Yngwie Malmsteen: Amado ou odiado, mas nunca ignorado
Resenha - Yngwie Malmsteen (Carioca Club, São Paulo, 27/08/2016)
Por Fernando Yokota
Postado em 29 de agosto de 2016
É como uma ida à churrascaria: certamente não é por causa da salada. O show de YNGWIE MALMSTEEN no Carioca Club passou longe de ser um smorgasbord de estilos musicais, mas o enxuto menu proposto pelo sueco parecia ser exatamente o anseio da clientela.
O pré-show
Com a abertura do Carioca Club prevista para as 17h e o início da apresentação para as 19h, às 18h30 seria de se estranhar a enorme fila que chegava até o Largo da Batata e virava a esquina. Pulando de dentro de um veículo diretamente para a porta de serviço, uma figura cabeluda passa como um vulto, sem dar muita chance para um ou outro fã que por um momento pensou ter visto algo. A deixa estava dada: o maestro estava atrasado.
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Na fila, o grande atraso permitiu que o músico de rua que entretia os fãs perdesse, em sua maior parte, a destreza com a guitarra em proporção inversa à cerveja que ia consumindo. Um bravo guitarrista anônimo misturava Mark Knopfler com Eddie Van Halen com a ousadia de quem mistura fermentado com destilado ou manga com leite com resultados não muito animadores.
Pouco depois das 19h (horário inicialmente previsto para o início do show), a fila começa a andar, mas algo estava estranho: os pagantes eram direcionados à área externa do Carioca Club ao invés da pista, ao que parece, por solicitação da equipe do artista. Apenas depois que 30 ou 40 deles entraram a pista do local fora liberada, para a correria generalizada dos adeptos que entraram primeiro e sem incidentes aparentes.
World On Fire?
A apresentação, inicialmente prevista para maio, foi a única no país com banda completa (duas clínicas também integram o giro brasileiro do sueco, uma em Fortaleza e outra em Florianópolis). Talvez por falta de tempo para ensaiar os novos números, a esperada inclusão de faixas do trabalho recém-lançado, no entanto, não ocorreu. A discografia recente do guitarrista permite, no entanto, imaginar que para a maioria dos fãs isso venha acompanhado de um certo alívio: World On Fire, além da produção de qualidade questionável (a mixagem é confusa, para dizer o mínimo), marca uma descendente quanto à discografia do revolucionário sueco, longe de seu apogeu autoral da primeira metade da década de 80.
O show
A banda, a mesma que se apresentou na última edição do Monsters of Rock, fica limitada a um terço do palco. O restante da área, delimitada por infinitos cabeçotes e caixas acústicas Marshall dos mais variados modelos e tamanhos, é a jaula imaginária do sueco. Ainda que houvessem momentos de interação do público como na seminal Far Beyond The Sun, a noite é menos de show e mais de concerto; menos participação e mais contemplação. Como numa visita a um zoológico de um animal só, todos pagaram para ver o animal furioso produzindo nota após nota de sua icônica Fender Stratocaster, num transe neoclássico raivoso.
Malmsteen é furioso, mas ao mesmo tempo os arpeggios, solos (carregados no característico menor harmônico), sua mão direita cirurgicamente precisa e seu monstruoso vibrato (que, a despeito de toda pirotecnia neoclássica, talvez seja seu mais característico cartão de visitas) têm tom quase professoral. Se o baixista Ralph Ciavolino tenta, sem muito sucesso, arrancar alguma reação da plateia (chegando até a perguntar se o público gostou das Olimpíadas), a falta de resposta é melhor explicada por um público que faz força para prestar atenção nos detalhes. Em certo ponto, Ciavolino pergunta se temos guitarristas na plateia, apenas para que uma porção de mãos aparecessem erguidas. À acusação de que o show do sueco é enfadonho, talvez seja pertinente relacionar esse aborrecimento ao mesmo de uma sala de aula.
O repertório se resumiu a um apanhado da carreira do artista, incluindo números antigos como Kree Nakoorie do Alcatrazz, recentes como Spellbound e Into Valhalla e consagrados como Black Star e Seventh Sign (apesar dos pedidos, o clássico I Am A Viking ficou de fora). A disposição estranha do palco, o acúmulo de funções do tecladista-vocalista Nick Marino e as canções executadas de forma rápida (quase atropelada, como na saideira I'll See The Light Tonight), um repertório que não promove o álbum novo e intervalos às vezes grandes e que tinham que ser preenchidos com intervenções quase que de mestre de cerimônias de Ciavolino, tudo isso dava um certo ar de improviso. Se Malmsteen, o instrumentista, ainda é capaz de produzir performances fantásticas, a banda como todo já teve dias melhores. A isso, adicione o som para a plateia que, se já era de difícil discernimento, ficou ensurdecedor quando Malmsteen pediu para que o som de seus pedais Taurus fosse aumentado.
Por outro lado, um testemunho da devoção das primeiras fileiras da plateia, chegando a surpreender o próprio maestro, foi a reação à radiofônica Heaven Tonight, fruto dos anos de colaboração com JOE LYNN TURNER, que abertamente afirma que escrevia canções para tentar a explosão de Malmsteen nas rádios americanas, causando uma certa docilização do estilo furioso que o tornara famoso. No entanto, na uma hora e meia de apresentação fica evidente que seus seguidores ainda preferem o material mais ligado às raízes eruditas do músico, sendo as composições que arrancam as reações mais efusivas.
Os atrasos, os exageros, as broncas na produção, a postura de chefe no palco e a subserviência de seus músicos-empregados, tudo isso alimenta a cisão que o nome YNGWIE MALMSTEEN cria toda vez que é citado. Amando ou odiando, o mais relevante é que não é possível não ter opinião com relação ao maestro, seja comportamental ou musicalmente falando. A cada atraso, a cada disco abaixo da média que lança, a cada formação remendada de sua banda, Malmsteen queima um pouco da "gordura moral" (sem qualquer intenção de trocadilho) que tem com os fãs. Por ora, seu inegável talento mostra ser o magneto de atração de seus fãs, mas vendo em perspectiva, o artista que outrora enchia casas muito maiores (chegando a gravar um disco ao vivo no país) hoje sofre para encher (mas não lotar) um espaço como o Carioca Club. Até quando?
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(Com o agradecimento à Dark Dimensions e a The Ultimate Music pelo credenciamento).
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