Ghost, Slayer e Iron Maiden: Uma viagem aos anos 80

Resenha - Ghost, Slayer e Iron Maiden (Anhembi, São Paulo, 20/09/2013)

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Por Claudio Medina Junior
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Uma viagem aos anos 80, assim podemos definir essa atuar Tour 2013, a Maiden England. Uma sequência de clássicos cantada em uníssono pelos milhares de fãs presentes na Arena Anhembi, sexta-feira, dia 20 de setembro.

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Costumo dizer que todas as bandas tem fãs, o Iron Maiden tem seguidores. É incrível como uma banda consegue manter seu público de longa data, e ao mesmo tempo adquirir novas gerações de ''adeptos Maiden-maníacos'', a cada Tour realizada. Eu estive nos 4 últimos shows em SP, 2008, 2009, 2011 e 2013, e pude reparar como o público jovem tem aumentado de um show pra outro, jovens usando camisas do Maiden com muito orgulho, jovens que ainda nem tinham nascido quando estes clássicos já eram sucessos, enfim, jovens sedentos por Heavy Metal, e isso é muito legal de se ver. Bem, falemos dos shows.

Precisamente as 18:30 hs entrou o GHOST. Eles tem um som bem mais pesado ao vivo do que em estúdio, achei muito interessante. Porém ao contrário do Rock In Rio, aqui em SP eles vacilaram feio por não tocarem sons como Zombie Queen e principalmente Secular Haze, grande mancada deles. No contexto, a galera deu a entender não ter curtido, reagindo aos gritos de ''Slayer Slayer'', até aceitável porque os dois estilos não combinam muito bem. Eu particularmente gostei, é claro que não se pode comparar com bandas consagradas, mas eles inovaram e estão aí ganhando seu merecido espaço!

Por volta das 19:35 hs, sobe ao palco o SLAYER. Veio a porradaria musical, fizeram um setlist muito bom. Destaco também a grande performance dos integrantes no palco, com exceção do batera Bostaph, que até toca bem, mas achei ele meio sem sintonia com os demais, senti falta do Lombardo, principalmente nas viradas da Season In The Abyss. E o fato mais lamentável da noite (que aliás ocorreu nos 3 shows), o som das caixas estava muito baixo. Eu como sou cadeirante, estava na área reservada para deficientes ao lado da pista premium, e dali já se notava o som baixo. Mas a galera que tava lá atrás na pista comum deu dó, eles quase imploravam com gritos de ''aumenta aumenta'', mas infelizmente não deu resultado. Tirando isso, foi um ótimo show do Slayer, e ainda rolou uma digna homenagem ao falecido Jeff Hannemann com fotos no telão, para fechar muito bem o show!

Era hora de se preparar para a atração principal, e a cada minuto a ansiedade só ía aumentando. Até que umas 21:05 hs, como já é de costume, Doctor Doctor [clássico do UFO] começa a ecoar nas caixas, era o anúncio de que o espetáculo estava se iniciando. Logo, as luzes se apagam, e os telões exibem belas imagens de geleiras sendo derretidas, seguidas da narração que faz intro do album Seventh Son.

E com os primeiros acordes de Moonchild, o palco é invadido pelo IRON MAIDEN. Logo de cara já mandam outro clássico deste album, Can I Play With Madness. Obviamente Bruce já tem a platéia em suas mãos desde o começo, interagindo com suas coreografias e muita energia no palco.

foto: Fernando Domingues
foto: Fernando Domingues

Uma nova introdução surge nos telões, desta vez era a fala inicial de The Prisoner, e logo após aquela gargalhada, Nicko manda ver nas baquetas. Esta é uma das que eu ainda não tinha visto ao vivo e gostei muito. A próxima levou a galera abaixo, 2 Minutes To Midnight foi a mais cantada pelos presentes nessa parte inicial do show.

Em seguida, Bruce veio anunciar que a próxima música estava um pouco fora do contexto dessa Tour, mas esperava que todos curtissem. E veio Dave com a intro de Afraid To Shoot Strangers, linda canção que começa suave, depois vem com solos de peso dos três guitarristas, pra terminar suave de novo, bela escolha.

Se a próxima era com a intenção de levantar a galera, eis a escolha perfeita: The Trooper, e lógico, com direito a bandeira britânica no palco. Essa o Bruce nem precisava cantar se quisesse, pois o público canta a música toda, e não só o famoso ''ôôôôôôôôô!''

Depois, um ar de maldade cai sobre o Anhembi. As luzes ficam vermelhas, ouve-se a intro de The Number, e logo aparece um painel ao fundo com um olhar bem malígno do Eddie, e no palco um demônio com a cabeça mexendo para os lados. Faz qualquer um se sentir no inferno por alguns minutos, com direito a explosões de fogo e tudo mais. Desta vez, é Adrian que se destaca nos solos.

Relembrando o primeiro album da banda, era vez da grandiosa Phantom Of The Opera. Ao vivo ela ficou com uma outra pegada, um pouco mais carregada, que deu um ar mais sombrio e pesado. Mais Heavy Metal eu diria. Achei que ficou perfeita, e ainda mais com a voz do Bruce.

Seguimos com dois clássicos que a platéia também já sabe de cabeça. Run To The Hills, com destaque para o boneco gigante do Eddie que entra caminhando no palco vestido de soldado, de bigode e com uma espada na mão. Depois veio a Wasted Years, com um show a parte de Gers e seus solos.

