iniciou sua apresentação com toda a energia e presença de palco do vocalista Aílton Neto, cujo não parava de se movimentar em nenhum momento.

Mesmo em número ridiculamente pequeno, algumas poucas pessoas que estava na grade do palco interagiam com a banda e se animavam ao som do Hard Rock da mesma, e a Sun Diamond conseguiu aproveitar esse fator.

O show só não foi 100% perfeito por conta de problemas técnicos que deixaram o microfone de Aílton muito baixo no início da apresentação, e o do baixista Miguel Guerra inaudível durante seu vocal na música "She Took the High Road", o que possivelmente foi em consequência da correria para arrumar todo o equipamento.

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E após um curto set com apenas quatro músicas, a banda encerrou seu show com a faixa "Go To The Yard", com direito a uma pequena roda punk dos poucos gatos pingados no local.

Ainda no corre-corre, o palco foi armado para a Final Age, grupo que iria ter o papel de fechar o festival com o seu poderoso Power Metal.

Quando a apresentação se iniciou, contava-se nos dedos a quantidade de pessoas que ainda estavam no Clube, tendo algumas delas preferido acompanhar o resto das apresentações sentadas. Mas, isso não tirou a energia da banda, que deu tudo de si no palco como se estivesse tocando para uma casa cheia.

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Com um curto set de apenas três músicas, que foi aberta com o cover de "Here I Am" do Shaman, a Final Age fez uma apresentação técnica e digna de "banda gringa".

Só fico com pena em relação a duas coisas na apresentação deles. A primeira, os problemas técnicos terem apagado a participação especial da vocalista Priscila Lira (Angel’s Fire), cujo microfone ficou inaudível, e segundo, por eles terem tocado para quase ninguém em um evento em que eles abririam para uma banda com o som parecido com o deles, podendo ter cativado muito o público do Angra.

E às três da manhã, a Final Age encerra a edição de 2018 do Festival Rock Will Never Die tirando uma selfie com os sobreviventes daquela noite onde tudo pareceu dar errado.

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Agora é hora da parte mais "quente" do texto, as considerações finais.

De ponto positivo temos apenas as apresentações de todas as bandas, e nesse caso, prefiro destacar os shows de "abertura" invés do show do Angra, porque mesmo tendo sido prejudicados com toda a falta de organização do evento e tocado para quase ninguém, eles mantiveram o profissionalismo e deram tudo de si no palco.

Mas fico muito triste por eles, pois esse show seria uma ótima oportunidade para todos expandirem o seu público, até porque era óbvio que a maioria iria embora após o show do Angra, porque infelizmente, essa é a realidade do metal no Brasil.

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Sobre Renan Soares

Nascido em Recife no dia 03 de novembro de 1994, Renan adentrou ao mundo do rock/metal a partir dos 13 anos de idade e até hoje permanece fielmente no mesmo. Desde que se formou em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, tem se dedicado a conseguir dar a relevância merecida ao nome do estilo.
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