Black Label Society: show impecável, como era de se esperar
Resenha - Black Label Society (Music Hall, Belo Horizonte, 21/11/2012)
Por Luiz Figueiredo
Postado em 23 de novembro de 2012
A noite da última quarta-feira, em Belo Horizonte, foi especial para um exército de fanáticos pelo Black Label Society. Do início ao fim do espetáculo, quem estava lá não tinha motivos para desgrudar os olhos do palco. A estrutura grandiosa da banda, que é acostumada a ser montada em ginásios maiores ou em palcos ao ar livre, foi bem adequada ao tamanho do Music Hall para a apresentação inédita na capital de Minas Gerais.
Vindos da Argentina, a turnê do Black Label Society passaria por cinco cidades brasileiras. Porém, por desacordos contratuais entre a produção local de Fortaleza e a produtora responsável pelo giro deles no país, o show na capital cearense foi cancelado. A única apresentação no nordeste do Brasil aconteceria dia 23, sexta-feira. Além do cancelamento em Fortaleza, o show de Porto Alegre, o que seria o primeiro da turnê foi adiado para o dia 23. O motivo do adiamento foi a retenção do equipamento da banda na alfândega, em São Borja (RS), aproximadamente 600km de Porto Alegre. Sendo assim, Belo Horizonte se tornou o primeiro encontro do Black Label com os seus fãs brasileiros em 2012.
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Belo Horizonte também foi afetada com esses contratempos, porém nada que impossibilitasse o show de acontecer. O equipamento da banda só chegou em torno de 21h30. Exatamente em cima da hora prevista no flyer para o show começar. Neste momento, as caixas saiam de dentro do caminhão para o interior da casa e as filas já eram imensas. Sinal de que a casa estaria lotada para recepcionar Zakk Wylde e cia.
A portaria foi aberta em torno de 22h30 e, aos poucos, a casa ia ficando cheia, tanto na pista quanto na parte superior. O inevitável atraso para abertura dos portões e as grandes filas, deixaram algumas pessoas irritadas. Porém, ao contrário do que aconteceu no show do Cavalera Conspiracy, na semana passada, o show só começou quando todos já tinham entrado.
Pelo fato de ser uma casa pequena, com capacidade para aproximadamente 1.500 pessoas, é um pouco difícil fugir do assédio dos fãs no Music Hall, mas a banda tentou chegar sem ser percebida... tarefa impossível. O público foi ao delírio pela primeira vez na noite ao ver o chefão Zakk Wylde e seus comparsas entrando por detrás de uma cortina negra no piso superior. Apenas o guitarrista Nick Catanese parou para olhar e dar um aceno aos fãs.
Tampando o palco, havia uma imensa cortina preta com a logo da banda ao centro. Sem poder ver a montagem do cenário, o público esperava ansiosamente pela queda da cortina e início do show. E isso aconteceu, próximo da meia-noite após as luzes se apagarem e a introdução acabar, Zakk Wylde, em pé sobre duas caixas no palco com sua aparência suja e agressiva, agitava seus cabelos ao som de Goodspeed Hell Bound, do disco Order of the Black. A continuação foi com o início pesado de guitarra da Destruction Overdrive. Não era possível ficar tranquilo na pista vendo aquele show, rodas de mosh estavam surgindo para todo lado.
O Black Label Society escolheu músicas pouco executadas ao vivo no seu repertório para este show. Um exemplo disso, foi inclusão de Bored To Tears, faixa-título do primeiro single lançado em 1999 em fita cassete. Esta música, normalmente, está fora do setlist da banda. Além disso, no setlist não tinha, por exemplo, Fire It Up um dos maiores clássicos do Black Label.
A apresentação foi impecável. Zakk Wylde tem uma presença de palco marcante. A forma como ele guia seus fiéis soldados, aliada aos elementos que compõem o cenário do palco e suas músicas soando em excelente qualidade sonora, fizeram a noite ser maravilhosa.
Um momento especial foi em In This River, do disco Mafia (2005). Enquanto apresentava a banda e sua produção instalava o teclado no palco, para execução desta música, um fã levantou um grande banner com a foto de Zakk e Dimebag. Na foto, os dois estão virando copos de cerveja com os braços entrelaçados (assim como noivos em lua de mel fazem com champgne). Zakk parece ter ficado emocionado de ver e, talvez, lembrado dos bons momentos vividos ao lado do amigo Dimebag Darrell. O resultado não podia ser diferente: o banner foi parar no palco em cima das caixas de som enquanto ele tocava seu teclado.
O show teve 14 músicas, sendo três do Order of the Black, último disco de inéditas, de 2010. Músicas de todos os álbuns foram tocadas, exceto do Stronger Than Death (2000) e Hangover Music Vol. VI (2004). Os Berzerkers (como são conhecidos os fãs de Black Label) de Belo Horizonte não precisaram viajar desta vez e voltaram para casa tarde, mas muito satisfeitos com o que presenciaram.
Zakk Wylde, Nick Catanese, John DeServio e o baterista Chad Szeliga, único de cabelo curto e o último a integrar a banda, não ficaram nem um minuto no camarim após a apresentação. Assim que acabou o show, se despediram e foram direto para a van. Lembrando a mesma pressa que Max Cavalera teve na semana passada. Os próximos shows da turnê do Black Label Society acontecem em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, nos dias 23, 24 e 25 de novembro, respectivamente.
O setlist do Black Label Society em Belo Horizonte foi:
1. Godspeed Hell Bound
2. Destruction Overdrive
3. Intro / Bored To Tears
4. Berzerkers
5. Intro / Bleed For Me
6. The Rose Petalled Garden
7. In This River
8. Intro / Forever Down
9. Solo de Zakk Wylde
10. Parade of the Dead
11. Intro / Overlord
12. Intro / The Blessed Hellride
13. Suicide Messiah
14. Intro / Concrete Jungle
15. Stillborn
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