Whitesnake e Aerosmith: diversão e entretenimento em Curitiba

Resenha - Whitesnake e Aerosmith (BioParque - Curitiba, 15/10/2013)

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Por Haggen Kennedy
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


























Duas bandas clássicas da década de 70 juntam forças e pisam em terras curitibanas pela primeira vez para levar ao público uma noite de pura diversão e entretenimento.

Já eram 20:40 quando o playback de "My Generation" (The Who), música de abertura do WHITESNAKE, começou a rolar, demonstrando um certo atraso na programação. Poucos minutos depois, "Give Me All Your Love" era a primeira de um set que totalizaria 13 músicas do conjunto aquela noite.

O sexteto inglês, fronteado pelo ex-DEEP PURPLE David Coverdale, desfilou vários clássicos dos anos 80, como "Love Ain't No Stranger", "Is This Love", e até "Fool For Your Loving" – que havia ficado de fora em shows anteriores dessa turnê –, além das famosas "Here I Go Again" e "Still of the Night". O conjunto conseguiu espremer ainda duas músicas do último disco de estúdio, Forevermore (2011), a saber: "Love Will Set You Free" e "Steal Your Heart Away". Entre as duas ficou "Pistols at Dawn", com o duelo de guitarras de Reb Beach e Doug Aldrich – o primeiro desfiando uma série de palhetadas alternadas, e o segundo pontilhando sua melodia com uma sequência de tappings –, que pareceu não encontrar grande recepção por parte da plateia, composta de um público direcionado a um som menos técnico. "Steal Your Heart Away" teve direito ainda a um solo de bateria do famosíssimo Tommy Aldridge (seu nome está lá entre os grandes da música, como PAT TRAVERS BAND, GARY MOORE, OZZY OSBOURNE, MOTÖRHEAD, THIN LIZZY, TED NUGENT e VINNIE MOORE). Comedido em seu momento percussivo, Aldridge terminou o solo usando as próprias mãos (sim, as próprias mãos). Comedido, mas sempre impagável.

As duas últimas músicas do WHITESNAKE foram covers do DEEP PURPLE, em honra ao passado de Coverdale. Primeiro "Soldier of Fortune" e depois "Burn", com destaque para o solo belíssimo de Doug Aldrich, que se permitiu a liberdade artística de modificar o original, e também às breves passagens de "Stormbringer" enxertadas em "Burn". Pouco depois o playback de "We Wish You Well" dava adeus ao ingleses do WHITESNAKE.

O AEROSMITH, banda principal da noite, estava marcado para subir ao palco às 22:00, mas devido ao atraso do show anterior, foi começar apenas quase uma hora depois. Eram 22:50 quando o telão no palco mostrava imagens do conjunto, que abriu o set com "Let the Music Do the Talking". Como a banda de abertura, não economizaram nos clássicos. "Love in an Elevator", "Toys in the Attic", "Pink", "Dude (Looks Like a Lady)"... não faltam exemplos. A exceção do show ficou por conta de "Oh Yeah", faixa do 15º disco de estúdio da banda, Music from Another Dimension (2012). O grupo deixou de tocar "Lover A Lot", a outra faixa de divulgação utilizada em alguns shows da turnê Global Warming Tour, para inserir "Pink", muito bem recebida pelo público.

Rolaram ainda outras antigas do conjunto (leia-se, da década de 70), como "Same Old song and Dance" e "Last Child", e algumas "mais novas", como "Cryin'", "Jaded" e "Livin' on the Edge". Tocaram ainda "I Don't Wanna Miss a Thing", escrita para o filme Armageddon (1998), e logo depois de "Jaded", o vocalista Steven Tyler anuncia "Mister Joe Perry", que toma o microfone para dizer que a banda nunca havia tocado em Curitiba antes, e que estava a fim de mandar um rock n' blues – "Boston style". Era a deixa para tocar o primeiro do que somariam três covers do set: "Stop Messin' Around" (Fleetwood Mac), "Come Together" (Beatles) e "Mother Popcorn" (James Brown). Finalizaram com outra antiga, "Walk This Way" (1975), e saíram do palco, contando, no apagar das luzes, já 18 músicas tocadas.

