Glenn Hughes: "a voz do rock" revisitando Deep Purple em POA
Resenha - Glenn Hughes (Bar Opinião, Porto Alegre, 28/04/2018)
Por Karen Waleria
Postado em 08 de maio de 2018
Fotos: Marcelo Schmidt
Finalmente no último sábado, dia 28 de abril, o baixista e vocalista britânico Glenn Hughes apresentou a turnê "Performs Classic Deep Purple Live" em Porto Alegre. Tour que passou por diversas cidades brasileiras, além da capital gaúcha - Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Limeira, Curitiba, Manaus, Rio de Janeiro e Vila Velha.
Considerado uma das maiores vozes do Rock, aliás, desde o início dos anos 70 recebeu o apelido de "The Voice Of Rock", título que ostenta até os dias de hoje, merecidamente.
Logo ao chegar no Bar Opinião, do lado de fora da casa de espetáculos, vislumbrei uma fila gigantesca, anunciando que a noite seria memorável, e foi. Um público à altura dessa lenda viva do rock, da música mundial. À altura de um show no qual sucessos do DEEP PURPLE seriam revisitados magistralmente por um dos seus frontmen. Como ele disse recentemente em entrevistas. Ele sentiu que chegara o momento certo para isso. Privilegiados os que assistiram esse show histórico.
42 anos depois do último show com o DEEP PURPLE, Hughes, que fez parte da banda entre os anos de 1973 e 1976 , uma das principais bandas pioneiras do heavy metal e hard rock , quando do lançamento de "Burn" (1974), "Stormbringer" (1974) e "Come Taste the Band" (1975), retornou a Porto Alegre.
O tão esperado show aconteceu e lotou as dependências da icônica casa de shows; o show anterior na cidade também aconteceu no Opinião, em 2015.
O frontman subiu ao palco exatamente às 20h15 e foi acompanhado de um trio de músicos, que com certeza não podem ser considerados meros músicos de apoio. Os dinamarqueses Soren Andersen (guitarra) e Jesper Bo ‘Jay Boe’ Hansen (teclados) e o chileno Fernando Escobedo (bateria) mostraram o porquê estão dividindo o mesmo palco com esse mito. Os músicos protagonizaram momentos memoráveis quando de seus solos magníficos.
Foram 2 horas do mais legítimo rock n' roll!
O set iniciou com "Stormbringer", abre aspas, começou após o público parar de ovacionar os músicos.
Quando o quarteto subiu ao palco foram recebidos com uma salva de palmas gigantesca, com gritos, assovios. De arrepiar. Se via no rosto de Hughes sua alegria diante dessa recepção pra lá de entusiástica.
Na sequência vieram "Might Just take Your Live", "Sail Away" e foram sendo apresentados hit após hit. Apesar do setlist apresentado ser idêntico ou quase idêntico ao das cidades que precederam o show em Porto Alegre, cada música apresentada era saudada, comemorada.
Que show!!! E esse estado de êxtase do público durou até o final da performance memorável. Confira abaixo setlist completo.
Do alto dos seus 66 anos de idade, Hughes, que possui uma facilidade ímpar de transitar entre médios e agudos, deixou os presentes boquiabertos. O cantor consegue obter passagem para falsete com uma facilidade ímpar, que poucos privilegiados mortais conseguem. Na minha humilde opinião, esse show foi o melhor que Hughes fez por aqui.
O público formado por pessoas das mais variadas faixas etárias ora cantava as músicas em uníssono com o frontman, ora ficavam observando a desenvoltura desse monstro no palco, ora observando os exímios músicos da banda...uma aula sobre como se faz o velho, bom e único Rock n' roll, heavy metal, sei lá. O que importa esses rótulos, não é mesmo?
A simpatia, a empatia do frontman já notória, estava ainda mais pulsante. Hughes interagiu muito, repito, muito com a plateia. Fez uma belíssima homenagem a Jon Lord, contou como escolheu os exímios músicos que o acompanham, e o quanto ele se sente agradecido por fazer o que ele faz, o que ama fazer.
Agora me pego pensando, assim como muitos devem também fazer.
Qual o segredo desse mito? Como sua voz se mantém incólume ao tempo?
Ele mesmo respondeu durante o bate-papo com os presentes. O músico mesmo explicou que parte vem de um dom divino, recebido de Deus, outra parte vem de seu próprio empenho, dedicação. Ele citou, inclusive, que agradece diariamente esse privilégio que foi concebido a ele.
Agradecimentos mil, e se sentia a verdade no que o músico falava.
Prometeu voltar em breve, e acredito que irá mesmo fazê-lo. Tem músicos que prometem retorno em shows, automaticamente, cumprindo um tipo de script determinado. Bem diferente de Hughes.
Em 2016, ele lançou "Resonate" e teve seu nome inscrito no Rock & Roll Hall of Fame, como membro do Deep Purple. Voltando ao álbum magnífico, seu mais recente trabalho, com certeza, merecia ser tocado integralmente num show.
"Mr. Hughes, please..."
Retorne em breve para um show solo! Volte sempre!
Longa vida a Glenn Hughes!
Setlist:
Stormbringer
Might Just take Your Live
Sail Away
Mistreated
You Fool no One
This Time Around
Gettin’ Tighter
Smoke on the Water/ Georgia on My Mind
You Keep on Moving
Highway Star
Burn
Agradecimentos à Abstratti Produtora
Fotos: Marcelo Schmidt
https://www.facebook.com/marceloschmidt84
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