Anathema: ao-vivo, mostrando ser uma das melhores da atualidade

Resenha - Anathema (Carioca Club, São Paulo, 13/10/2013)

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Por Diego Camara
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Quanto tempo os fãs podem esperar pela apresentação de sua banda favorita? Alguns, como os do BLACK SABBATH, esperaram uma vida inteira para ver a formação original (ou melhor, ¾ dela) ao vivo. Os fãs do ANATHEMA, em suas idas e vindas, também aguardaram muito tempo: o cancelamento infeliz em 2006, o show que não veio em 2009 e a apresentação cancelada em 2011 já eram tristezas demais para um público que sonhava há muito tempo com esse show. O interessante é que o destino uniu as duas bandas, e a apresentação em tão poucos dias de dois shows tão esperados nutriram o coração dos fãs das bandas. Confira abaixo como foi a irretocável apresentação do ANATHEMA em sua única apresentação no Brasil.

Fotos: Fernando Yokota

O público se reunia com calma durante as boas horas que antecederam a apresentação da banda. A fila começou bastante humilde, mas quando deu em torno das 18 horas, na abertura dos portões, o público já era grande. Quem olhava por fora já via que o resultado era dia de casa cheia no Carioca Club. Os fãs, público extremamente variado que unia as mais diversas idades, entrava com calma e não causou tumulto algum na entrada da casa: tranquilidade parecia o mote ali, talvez pois o sonho de ver um show do Anathema estava próximo de acontecer: só algo muito bizarro poderia impedir o espetáculo desta vez.

Após o banho de sal grosso e já dentro da casa, o público parecia apreensivo e assim ficou pelas mais de duas horas que tiveram de esperar para o show. A casa extremamente lotada se dividia entre momentos de silencio e cantoria de alguns grupos de fãs. Em um instante foram ouvidas vaias do público: o motivo era a espera do show (apesar de que foi informado que o show se iniciaria após as 20h15m, ninguém podia conter a espera).

O aviso sonoro do Carioca Club, tocado exatamente as 20h15m, trouxe ânimo total para os fãs: a espera, agora, seria pequena, e em menos de 5 minutos começou a tocar nas caixas de som a intro do espetáculo. Os fãs gritavam, mas mais ensandecidos ficaram quando os irmãos Cavanagh e companhia entraram no palco. Loucura plena, que foi terminada quando a banda iniciou os primeiros acordes de “Untouchable”. O estardalhaço dos fãs foi substituído pela atenção, e as magnificas notas da guitarra e os vocais de Lee Douglas e de Vincent, que dividiram a atenção do público nas duas partes da música.

A sequência do show foi com “The Gathering of the Clouds” e “Lightning Song”, mais duas do novo álbum “Weather Systems”. Mais duas belas canções, com grande performance da banda. A emoção tomou conta do palco enquanto os fãs curtiram as músicas. A sequência inicial dificilmente poderia ser melhor, e este bloco não poderia trazer resultado diferente do que uma enorme salva de palmas de todos os presentes.

O destaque do todo das primeiras quatro músicas foi o cálculo feito de maneira mais que inteligente pela técnica: as cores e a força das luzes foram o termômetro durante todo o show. Com luzes mais claras e rápidas, a banda trazia os momentos mais animados das músicas, enquanto a luz azulada devolvia o mistério durante os momentos mais tristes, melancólicos ou intimistas.

Após o final desta introdução, a banda parecia já bastante contente com o que traziam ao Brasil: o vocalista se desculpou com os fãs pela demora em pisar no solo brasileiro: parecia, no final, um alívio não só para os fãs, mas também para a própria banda em finalmente conseguir realizar um show no Brasil depois de tanto tempo e desencontros.

O show parecia que era dividido em pequenos blocos musicais, e então o segundo bloco trouxe duas músicas do álbum “We’re Here Because We’re Here”. Apesar do nome excêntrico, o álbum é sensacional, e as músicas tocadas não trouxeram resultado diferente das primeiras: os fãs não se contiveram e entraram em polvorosa, especialmente com os solos impulsivos e cheios de vontade dos irmãos Cavanagh.

O terceiro bloco do show foi reservado ao disco “Judgement”, em minha opinião o disco mais consistente da carreira do Anathema. A banda tocou em sequência as músicas “Deep”, “Emotional Winter” e “Wings of God”. A plateia as recebeu com gritos e aceitou o desafio de Vincent, pulando e se animando com a abertura de “Deep”, que ainda contou com sem dúvidas o solo mais esplêndido da noite. Na sequência, o progressivo tomou conta do Carioca Club com a introdução pinkfloydiana de “Emotional Winter”: a execução das músicas, espantosa pela perfeição das guitarras e pelo casamento sem erros das notas, mostrou como a banda não é apenas perfeita no estúdio, mas também nos palcos.

