Gogol Bordello: A immigraniada fazendo a confusão em São Paulo
Resenha - Gogol Bordello (HSBC Brasil, São Paulo, 25/09/2013)
Por Diego Camara
Postado em 26 de setembro de 2013
Gostem ou não gostem, o Rock in Rio sempre traz suas surpresas e novidades. O festival que consegue ser o mais amado e odiado dos fãs do rock, sempre traz algumas bandas que nos divertem, marcam presença e conquistam espaço e o orgulho do público brasileiro. Após as belas resenhas publicadas pela internet sobre o show do GOGOL BORDELLO, coube um desafio a quem nunca ouviu a banda: saber o que é esse tal de gypsy punk que eles tocam e porque eles saíram como destaques no Rock in Rio.
Fotos: Fernando Yokota
O show começou britanicamente as 22h00min, um horário bastante tarde para um show no meio de semana. O público não era dos maiores, especialmente nas áreas mais nobres do HSBC Brasil: a pista premium mesmo chegava num ponto de estar até meio "deserta", o que é uma tristeza e empurrou a maioria dos fãs da banda – os mais animados, diga-se de passagem – para a parte de trás do HSBC. Não foi legal, não foi bom, mas foi o que parece que sobrou com essa enxurrada de shows que assolaram o bolso do público este mês.


A plateia era bonita: mulheres, homens, jovens, velhos, um misto que é difícil de ver em shows. A diversidade do público ficaria ainda mais a cara da banda quando eles entraram no palco depois de "Intro", pois o que se via ali eram os mais diversos credos e raças unidos em prol da boa música. O público já mostrava grande animo, e se agarravam nas grades gritando pela banda a cada integrante que entrava no palco.
As primeiras músicas foram extremamente animadas. O palco era uma grande bagunça, com os integrantes indo de um lado para o outro enquanto faziam as mais diversas performances. Divertido, alegre e cheio de melodia era o show da banda, especialmente em músicas como "We Rise Again" e "Wonderlust King", cantado em plenos pulmões pelos fãs presentes.


Era quase um show de rua, uma trupe daquelas que se apresentam pelas praças da cidade. A confusão era a cara do punk, com a melodia cigana, o uso dos instrumentos inusitados para o rock, uma melodia folk que nos remonta mesmo as caravanas e ao clima da vida na estrada.
Ao invés das rodas de bate cabeça, o show parecia ter rodas de dança. E com uma música como "The Other Side of Rainbow" isso era bem claro, o público dançou, a banda dançou, tinha até alguns funcionários dançando – eu mesmo vi um segurança soltando alguns passos divertidos ali na entrada da pista.


A variação do som também era outro ponto interessante. Da calmaria de um show acústico, só com o violão e o vocal, a banda então tinha a cara de trazer guitarras e baixo para tocar um som com a cara do punk rock. Em outros momentos o som partia para o lado folk, os instrumentos tradicionais abriam espaço para o acordeão, o violino e os tambores. O instrumento vivo no show inteiro foi a bateria, e com uma pancada fantástica em músicas como "My Companjera" e um dos pontos mais divertidos do show com "Dig Deep Enought" e "Immigraniada".
"Amamos o Brasil, viemos aqui comemorar a imigração!", gritou o vocalista Eugene Hütz, recebendo palmas do público. A conexão da banda com o público foi algo fantástico e surpreendente.


Outro destaque do show foi a música "Sally", com um ânimo fantástico da plateia e uma resposta mais que positiva do palco. As vezes o show chega ao patamar de ser tão punk que parecia que uma roda poderia se abrir em qualquer momento na plateia, coisa que infelizmente (e obviamente) não ocorreu. O fim do set principal veio com "Sacred Darling", mais melódica que as anteriores serviu para finalizar o show com uma bela apresentação de toda a banda feita por Eugene.
A saída do palco foi rápida, porém efetiva, e a plateia gritou durante todo o tempo o nome da banda. Não demorou sequer dois minutos e os integrantes voltaram um a um ao palco tocando "Lost Innocent World", que começa extremamente calma e domina o público com as pancadas rápidas em seu ápice. A plateia aplaude novamente, já meio cansada, mas com ainda bastante ânimo.
O bastante pra ainda dançar insanamente em "Think Locally, Fuck Globally". Cantam junto o refrão, dançam conforme a música e as palmas sincronizam com o som da banda, difícil não se espantar com o show que, no final, parecia mais uma grande festa de amigos.


"Muito obrigado a todos e esperamos ver vocês novamente!", disse Eugene, antes de finalizar o show com a balada "Alcohol" e "Baro Foro", que finalizou genialmente o show com uma bela onda de violino e som cigano.
Gogol Bordello é:
Eugene Hütz – Vocal, Violão, Percussão
Sergey Ryabstsev – Violino, Segunda Voz
Elizabeth Sun – Percussão Segunda Voz, Dança
Thomas "Tommy T" Gobena – Baixo, Segunda Voz
Pedro Erazo – Percussão , Segunda Voz
Oliver Charloes – Bateria
Michael Ward – Guitarra, Segunda Voz
Pasha Newmer – Acordeão, Segunda Voz
Setlist:
1. Intro
2. We Rise Again
3. Not a Crime
4. Wonderlust King
5. The Other Side of Rainbow
6. My Gypsy Auto Pilot
7. My Companjera
8. Dig Deep Enough
9. Immigraniada
10. Break the Spell
11. Sun Is on My Side
12. Pala Tute
13. Malandrino
14. Start Wearing Purple
15. Sally
16. Sacred Darling
17. Lost Innocent World
18. Think Locally, Fuck Globally
19. Alcohol
20. Baro Foro








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