Guns N' Roses: Saiba como foi o show em Porto Alegre

Resenha - Guns N' Roses (Beira Rio, Porto Alegre, 08/11/2016)

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Por Rudson Xaulin
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Para os fãs do GUNS N’ ROSES, cada passagem da banda por Porto Alegre é uma grande celebração. Hoje, isso ficou mais uma vez bem claro entre os gaúchos. A confirmação da perna da turnê em território bagual, deixou muitos fãs esperando por mais uma noite histórica, que parecia demorar a chegar, mas que no fim, chegou rápido demais. O entorno do Estádio Beira Rio já dava as caras do que estava por vir: Com uma junção de pessoas fanáticas, os vendedores ambulantes, camisetas, bandanas e bandeiras da banda por todos os lados. O lado legal disso tudo, é cultivar o gosto por uma banda que veio de baixo, que não tinha nada a perder, mas eles tinham um rumo a seguir, e na data de hoje, jornais, rádios e programas de TV, se rendiam a passagem da banda por aqui. E eles vieram em sua formação quase original, tocando em um estádio, para dezenas de milhares de admiradores que não cansam de entoar, assim, com uma palavra seguida da outra, em uníssono “Guns... And... Roses... Guns... And Roses... Guns...”

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As filas já eram enormes desde o inicio da manhã, e não esquecendo os guerreiros, que estavam lá há dias, dormindo em barracas e cadeiras, tudo pensando no melhor lugar para ver seus maiores ídolos. A internet e páginas em redes sociais dedicadas ao evento, estavam em êxtase com cada nova postagem de alguém que sempre sabia mais alguma coisa... Por volta das três da tarde, foi possível ouvir a banda passando o som, e ouvimos algumas palavras de AXL ROSE, suficiente para animar os ouvidos mais aguçados, enquanto muitos outros não perceberam que era o vocalista que falava ao microfone, talvez esperando sempre por aquela voz esgaçada do líder do GNR.

Os portões abriram no horário, as atrações antes do prato principal, também estavam no devido horário marcado, um pequeno atraso para a banda da noite, mas leve, apenas vinte minutos, o que sendo GNR, não é nada. A primeira a subir ao palco e animar o público, foi a DJ KARINE, que fez um balanço de grandes ícones do rock n’ roll mundial, com frames de batidas eletrônicas e grandes grooves psicodélicos, o que não agradou a todos os presentes. Ela sempre acertava o tom, quando pontuava com mais um riff clássico, ou com uma introdução emblemática de alguma grande banda, como BLACK SABBATH, QUEEN ou AC/DC. Mesmo você não gostando do trabalho dela, é muito feio, para não dizer outra coisa, ver algum babaca erguendo o dedo do meio para uma mulher, que está fazendo o trabalho dela, foi contratada para isso, e ficou claro que ela estava feliz em fazer aquilo. Se você não gosta do som, do que ela faz, assim como eu, procure a produtora, mas não erga o dedo do meio a uma menina, que talvez estivesse realizando um grande sonho. Mas, se você acha que isso te faz melhor, você precisa rever seus falidos conceitos.

Depois da DJ, a banda que subiu ao palco foi a SCALENE, que foi bem recebida de um modo geral, sendo que eu esperava vaias e coisas jogadas no palco. Mas os rapazes mandaram o som deles, agradeceram muito por estarem ali, e passaram sua mensagem. Alguns poucos gritando ofensas, mas vimos um público aplaudir e receber de bom grado mais uma banda de rock que tenta seguir em frente. Já estamos à mercê do fim, então o que vier, se for rock, respeitar é a palavra essencial. Amanhã pode ser você e sua banda lá em cima, no meio de um fogo cruzado, que por sorte, não feriu ninguém essa noite.

Depois deste pequeno e relevante show, ficamos a espera do GUNS N’ ROSES, e qualquer coisa que acontecia no palco, já era motivo para um frenesi geral. Sendo que a primeira evidencia que vimos do GNR de fato, foi o logo da banda, que ficava girando em seu próprio eixo, com as palavras da turnê “Not In This Lifetime” piscando em vermelho. E um adendo aos efeitos de luzes e dos telões, que deram um show a parte, com muito neon, imagens em 3D, fogos, labaredas e explosões. Com a passagem dos já ditos vinte minutos de atraso, eis que o notório “robozinho” da capa de APPETITE FOR DESTRUCTION surge no telão, fazendo aqueles gestos e sons mecanizados, era de fato dada à hora tão esperada. Tudo se apagou, e ouvimos apenas o som de uma canção, que lembrava muito vinhetas ou desenhos antigos dos anos 80’ e 90’.