O bloco seguinte seria do disco “A Natural Disaster”, com a música título e “Closer”. O baixista Tobel Lopes, em seu alto e bom português, pediu aos fãs que iluminassem o Carioca com seus celulares. Em um show às escuras, iluminado por um ponto aqui e outro ali na plateia, foi tocada a primeira música. Impressionante, porém, que a falta de luz não mudou nada o show: apenas foi, para uns aqui e outros ali, mais um motivo para o aumento da emoção. “Closer”, com o momento mais pancada da noite, levantou o público e fez o Carioca tremer. Era difícil não sentir os saltos de todos os presentes, e para quem estava no camarote como eu nem era preciso saltar – só os saltos dos que estavam em volta já era meio para você sentir como se estivesse saltando junto.

“Vocês estão felizes?”, sorri um contente Daniel Cavanagh para a plateia com a resposta tão uníssona dos fãs presentes. “Pois ainda faltam 10 músicas!”, disse olhando o setlist. Para quem havia conferido os shows da banda pelo setlist.fm isso não era nenhum espanto, a menos para os que perderam como eu a noção do tempo durante o show.

A banda fechou a primeira parte do seu show com duas músicas avulsas: as intimistas “A Simple Mistake” e “Internal Landscapes”. Como ótimas contrapartes para “Closer”, a banda acabou tendo um contratempo na primeira canção: o som parou no meio da música, causando confusão em todos os presentes. Fato é que a banda parou a música pois uma fã desmaiou na frente do palco, próxima a grade. Bastante preocupado, Vincent se agachou em frente ao palco enquanto o pessoal removia a fã de sua posição. Educadamente, inclusive, o bastante para lhe oferecer uma xicara de chá.

A banda ficou um minuto fora do palco antes de retornar para um “super bis”. Vincent, bastante simpático, recebe aplausos ao falar do disco “Alternative 4”, álbum que eles voltaram para tocar diversas de suas músicas. Disse também que uma das coisas que aprendeu em sua vida foi que a coisa mais importante que há é o amor, acima de tudo – declaração que o encheu de palmas.

O Anathema então toca uma grande sequencia de músicas do “Alternative 4”. É difícil até descrever essa super sequencia. Consistentes como no resto inteiro do espetáculo, os irmãos Cavanagh acessaram algumas das músicas mais esperadas do show. Difícil foi não se emocionar com os solos potentes de guitarra e os momentos de piano cheios de emoção. As palmas dos fãs, no mesmo tom da música em “Inner Silence”, não poderiam fechar melhor a sequência.

A sequência continuou com “One Last Goodbye”, onde todos pareciam conhecer de cor a letra e deixaram a banda espantada. Daniel Cavanagh, inclusive, sentou na beirada do palco para olhar a plateia cantando sozinha, parecia estarrecido com a animação do público. Como uma espécie de intro para o momento mais esperado da noite, “Parisienne Moonlight” contou com a lindíssima voz de Lee Douglas para encantar o fim de noite.

“Vince disse que esse era o melhor show da turnê...”, disse Daniel Cavanagh ao público, recebendo grande salva de palmas. A alegria da banda era irradiante, parece que eles também não podiam afinal esperar mais tempo para se apresentar em nossas terras. E também valeu a espera para os fãs que se levantaram com tudo para ouvir “Fragile Dreams”, que fechou o show com chave de ouro. A condição excepcional que se encontrava o som do Carioca Club se fez completa nesta música: com um som perfeito, uma luz muito bem colocada e uma banda extremamente afinada se fez a despedida do show.

Quando as últimas pancadas da bateria se fizeram o show dava pouco mais de 2 horas e 10 minutos de espetáculo. Em uma longa despedida, a banda fez questão de não apenas bater a clássica foto com o público de fundo como de agradecer a todos. A atenção que a banda deu, a um público extremamente polido e em geral organizado, fechou um dos espetáculos mais completos do ano. A organização e a produção da Sob Controle, desta vez acima da média dos shows do Carioca Club, sem dúvidas fez valer a espera do espetáculo.

Esperamos, porém, que desta vez não demorem mais tantos anos e não sofram tantos problemas para poder tocar aqui em São Paulo.

Anathema é:
Vincent Cavanagh – Vocal, Guitarra
Daniel Cavanagh – Vocal, Guitarra, Teclado
Lee Douglas – Vocal
Tobel Lopes – Baixo
Daniel Cardoso – Bateria

Setlist:
1. Untouchable, Part 1
2. Untouchable, Part 2
3. The Gathering of the Clouds
4. Lightning Song
5. Thin Air
6. Dreaming Light
7. Deep
8. Emotional Winter
9. Wings of God
10. The Beginning and the End
11. A Natural Disaster
12. Closer
13. A Simple Mistake
14. Internal Landscapes

Bis:
15. Shroud of False
16. Lost Control
17. Destiny
18. Inner Silence
19. One Last Goodbye
20. Parisienne Moonlight
21. Fragile Dreams

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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