Masterplan: Mantendo o espírito vivo!

Resenha - Masterplan (Clash Club, São Paulo, 16/10/2015)

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Por Léo Martins
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Na Bíblia, existe uma passagem muito interessante que diz o seguinte: “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, lá estarei”. Essa frase, apesar de expor que não é necessário multidões para que Deus esteja entre as pessoas, também pode servir de metáfora para as pouco mais de 200 pessoas que estiveram presentes, na noite de sexta-feira, 16 de outubro, na Clash Club, em São Paulo. Os que tiveram a oportunidade de ir presenciaram ao vivo uma verdadeira declaração de amor que o MASTERPLAN fez ao estilo musical que eles representam, assim como para os fãs, que ainda mantém viva a chama do prazer de ver sua banda favorita ao vivo. E podem acreditar: quem esteve lá, sem nenhum exagero, viu como um show de verdade, quando é feito com um bom repertório, entrega e com o coração, quebra qualquer tipo de desconfiança!

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O Masterplan não pisava em solo brasileiro há muito, muito tempo. Desde 2003, quando deu o ar da graça em Sampa pela primeira vez abrindo para o Gamma Ray no saudoso Via Funchal, o grupo alemão, que na época só tinha lançado apenas um álbum, o Masterplan, do mesmo ano, passou por diversas mudanças. De lá pra cá, mais quatro álbuns de estúdio foram lançados e sua formação, que na época contava com Jorn Lande (vocal) e Uli Kusch (bateria), sofreu mudanças significativas - os únicos membros originais são o guitarrista e fundador Roland Grapow e o tecladista Axel Mackenrott. Hoje, o grupo está repaginado, com Rick Altzi nos vocais, Jari Kainulainen (ex-Stratovarius) no baixo e Martin “Marthus” Skaroupaka (que ainda toca no Cradle Of Filth) na bateria e lançou recentemente o CD/DVD Keep Your Dream aLive, trabalho ao vivo baseado na turnê do último disco Novum Initium, lançado em 2013.

Esses ingredientes por si só já justificariam que os fãs da banda fossem vê-los. Porém, um fator “indigesto” causou grande desconfiança nos presentes: o baixo número de pessoas.

A abertura do show ficou por conta da banda nacional Hevillan - não tive oportunidade de assistir. A esperança era que o público aumentasse na medida em que a apresentação do Masterplan, marcado para as 21h, estivesse próximo de seu início. Porém, com um movimento muito abaixo, as luzes da casa se apagaram e o espetáculo teve início com a introdução “Per Aspera Ad Astra”, do mais recente trabalho “Novum Initium”. Um a um, os integrantes foram entrando e de cara, uma mudança: o baterista Marthus Skaroupaka, por causa de conflitos com a agenda do Cradle Of Filth, não pôde comparecer na turnê sul americana. Para seu lugar, foi convocado o baterista Kevin Kott, que toca no At Vance, no qual o atual vocalista Rick Altzi também faz parte.

Com todos no palco, o espetáculo teve início com o hit “Enlighten Me”, primeiro single da banda retirado do álbum Masterplan. A plateia, ainda meio que timidamente, começou a entrar na onda dos alemães e, mesmo com alguns problemas na canção inicial - Altzi esqueceu a letra e entrou com o refrão na hora errada; e o teclado de Mackenrott parou de funcionar - os integrantes simplesmente deram risada da situação e continuaram mandando ver. Daí por diante a apresentação ganhou outra tonalidade. A música seguinte “Spirit Never Die” e seu grande refrão - um “tapa na cara” por parte daqueles que pensam em desistir de algo - serviram para confirmar essa grande virada, o momento onde grupo e público se tornaram apenas um.

E é aqui devo destacar o primeiro responsável por essa união: o repertório. O Masterplan deu uma aula de como se montar um. Para se ter uma ideia, dos trabalhos mais recentes, foram tocadas apenas três faixas: “Lost And Gone”, do MK II (2007), “Time To Be King”, do homônimo de 2010 e “Keep Your Dream Alive”, do último disco. O restante do setlist foi inteiramente composto por canções dos dois primeiros CDs, o já citado Masterplan e o poderosíssimo Aeronautics (2005), que são considerados os grandes clássicos do grupo. “Já fazia muito tempo que eles não vinham pra cá e ouvir uma banda que foi parte de um período muito importante para mim tocando essas músicas, foi um presente sem preço”, comemorou Ricardo Dias.
Ainda sobre o repertório, duas canções foram incluídas especialmente para a turnê na América Latina: “Wounds” e “I’m Not Afraid”, que pertencem ao Aeronautics e não eram tocadas ao vivo desde 2008. Isso causou um grande furor entre o público, em especial a primeira, quem em minha opinião, não é só a melhor música do Masterplan, mas uma das faixas que escolheria para compor a trilha sonora da minha vida. Para completar as surpresas, os fãs de Helloween não foram esquecidos. “The Chance”, composição de Grapow da época das abóboras, também foi tocada e agitou a galera mais old school.