Alguns minutos depois voltaram ao palco para o Bis, dessa vez com direito a piano de cauda na rampinha que descia ao meio da platéia. Steven Tyler, em ato solo, lançou trechos de "Home Tonight" para emendar com "Dream On", com direito à presença de Joe Perry em pé sobre o piano e recepcionada com grande emoção pelo público. Emendaram ainda com "Sweet Emotion", que pareceu fechar a noite em grande estilo. Porém, em meio à apresentação da banda por Tyler, o vocalista pergunta, como quem não quer nada, se o público estava a fim de mais uma música. Seguindo os pedidos dos cartazes da plateia, Tyler de sopetão anuncia, já aos 45 minutos da meia-noite do dia 17, que uma plateia tão "crazy" precisava de uma música à altura. Tocaram, pasmem, não uma, mas três músicas no segundo bis: "Crazy", "Movin' Out" e, surpreendentemente, um quarto cover: "Train Kept A-Rolling", de Tiny Bradshaw. Já era quase uma da madrugada quando a banda se despedia e as luzes se apagavam, pondo fim a uma incrível apresentação de 23 músicas aquela noite.

Esta resenha não se poderia furtar à observação de que boa parcela do público curitibano parecia não conhecer o WHITESNAKE, malgrado a banda estar na ativa desde 1978, dois anos depois de o vocalista David Coverdale haver deixado o DEEP PURPLE. Com exceção de uma parte do público da pista VIP e de alguns gatos pingados da pista normal, muita gente só reconheceu a banda depois de ouvir alguns dos maiores clássicos do conjunto. Para surpresa deste redator, uma banda de heavy metal tradicional como o Iron Maiden provou ser bem mais conhecida do que o WHITESNAKE, colega de hard rock do som do AEROSMITH.

Uma segunda observação deve ser feita à performance dos músicos. Coverdale efetivamente não possui mais a competência vocal que tinha no começo da carreira, e no meio do show sua voz já se mostrava bastante grave e relativamente desgastada. Do topo de seus 62 anos de idade, vale dizer que continua fazendo um bom show, mas não dá pra deixar de notar a superioridade de Steven Tyler, que com 65 anos de idade (três a mais que Coverdale, portanto), continua espetacular. Além do Demon of Screamin', Joe Perry (63) também fez a guitarra cantar, principalmente nas músicas com mais distorção. A certa altura, usou até a Gibson modelo B.B. King com o rosto da esposa, Billie. David Hull, que terminou substituindo Tom Hamilton devido aos problemas de saúde deste último, também fez uma boa apresentação no baixo. Brad Whitford mostrou ser bastante sólido ao acompanhar Perry, e Joey Kramer, como sempre, sustentou o grupo todo com perfeição na bateria.

Em suma, foi um excelente show, com uma apresentação inesperadamente longa do AEROSMITH, cantada música-a-música pelos fãs no local. O único problema da noite foi o de praxe: a saída complicada do estacionamento do BioParque, sempre demoradíssima e devidamente regada a muita buzina de carro. Mas se toda moeda tem dois lados, esse parece ser um preço que valeu a pena pagar para ver o show de duas bandas icônicas da década de 70. Noite longa e emocionante.

WHITESNAKE

My Generation (The Who - playback)
1. Give Me All Your Love
2. Ready an´ Willing
3. Love Ain´t No Stranger
4. Is This Love
5. Slide It In / Slow an´ Easy
6. Love Will Set You Free
7. Pistols at Dawn
8. Steal Your Heart Away
9. Fool for Your Loving
10. Here I Go Again
11. Still of the Night
12. Soldier of Fortune
13. Burn / Stormbringer
We Wish You Well (playback)

AEROSMITH

1. Let the Music Do the Talking
2. Love in an Elevator
3. Toys in the Attic
4. Oh Yeah
5. Pink
6. Dude (Looks Like a Lady)
7. Same Old Song and Dance
8. Cryin´
9. Last Child
10. Jaded
11. Stop Messin´ Around
12. What It Takes
13. Livin´ on the Edge
14. I Don´t Want to Miss a Thing
15. No More No More
16. Come Together
17. Mother Popcorn
18. Walk This Way

BIS:
19. Dream On / Home Tonight
20. Sweet Emotion

BIS 2:
21. Crazy
22. Movin´ Out
23. Train Kept A-Rollin´

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Sobre Haggen Kennedy

Nascido ao fim dos anos 70 e adolescido em meio ao universo metálico, Haggen Heydrich Kennedy já trabalhou e atuou numa vultosa gama de atividades, como o jornalismo, o desenho, a informática, o design e o ensino, além de outros quefazeres. Atualmente vive em Atenas, Grécia, onde estuda História, Arqueologia e Grego Antigo na Universidade de Atenas. A constante nesse turbilhão de ofícios, todavia, sempre constituiu-se de dois fatores: as línguas (ainda hoje trabalha com tradução e interpretação) e a música - esse último elemento, definitivo alimento espiritual.

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