Ao fundo, FRANK FERRER, MELISSA, FORTUS e DIZZY REED surgiram, e isso bastou para uma gritaria desenfreada, mas foi quando DUFF, SLASH e AXL ROSE apareceram em cena, que o estádio inteiro veio abaixo. Sendo que nenhuma música havia sido tocada, até que DUFF McKAGAN quebra o “silêncio” do set, e lá veio a galope IT’S SO EASY. E de cara tudo estava ali: AXL ROSE com suas dancinhas, SLASH indo de um canto ao outro com sua cartola e DUFF fazendo jus a IT’S SO EASY no seu baixo, o que de cara, já é mitológico. Se você ficasse parado por alguns segundos, podia sentir o chão tremer e as batidas da bateria, estouravam no seu peito. Falando em batidas, que tal irmos de MR. BROWNSTONE, e fazer o Beira Rio ser um The Roxy gigante, porque não?

Depois SLASH deu de cara o riff de WELCOME TO THE JUNGLE, e ficou ali, “brincando”, esperando por AXL e seus gritos de “Do You Know Where The Fuck You Are?”, mas o vocalista demorou um pouco a aparecer, e como eu estava grudado no palco, ver SLASH olhar para os lados, e nada de ROSE, assusta. Mas não foi nada demais, passado os quatorze segundos de pavor, AXL surge e lá vem os gritos, seguidos de um vocal agressivo, para um dos maiores clássicos do GUNS N’ ROSES. Porto Alegre havia se tornado nossa selva, e nada mais poderia nos tirar de lá. Seguindo no set, mas já calçando com lances de destaques, eu achei interessante CHINESE DEMOCRACY ser executada por DUFF e SLASH, mas confesso que as versões que já me habituei a ouvir, deixaram as novas “versões live” estranhas. Não sei dizer se melhores ou piores, mas é uma questão de ouvido. Mas a mágica em ver esses caras de outrora, tocando as músicas que demoram tanto a ser finalizadas, foi grandioso.

Digo o mesmo para THIS I LOVE e também BETTER. Sendo que THIS I LOVE da muito mais alusão a AXL, mas BETTER deixa espaço para os backing de DUFF e MELISSA, e isso foi interessante de ver. Outra coisa bacana, foi ver que DUFF se importa com aqueles que estão lá, para ver o show. Um rapaz conseguiu chamar a atenção do músico, pois usava uma camiseta da cerveja DUFF de “Os Simpsons”, mas com o “McKagan” logo abaixo daquele conhecido logo. DUFF viu, sorriu e jogou uma palheta para o rapaz, que se perdeu no meio da multidão. O rapaz não desistiu, fez mais um fuzuê e chamou a atenção de DUFF novamente, conseguiu ainda deixar claro que não havia pegado a palheta. DUFF jogou mais uma, que caiu no setor destinado aos bombeiros e seguranças. Aí, mais uma cena não muito agradável, o bombeiro (e devo dizer que era um moleque) percebeu que a palheta havia caído perto dele, e ele tinha reparado que era destinada ao rapaz, mas ele se abaixou, olhou para o rapaz e colocou no bolso com um cretino sorriso no rosto. DUFF percebeu, chamou os seguranças, apontou para o rapaz e fez o bombeiro devolver. Ele ficou envergonhado, mas ele já tinha feito isso com outras coisas que os músicos jogavam, ou com coisas que os fãs atiravam, o bastardo queria tudo pra ele, sendo que estava ali apenas para trabalhar, pois bem, lamentável, mas aconteceu.

Devo dizer que AXL ROSE mostrou folego em muitas músicas do GNR, em outras ele usou apenas aquela voz de peito, sem fazer uso do consagrado e difícil “drive”, mas eu acredito que as pessoas gostaram do que ouviram. Não posso dizer por quem estava mais ao fundo ou longe, mas perto do palco, era nítido que vocalista e banda, entregavam o que de melhor era permitido aos seus súditos. Ele usou um drive legal em ROCKET QUEEN, por exemplo, e SLASH roubou a cena nessa faixa, como sempre fez. AXL mesclou muito o vocal em CIVIL WAR (que ficou linda ao vivo) e fez uso da voz de peito na maior parte do tempo em YOU COULD BE MINE, aí, chegou àquela parte no final da música, onde começa um frenesi vocal dificílimo, e você espera a voz de peito, mas não, lá vem o drive e os tempos áureos das velhas “VHS Live” parecem que estão bem ali, na sua frente. AXL também se esforçou para alcançar alguns gritos em DOUBLE TALKIN JIVE, mas ele o fez.

Poder ouvir DUFF mandar ver em ATTITUDE, foi épico. Quem se arremete a Tokyo Dome, sabe muito bem o que essa faixa cover trás para os fãs, perceber que DUFF está de fato ali, é inesquecível. Uma pena não ter rolado SO FINE, seria mais do que especial. É como poder ver IZZY um dia e não ouvir 14 YEARS, mas nem tudo é perfeito.

