Dream Theater: Confraria progressiva em São Paulo

Resenha - Dream Theater (Espaço das Américas, São Paulo, 04/10/2014)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

E lá se foram quase dois anos desde que os reis do metal progressivo mundial visitaram o Brasil. Já naqueles dias Mike Mangini ocupava o posto de baterista e a banda promovia sua estreia com ele, isto é, o álbum "A Dramatic Turn of Events" (2011). O rapaz, como todos sabem, fora escolhido após um processo de seleção registrado em vídeo e lançado via YouTube, o qual incluiu nomes como Derek Roddy, Marco Minnemann, Thomas Lang, Virgil Donati, Peter Wildoer e o brasileiro Aquiles Priester. Findada aquela excursão, não perderam tempo, correram para o estúdio e, em setembro do ano passado, soltaram o seu 12º disco de ineditas, que levou o nome de Dream Theater. Para conferir as canções dele ao vivo e outros sucessos, o Whiplash.Net foi ao Espaço das Américas neste sábado. O resumo dos fatos você acompanha a seguir.

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Divido em dois atos e um encore, pontualmente às 21h 'False Awakening Suite' iniciava a confraria progressiva na capital paulista em um noite fria, mas aquecida por um grupo enorme de fãs, ávidos pelo quinteto mais, literalmente, complexo do cenário musical pesado mainstream. 'The Enemy Inside', outra das novas, bastante conhecida a apreciada pela massa, veio em seguida trazendo a presença do vocalista James LaBrie, o qual só aumentou a empolgação da plateia que cantou tudo! Ficou bonito. 'The Shattered Fortress' foi uma boa pedida, pois manteve a energia intacta. Seu início pavorosamente complexo nos guia a um momento de tranquilidade. A voz de LaBrie estava soando muito bem e sem grandes exageros.

'On the Backs of Angels' puxou um belo coro. Interessante, pois não se nota quem sinta realmente falta do ex-baterista Mike Portnoy, pelo menos ao vivo. Mike Mangini detona! O cara deve ser o melhor em seu instrumento na atualidade, se falarmos em técnica e precisão. Faz até parecer fácil. O baixista John Mayung não fica atrás. O homem só melhora com o tempo. 'The Looking Glass', acertadamente chamada pelo nosso fotógrafo Fernando Yokota de a 'Spirit of Radio' deles, fez uma cola perfeita com sua antecessora. Parecia a mesma música. Nada a reclamar até aqui. Projeções belíssimas a todo o tempo mescladas às dos músicos entretiam o público mesmo do fundão. As guitarras de John Petrucci estavam impecáveis. Sua escolha de timbres casou-se sobrenaturalmente aos do tecladista e maestro Jordan Rudess.

Eu ainda aguardava uma mais 'véia', que veio na forma de 'Trial of Tears', retirada de um dos álbuns que mais escutei do Dream Theater, "Falling into Infinity" (1997). Apesar dele ter tido uma reposta menos favorável que "Awake", lançado três anos antes, abriu portas para os novaiorquinos, incluindo ali até mesmo uma canção feita ao lado do hit-maker Desmond Child (a bela 'You Not Me'), responsável por sucessos mundiais ao lado de Bon Jovi, Kiss, Madonna, etc. Talvez a falta mais sentida tenha sido do alcance tradicional dos vocais de LaBrie, o qual na época teve uma ruptura de cordas vocais. Aquele foi o primeiro e último de estúdio a contar com o tecladista Derek Sherinian, que substituiu o original Kevin Moore. 'Enigma Machine' teve um trecho deixado ao solo de Mike Mangini), mas a finalizaram até sua última nota. A comercial 'Along for the Ride', talvez a única realmente radiofônica em "Dream Theater" o disco, é uma das que mais curti nele. Balada deliciosa com uma belíssima atuação de LaBrie. Ouça-a abaixo.

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'Breaking All Illusions' encerrou o 'Act 1' e 15 minutos de intervalo começaram a ser contados de trás para frente no telão do palco. Foi o tempo de pegar uma bebida, comer algo, procurar os amigos espalhados pela casa e conferir a sequência de clássicos dali a frente. 'The Mirror' fez as honras de abrir alas ao passado, mais precisamente homenagear o já citado "Awake", que naquela mesmíssima data, duas décadas antes, era lançado. Lembro-me como hoje quando isto ocorreu, pois nem bem me recuperara do impacto gerado pelo "Images and Words" (1992), chegava em minhas mãos esta verdadeira jóia musical da música pesada progressiva. Tanto um quanto outro me renderam o prejuízo de comprá-los em dobro pois estraguei os primeiros CDs de tanto tocá-los. O 'mago das lentes' Yokota passou pelo mesmo, como bem me relatou durante o espetáculo. Olha, nem imagino quão difícil seja montar um set-lista nesta banda. São tantos sucessos, mas alguns deles com duração acima dos 10 minutos. Encaixar uma boa sequência sem levar um dia para terminar é uma jogada de mestre.

A cola perfeita com "Lie" foi realizada como no álbum. "Muitos de vocês nem haviam nascido quando lançamos 'Awake'", brincou LaBrie. "Continuaremos a tocar coisas dele, se não se importarem", continuou. 'Lifting Shadows Off a Dream', a escolhida, arrancou lágrimas e coros bem caprichados ao meu redor. E assim foi: vieram 'Scarred', poucas vezes tocada [se] por aqui, a sorumbática 'Space-Dye Vest', 100% Kevin Moore [Nota do redator: Não entendo porquê tocam tantas dele. Até parece que o rapaz passou desta para uma melhor]. Quando chutei que viria uma '6:00' ou 'Innocence Faded', retornaram à fase atual com a longa 'Illumination Theory'.

O 'encore', como era de se esperar, contemplou o grandioso "Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory" (1999), provavelmente o mais aclamado em sua discografia. Começando por 'Overture 1928', que teve sua parte instrumental cantarolada pelos fãs, seguindo com a ótima 'Strange Déjà Vu', cantada em uníssono, mas não tão ovacionada como 'The Dance of Eternity', uma das instrumentais mais notadas do DT. Na real, um dos itens progressivos mais bem forjados nos últimos 20 anos. 'Finally Free' pôs fim ao encontro e o ar nostálgico imperou. Enquanto as pessoas se despediam de seus ídolos, um 'outro' trazia novamente 'Illumination Theory' aos PAs.

Texto: Durr Campos
Fotos: Fernando Yokota. Set completo em
https://www.flickr.com/photos/fernandoyokota/sets/7215764835...

Agradecimentos à Denise Catto, Midiorama e Espaço das Américas pela atenção e credenciamento.

Set-List
Act 1
False Awakening Suite
The Enemy Inside
The Shattered Fortress
On the Backs of Angels
The Looking Glass
Trial of Tears
Enigma Machine (c/ solo de bateria de Mike Mangini)
Along for the Ride
Breaking All Illusions
Act 2
The Mirror
Lie
Lifting Shadows Off a Dream
Scarred
Space-Dye Vest
Illumination Theory
Encore:
Overture 1928
Strange Déjà Vu
The Dance of Eternity
Finally Free
Illumination Theory (Outro)

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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