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The Winery Dogs: resenha de show no Rio do Minuto HM

Resenha - Winery Dogs (Rival Petrobrás, Rio de Janeiro, 24/07/2013)

Por Alexandre BSide
Fonte: Minuto HM
Em 01/08/13

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Quarta-feira à noite, Rio de Janeiro, uma chuvinha chata que não para… a cidade está "invadida" por todos os países do mundo, pelo evento que envolve o Papa. Várias ruas estão fechadas, e o desafio é me deslocar da Zona Norte para o Centro, uma vez que as notícias informam que a Tijuca está toda mobilizada para mais um evento do Pontífice, desta vez nessa específica região. São 19h10, a abertura da casa está marcada para às 19h30, e o show, sem banda para fazer a "preliminar ", previsto para as 20h30 (será, me pergunto, não é muito cedo???). Entro no meu carro, sem saber ao certo onde deixá-lo (pois no meu bolso não vai caber) e procuro alguma rota alternativa. Este é o prólogo do primeiro show do The Winery Dogs, banda recém formada por Mike Portnoy, Bily Sheehan e Ritchie Kotzen, no Brasil.

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Chego por volta da Cinelândia, local do Teatro Rival, até cedo, em torno das 20h00, após uma sucessão de boas decisões a respeito do trânsito. Alguma coisinha mais enrolada ali perto de quem foge do Rio nesse feriado de 4 dias e acredita na mudança do tempo ou resolve curtir o friozinho em alguma cidade de serra. Agora é deixar o veículo, e a primeira opção é por "módicos" R$ 60,00, a qual eu declino. Deixo o carro depois da Lapa, preciso andar bem uns 15 minutinhos na chuva e sem qualquer proteção disponível, mas pelo menos economizei R$ 40,00. Enfim entro no Teatro Rival às 20h20, e já dou de cara com um conhecido do meu irmão, que pergunta por ele e me diz: "sempre te encontro nos shows, mas como você não parece me conhecer, pelo jeito é o irmão do Flávio, não?"
… Rio de Janeiro é assim mesmo, são sempre as mesmas "caras"…

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Esse amigo de colégio do meu irmão está no lado esquerdo do palco, onde eu já havia decidido ficar, pois é ali que vai se apresentar um tal de Bily Sheehan, baixista que nunca tinha visto ao vivo. É verdade que eu nunca vi o guitarrista Richie Kotzen também, mas vou confessar minha sincera ignorância em dizer que deste eu pouco conheço, alguma coisa do Mr. Big e olhe lá. Da "cozinha " a história é outra, mas o músico que me é mais familiar é o eterno ex-senhor do Dream Theater. Troco uma conversa simpática com o amigo de colégio do Flávio, que dura cerca de 10 minutos, pois as luzes se apagam e com míseros 5 minutos de atraso a banda invade o palco, com a primeira faixa do álbum homônimo, chamada Elevate.

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Bily está ali, três filas à minha frente e o desempenho do músico é de babar mesmo. O Teatro Rival me pareceu uma boa escolha para eventos menores e passou no teste com facilidade, inclusive em relação ao som, que está ótimo. Portnoy traz um kit de bateria pra lá de econômico, em especial se lembrarmos das monstruosidades que usava no Dream Theater. O músico parece feliz e interage bastante com o público. O show se segue com várias canções do álbum de estréia, entre elas Criminal,a minha preferida do trabalho, que é tocada logo no ínicio. Pouco familiar com o estilo de Kotzen, me surpreendo muito positivamente com a maneira bem fora do padrão de tocar, sem o uso de palhetas e optando por guitarras de som teoricamente mais "magro". Fortemente calcado em blues, Kotzen é espetacular por desenvolver um estilo de rapidez impressionante, ainda mais sem o uso das palhetas. Percebo que o captador mais próximo do corpo da Fender Telecaster que usa é um "falso" captador simples, na verdade se trata captador duplo (que é mais característico dos sons mais pesados) "disfarçado" de simples, como usa também, por exemplo, o Janick Gers no Iron Maiden.