Era a hora do momento épico da noite. Se inicia a faixa-título do album Seventh Son Of A Seventh Son. Bruce aparece com um cabelo diferente e com uma roupa de mago. E ao fundo, um grande Eddie com uma bola de cristal e escrevendo com uma pena. Logo após o refrão, entra aquele trecho mais calmo da música, e eis que no fundo do palco surge um tecladista mascarado, quase escondido atrás de uma espécie de órgão. Deu um ar mais sombrio ao ambiente, foi de arregalar os outros, um dos melhores momentos do show.

Ainda sem sair deste album, Harris manda as primeiras notas de The Clairvoyant. Esta também, muito bem aceita pela galera. Hora de muitos risos com o retorno de Bruce ao palco, com o cabelo todo bagunçado, como se tivesse acabado de acordar.

Mas o que muitos queriam, ainda estava por vir. Eu particularmente já enjoei de ouvir essa música em casa e no mp3, mas em um show do Maiden ela é obrigatória, e convenhamos, é maravilhoso cantar junto com o público: Fear Of The Dark!

Pra fechar antes do bis, a animadíssima faixa Iron Maiden. Durante esse som, eis que surge atrás do palco um outro Eddie gigante, idêntico ao da capa do album Seventh Son, com partes em movimento. Sensacional!

A banda se retira, e após alguns segundos de palco escuro, surge ao fundo um painel com o Eddie dentro de um avião de caça. Era um aviso de que o show ainda não havia acabado. Logo, iniciou-se a intro do album Powerslave, seguida da rápida Aces High. É óbvio que a galera novamente foi ao ápice de animação. Perfeito, acho que faltaram só os caças passarem voando razantes por nossas cabeças, como ocorreu este ano em um show lá no Reino Unido.

Depois veio mais um belíssimo hit do album Seventh Son, a The Evil That Men Do. Sabe aquelas músicas que parecem ter vida própria, que você não consegue ouvir sem cantar junto? Pois bem, essa é uma delas, e foi cantada em coro por todos.

Pra finalizar a noite, a clássica e pré-histórica Running Free. Com direito a apresentação completa de cada integrante [como se nós não os conhecêssemos um por um rs], além é claro da interação de Bruce com a galera.

Aliás, não podemos deixar de citar aqui a performance de Sr. Bruce, pulando e correndo o show todo, parecendo uma criança, sem falar que nunca desafina, incrível, digno de elogios. Os demais também interagiram bem, Dave e Gers sorrindo toda hora, Harris com suas caretas e pedindo pra platéia aplaudir, até o Adrian que é mais na dele, estava um pouco mais participativo.

E o Nicko, esse é um figura. A noite toda escondido atrás de sua imensa batera, não havíamos reparado em um detalhe, mas ao fim do show ele veio a frente do palco e vimos, ele de meia e chinelo de dedo, todo a vontade, como se estivesse andando no quintal da casa dele, enfim, muito divertido!

Ao fim da noite, ficou a sensação de missão cumprida, mesmo tendo faltado alguns sons. Muitos reclamam de Setlist, preferem uma música e dispensam outra, eu entendo, também sou assim. Mas na boa, é difícil criticar um show do MAIDEN, quem já viu ao vivo, sabe porque to dizendo isso, os caras são demais no palco. Cada show deles é uma experiência diferente, e sempre fica um gostinho de quero mais.

Espero que eles tenham fôlego ainda por muito tempo e voltem logo pra SP. Público aqui eles tem, estão vindo quase todo ano e sempre lotam arenas, tem bandas aí que vem com bem menos frequência e não dá nem metade do público do Iron Maiden.

Sem falar que teve momentos do show que o Bruce olhava espantado pra galera, que gritava ''Maiden Maiden'', ou seja, eles sabem da calorosa recepção que sempre terão de nós, seus fãs, ou melhor, seus seguidores!

Até a próxima Tour...

SET LIST GHOST

1. Infestissumam
2. Per Aspera ad Inferi
3. Con Clavi Con Dio
4. Prime Mover
5. Stand by Him
6. Year Zero
7. Ritual
8. Monstrance Clock

SET LIST SLAYER

1. World Painted Blood
2. Disciple
3. War Ensemble
4. Mandatory Suicide
5. Hallowed Point
6. Dead Skin Mask
7. Hate Worldwide
8. Seasons in the Abyss
9. South of Heaven
10. Raining Blood
11. Angel of Death

SET LIST IRON MAIDEN

1. Moonchild
2. Can I Play with Madness
3. The Prisoner
4. 2 Minutes to Midnight
5. Afraid to Shoot Strangers
6. The Trooper
7. The Number of the Beast
8. Phantom of the Opera
9. Run to the Hills
10. Wasted Years
11. Seventh Son of a Seventh Son
12. The Clairvoyant
13. Fear of the Dark
14. Iron Maiden

[BIS]

15. Aces High
16. The Evil That Men Do
17. Running Free

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Sobre Claudio Medina Junior

Meu nome é Claudio, tenho 30 anos e moro em Santo André - SP. Sou cadeirante, formado em Gestão Ambiental e amante de Rock. Fã desde criancinha dos Guns N´ Roses (o original!), e atualmente ouvindo muito Heavy Metal, de Iron Maiden a Scorpions, passando por Avantasia e outras maravilhas. O Rock N´ Roll tá no sangue!

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