Felizardos da noite, foram os fãs, claro. O que dizer de poder ouvir ESTRANGED e COMA ao vivo? Em cima do palco, AXL ROSE se mostrava sempre sorridente, e muito, mas muito brincalhão. Ele pegava as camisetas que lhe eram jogadas, as abria para ver as estampas, e sorria. Também fez uso de uma bandeira do Brasil, que mesclava o logo da banda com a da pátria, e usou-a no palco. Depois devolveu e agradeceu ao belo empréstimo, e ficamos com um registro muito bonito de agradecimento ao país que sempre recebe muito bem a banda. Em um determinado momento, AXL percebeu que jogaram um copo no palco, estava vazio, então ele chutou de volta ao público, e esse copo está com quem vos escreve essa resenha. Outra figura símbolo do GNR que deu as caras foi BETA LEBEIS, que passou em frente ao palco, falou com os fãs, tirou fotos, e como sempre, foi muito atenciosa. BETA se tornou um símbolo para muitos admiradores da banda. Para alguns é ela quem fez AXL seguir em frente, para outros, ela quem fez a coisa toda de reunião acontecer, mas muitos a agradecem, por AXL não ter desistido dos palcos.

No meio do turbilhão de clássicos, tivemos LIVE AND LET DIE, que fez todo mundo sair do chão. Essa canção se agarra em um cover bem feito do GNR, e sempre que ela é executada ao vivo, esperamos por gritos ensurdecedores de AXL, o que aconteceu mais uma vez. Bem como ele se preocupar em parar no meio do palco ao final da música, com o microfone e pedestal na altura do peito, olhando para o nada, ate que a banda termine seu trabalho. Cena icônica, clássica e insubstituível... Quer mais um clássico gunner? O que foi ouvir o barulho da passagem daquela locomotiva sem freios por Porto Alegre? Claro, estou falando de NIGHTRAIN, e possivelmente, destaque para a melhor performance vocal da noite.

E aquela deixa do SLASH antes do seu solo, onde se ouviu um trechinho de YOU’RE CRAZY, uma pena que não rolou ao vivo, mas aqueles dois ou três segundos, foram suficientes para percebemos que ela quase, quase veio ao set. Mas falando em SLASH e em clássico, vamos falar da cena que o homem da cartola toma o show, à noite e o público para si? Sim, THE GODFATHER THEME, que se tornou marca dos solos do guitarrista e que todos sabem, ela trás SWEET CHILD O’MINE na cartola, e ali meu amigo, nenhum grão de poeira estava mais parado. Um hino absoluto, um riff eterno e uma canção tema de muitas pessoas no globo. Se até esse momento a banda não tinha conseguido fazer todas as dezenas de milhares de pessoas cantarem juntas, em SCOM foi o momento do ápice.

Também não tivemos PATIENCE, mas tivemos DON’T CRY, e essa era muito esperada. Também ficamos com momentos lindos com imagens no telão e aquela pirotécnica que dava mais ar ainda de show memorável. Um efeito já tradicional foi a “cascata de fogo” em NOVEMBER RAIN, tudo bem, SLASH não subiu no piano, mas olhar para o palco e ver AXL, DUFF e SLASH, no mesmo plano onde meus olhos alcançavam, foi satisfatório, incrível e inesquecível. Assim como fazer aquela de “agora vocês”, quando AXL deixa o público cantar com ele em KNOCKING ON HEAVEN’S DOOR, que veio a caráter inicial de “Live Era”, fugindo um pouco da versão mais lenta, que AXL vinha trazendo em seus shows.

Para terminar, que tal fazer da capital gaúcha uma cidade paraíso, porque era assim que muitos estavam se sentindo. Lá veio PARADISE CITY, aquele cavalo de frente da banda, e claro, a canção que carrega a dura realidade de que, estamos chegando mesmo ao fim. Correria no palco, muita gente pulando e gritando, fogos de artifício, explosões e todo aquele papel picado ganhando as alturas em verde e amarelo, dando o tom final, de uma noite histórica, que trouxe uma banda consagrada e possivelmente, a última grande banda do rock n’ roll, que tomou o mundo de assalto, quando surgiu.

Fica aqui aquele sentimento de que, pode ser que eles voltem, talvez ADLER ou IZZY pintem em alguns shows, mas essa formação deve ser a que vai rodar o mundo, gravar algum material e certamente ficar nessa vibe de nostalgia por um bom tempo. Tem quem gosta, e quem ainda quer mais, ou aquele que não se vê satisfeito nunca, mas o que ninguém pode negar é que foi um grande show, e nada mais justo que dizer, muito obrigado GUNS N’ ROSES!

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