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Após 5 ou 6 faixas do novo álbum, a banda toca Six Feet Deeper, com seu final cadenciado em versão consideravelmente aumentada, o que traz virtuosismo para as perfomances de todos os músicos. É a deixa para Portnoy atacar um solo de bateria, incrivelmente curto, mas sem deixar à desejar em sua costumeira habilidade. O músico parece viver um outro momento, onde busca muito mais se divertir do que ter de provar à todo o custo o quão é virtuoso. Ele chega a errar (??!!?!?) o andamento na segunda faixa do show, We Are One, mas o detalhe é praticamente imperceptível, e só traz sorrisos em sua face e na de Sheehan. O grupo segue com a ótima The Other Side, e aí é a vez de Bily Sheehan ficar sozinho no palco, no maior momento de habilidade do show. Combinando velocidade com o uso da técnica "two-hands" , o músico esbanja carisma e traz um solo bem maior que o de Portnoy, combinando harmônicos e fazendo uso de outro de seus truques de seu baixo Yamaha signature, ao trocar a afinação da corda mais grave (de Mi para Ré) várias vezes, em simples uso de uma espécie de alavanca situada na tarraxa da tal corda mais grave , apetrecho conhecido como Hipshot tuner.

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O solo de Bily termina na introdução da balada You Saved Me (cuja letra é de Portnoy, composta para sua esposa), onde o baixista novamente faz uso da técnica " two-hands". Os vocais de Kotzen aqui me lembram os de Coverdale, mais para o início da carreira. O vocal está um pouco baixo onde me situo, e tanto Portnoy quanto Sheehan ajudam Richie nos backings. Ao ouvir previamente o álbum, achava que Kotzen poderia ter problemas em concatenar vocais e guitarras, mas ele se sai muito bem nas duas funções, exceto por alguns breves momentos onde deixa a encrenca unicamente nas mãos de Bily, mas esse tira de letra e não deixa a peteca cair. O show segue com Not Hopeless, cuja parte instrumental traz um duelo de virtuosismo entre Bily e Richie, lembrando bastante o estilo do Mr. Big, onde ambos estiveram juntos, e por um breve momento até o Dream Theater.

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Nesse momento Kotzen fica sozinho no palco e lembra três momentos de suas outras fases como músico. Primeiro traz um violão para executar com a participação vigorosa da plateia a faixa Stand, do Poison.

Aliás, esperava uma audiência com mais fãs do Dream Theater, mas acabei por observar que dos três, talvez Richie seja o que contava com mais seguidores. Ele troca o violão pela guitarra e toca uma faixa-solo, You Can’t Save Me, com boa participação da plateia. Nesse instante, Portnoy e Bily retornam ao palco e agora tocam Shine , do Mr. Big.

O show vai chegando ao fim, e são tocadas três baladas, a começar pelo single I’m No Angel, novamente com boa participação dos cariocas. A banda demonstra muita satisfação com a interação do público, elogiando muito os presentes. Novamente a banda me surpreende ao fechar o show com a última faixa do álbum homônimo, chamada Regret. A música tem muitos teclados e imaginava ser impossível executá-la sem alguém convidado. Um teclado está colocado estrategicamente ao lado de Kotzen, que demonstra bastante desenvoltura no instrumento. Os sons de teclados se seguem durante o resto da música, mas como Richie trocou o instrumento pela guitarra, agora é Bily Sheehan quem toca com os pés a base de fundo até o fim da música, utilizando-se de um foot-pedal, instrumento cujo uso já foi demonstrado pelo Minuto HM neste post do Rush.

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O instrumento de Sheehan tem uma espécie de adaptação para favorecer o músico, e pode ser visto em detalhes nas fotos que Portnoy disponibilizou em seu Facebook nesta manhã (foto 48). Há 105 fotos tiradas pelo fotógrafo Daniel Croce, todas de ótima qualidade.

O bis é uma exigência do público e após uma cover chamada Fooled Around And Fell In Love, o grupo encerra enfim a apresentação novamente contando com boa participação da plateia na forte faixa Desire.

São menos de 23 horas, e ainda chego em casa em tempo de ver mais um clube brasileiro ser campeão da Copa Libertadores. A banda segue amanhã para São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre para shows até domingo. O resultado é para lá de positivo, fui ao show para ver Bily e vi uma banda entregar um ótimo trabalho, ainda mais considerando que são apenas três músicos no palco. Mas pensando que estou falando de Portnoy, Bily e Richie Kotzen, consideremos, a coisa fica mais fácil, sem dúvida… quem ainda estiver pensando em ver o show, eu recomendo não perder tempo!

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Saudações

Alexandre Bside

Para ver a matéria original com setlist, vídeos do show e outros materiais, acesse o Minuto HM:

http://minutohm.com/2013/07/25/cobertura-minuto-hm-the-winery-dogs-no-rj-24072013-resenha/

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