O segundo ponto que chamou muita atenção foi a reação dos presentes e seu comportamento durante todo o espetáculo. Sim, de fato o número de pessoas era baixo, fato esse que causou um grande ponto de interrogação em minha cabeça sobre como seria a apresentação do grupo. Porém, fico feliz em dizer que, sem nenhum tipo de demagogia, a impressão que tive foi que a banda estava tocando para uma plateia 15 vezes maior! E isso se justificou pelo simples fato de que todos que estavam ali, sem exceção, cantaram todas as músicas, com toda força possível e como se aquele fosse o último show de suas vidas! E na boa? Isso foi maravilhoso! “Tenho certeza de que eles sentiram toda essa energia. Eles estavam muito empolgados e essa conexão com os fãs foi facilitada pelos excelentes refrãos que eles têm. Como não cantar ‘Heroes’ a plenos pulmões? Eles são mestres nisso!”, afirma Erik Moraes, da banda Monte. A interação estava tão alta que em vários momentos, Grapow e Altzi bebiam sua cerveja e ofereciam um brinde aos presentes.

Por fim, a performance do Masterplan também mereceu destaque. Auxiliada pela boa estrutura de som da Clash Club, as canções foram executadas com uma precisão muito grande e muita qualidade. O grupo soa muito bem com seu novo vocalista, que apesar de ter um timbre de voz puxado para o rasgado, conseguiu dar sua cara as linhas vocais criadas por Jorn Lande. O baterista convidado Kevin Kott também sentou o braço, fazendo caras e bocas para o público sempre que podia, assim como o tecladista Axel Mackenrott, que também sorria a todo instante. Já o baixista Jari Kainulainen foi muito bem, segurando todas as bases com segurança para que Grapow solasse sem medo. E foi justamente o guitarrista que realmente roubou a cena. Seja fazendo backing vocals ou os dividindo os com Altzi em “Heroes” - esse refrão é um absurdo de sensacional! - ou fazendo seus solos cheios de melodia e técnica, Grapow estava amplamente feliz por estar tocando para um público tão carinhoso naquela noite.

Ao final, o Masterplan agradeceu aos esforços, entusiasmo e paixão dos que lá estavam. Por sua vez, os fãs os aplaudiram como se aquele fosse o melhor momento de suas vidas. “Já vi muitos shows do estilo, mas esse com certeza teve um significado especial. A banda marcou uma nova geração que surgiu nos anos 2000 e vê-los ao vivo é uma celebração a essa época. Com certeza um dos melhores shows da minha vida”, acrescenta Everton Oliveira, fã do Masterplan desde os primórdios.

E foi dessa forma que a noite do dia 16 de outubro de 2015 teve fim. Público e banda tiveram a chance de presenciar um verdadeiro milagre bíblico, onde poucos se tornaram muitos e muitos se tornaram um. Junto com seus verdadeiros fãs, o Masterplan conseguiu driblar toda e qualquer adversidade em prol de um só objetivo: não deixar o espírito de fazer o que se gosta (e para quem gosta) morrer jamais. E foi dessa forma que os presentes, assim como os próprios alemães, entenderam de vez o real sentido de uma das principais músicas do grupo: “E o espírito nunca morre - deixe a música te levar mais alto (...) // Nunca desistirei, nunca me entregarei // Não irei parar de acreditar, porque irei vencer // Canto com minha alma antes que eu envelheça // Pois talvez não haja amanhã // Não há limites para o que pode ser feito // Subindo cada montanha com poder tão forte // Estradas empoeiradas no caminho - pelo caminho // Deixando o futuro atrás de mim”.

Vida longa ao Masterplan, sua filosofia e seu espírito guerreiro! The Spirit Never Die!

Banda (para este show):

Rick Altzi - Vocal
Roland Grapow - Guitarra
Jari Kainulainen - Baixo
Axel Mackenrott - Teclado
Kevin Kott - Bateria

Setlist:

01- Per Aspera Ad Astra
02- Enlighten Me
03- Spirit Never Die
04- Wounds
05- Lost and Gone
06- Crimson Rider
07- I'm Not Afraid
08- Back for My Life
09- Time to Be King
10- Keep Your Dream Alive
11- Crystal Night
12- Soulburn
13- The Chance (Helloween cover)
14- Heroes

Bis:

15- Kind Hearted Light
16- Crawling From Hell

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