Nightwish: banda acerta em cheio no repertório em São Paulo
Resenha - Nightwish (Credicard Hall, São Paulo, 12/12/2012)
Por Gustavo Dezan
Postado em 16 de dezembro de 2012
Pioneiros no metal sinfônico com vocal feminino, os finlandeses do NIGHTWISH têm uma base de fãs fervorosos no Brasil desde sua primeira passagem, em 2000, durante a turnê do ótimo "Wishmaster". Entretanto, as mudanças de estilo nas composições do tecladista e mandachuva, Tuomas Holopainen, e, principalmente, as trocas de vocalistas, fizeram com que muitos perdessem o interesse pela banda, e outros tantos passassem a admirá-la.
A grande expectativa nessa sexta passagem pelo país ficou em torno da nova cantora, a já renomada Floor Jansen (REVAMP, ex-AFTER FOREVER), chamada às pressas – ou não, há quem diga – para substituir temporariamente Annete Olzon, despedida em plena turnê no final de setembro. "Seria ela a melhor opção para o NIGHTWISH?" "Estaria Tuomas tentando corrigir um erro de estratégia?" "Conseguirá ela substituir não só a Anette, mas a diva TARJA TURUNEN, à altura?" São algumas das perguntas que promovem calorosos debates e dividem opiniões dos fãs. As respostas vieram com estes shows.
A turnê do excelente "Imaginaerum" passou por Porto Alegre e Rio de Janeiro, até chegar a São Paulo, em plena quarta-feira. A abertura ficou por conta da banda brasileira TIERRAMYSTICA. Com cerca de metade da lotação da casa (com capacidade para 7 mil pessoas) e 50 minutos de atraso, o NIGHTWISH finalmente subiu ao palco com "Storytime", do último disco. Bastaram poucas notas para dissipar qualquer dúvida em relação à capacidade da vocalista, que cantou a música impecavelmente, sem maiores dificuldades. Em seguida, "Dark Chest of Wonders" e "Wish I Had an Angel" provaram que Floor também dá conta do recado em relação às músicas gravadas por Tarja Turunen.
Carismática e aparentemente bem à vontade, a holandesa mostrou-se muito mais segura do que se pode ver nos vídeos dos primeiros shows, onde parecia travada e, por vezes, errava o tom. A versatilidade de sua voz é um dos pontos que mais chama a atenção por, de fato, conseguir cantar músicas de todas as fases, mas imprimindo suas características. Algumas agradam – na opinião deste que vos escreve – até mais que as versões originais, como em "Amaranth" e "Ever Dream". Em outras, como em "Wishmaster", nem tanto. O fato mais curioso é que, embora Floor Jansen tenha técnica suficiente para cantar as músicas antigas com vocal lírico, acaba optando por cantar mais suavemente, fazendo um meio termo entre Tarja e Anette. Talvez seja uma imposição do próprio Tuomas, mas que compromete um dos maiores clássicos da banda.
A burtonesca "Scaretale" foi um destaque à parte na primeira metade do show, com Floor incorporando a bruxa má que a música pede, e com o baixista e também vocalista Marco Hietala, outra figura muito carismática, agitando loucamente. Os outros integrantes, diga-se, também não pecam na presença de palco. O guitarrista Emppu Vuorinen corre de um lado para o outro e o baterista Jukka Nevalainen esbanja nas poses. Tuomas, com sua cartola, é mais reservado, mas não economiza sorrisos. O mesmo já não se pode falar em relação à estrutura de palco, cujo cenário foi quase precário em comparação com os shows nos outros países. Não trouxeram nem mesmo os detalhes em forma de tubos que enfeitam os teclados – como no instrumento do capitão Davy Jones, de "Piratas do Caribe" – que, apesar de bobagem, é parte da graça.
Voltando à parte musical, o que se viu em seguida foi um repertório digno de uma festa celta. O convidado Troy Donockley surgiu no palco com sua gaita irlandesa para tocar a sequência "I Want My Tears Back", "The Crow, the Owl and the Dove", "Nemo" e "Last of the Wilds", e posteriormente, retornou para a cover de GARY MOORE "Over the Hills and Far Away". Em vários momentos, parecia que a pista havia se tornado a terceira classe do Titanic, de tanta gente dançando alegremente.
Para terminar, a banda tocou a adorada por muitos "Ghost Love Score", com um agudo surpreendente de Floor ao final. A vocalista parecia ter ganhado definitivamente o público que, aliás, gritava várias vezes o seu nome entre as músicas, e mal chegou a gritar por "NIGHTWISH". O encerramento ficou por conta das novas "Song of Myself" e "Last Ride of the Day".
Após cerca de 1h40 de duração, a banda saiu do palco deixando a sensação de que acertou em cheio na escolha do repertório e, principalmente, da sua cantora. "Floor continuará com a banda após a turnê?" é a única pergunta que fica. Caso isso não aconteça, a noite de 12 de dezembro de 2012 se tornará então ainda mais especial para quem tiver presenciado esta oportunidade única.
Set List
Storytime
Dark Chest of Wonders
Wish I Had an Angel
Amaranth
Scaretale
I Want My Tears Back
The Crow, the Owl and the Dove
Nemo
Last of the Wilds
Wishmaster
Ever Dream
Over The Hills and Far Away
Ghost Love Score
Song of Myself
Last Ride of The Day
Nightwish é:
Floor Jansen – vocal
Tuomas Holopainen – teclados
Emppu Vuorinen – guitarra
Marco Hietala – baixo
Jukka Nevalainen – bateria
Troy Donockley – gaita irlandesa (músico convidado)
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