Viper: "F***-se show com mais de 100 mil pessoas!"

Resenha - Viper (Orákulo Chopperia, Maceió, 28/09/2012)

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Por Breno Airan, Fonte: Rock na Velha
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É inegável que muitos dos cerca de 500 espectadores que estavam presentes no Orákulo Chopperia no dia 28 de setembro último, no bairro de Jaraguá, em Maceió, estavam ali para ver – e ouvir – de perto uma das maiores vozes do Heavy Metal mundial: a do pequeno ANDRE MATOS.

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Não por menos, afinal, ele é bem mais conhecido em seus trabalhos no ANGRA e no SHAMAN do que onde começou sua carreira. Neste caso, no VIPER.

Mas o que se sobressaiu foi o bom humor de toda a banda e mais outras duas palavras: PIT PASSARELL.

O baixista deu o tom de todo o espetáculo, o primeiro na capital de Alagoas com aquela formação, encabeçada por Matos, seguida de Pit, FELIPE MACHADO nas guitarras, HUGO MARIUTTI também nas guitarras – no lugar de YVES PASSARELL – e GUILHERME MARTIN nas baquetas.

Para tanto, a trupe trazia uma turnê e tanto, após 22 anos da saída de Andre Matos, que à época havia optado por concluir seu curso de Música a excursionar com o grupo pelo mundo.

Os 25 anos desde o debut deles, o petardo “Soldiers of Sunrise”, de 1987, foram bem festejados na casa de show com o álbum em questão tocado na íntegra, além de o sucessor “Theatre of Fate”, de 1989, que sem dúvida é um marco do estilo em terras tupiniquins.

Ademais, o quinteto, muito bem entrosado, colocou ainda para a ‘degustação’ do público algumas músicas do álbum “Evolution”, de 1992, que tinha o Pit nos vocais.

E, toda vez que colocava a boca no microfone, o baixista e membro fundador do Viper arrancava sorrisos tanto da plateia como do palco. Os companheiros de estrada abriam os 32 dentes e, num clima, sempre amistoso avançavam as canções com um dulçor nostálgico.

Andre Matos, um frontman como poucos, incitava os presentes a interagirem, contando histórias de como era difícil escutar e, sobretudo, “ser” Heavy Metal em tempos tão sabáticos da história do nosso país, a ditadura militar.

“Imaginem vocês, naquela época, o quanto era difícil se vestir de preto e sair por aí dizendo o que achávamos. A gente, então, resolveu montar uma banda e não um time de futebol... Vocês sabem dos nossos predicados no quesito bola”, pontua ele, brincando.

Com os olhos atentos e ouvidos aguçados, os maceioenses – e espectadores de outros destinos – aplaudiam o empenho da banda no começo da carreira, que, com efeito, não tocava para grandes públicos, mas tinha no som a energia de mil homens. Em disparada.

“Querem saber? Foda-se show com mais de 100 mil pessoas! A gente gosta é disso aqui; é de se sentir à vontade...”, coloca Matos.

A essa altura, eles já haviam executado “Knights of Destruction”, “Nightmares”, “The Whipper”, “Signs of The Night” e a instrumental “Killera (Princess of Hell)”, todas elas com grande influência da New Wave of British Heavy Metal.

Mais uma vez interagindo com a plateia, o vocalista salientou, apontando para o grisalho e bem-apessoado Felipe Machado: “Vocês conhecem o George Clooney... Nós temos o nosso próprio George Clooney”.

Imediatamente, Pit Passarell pegou um microfone onde fazia os backing vocals e soltou: “Vocês conhecem o Brad Pitt, né? Eu sou o ‘bad’ Pit” e sua gargalhada se juntou à da plateia.

O baixista ainda tentou falar alguma coisa – por vezes, atrapalhando o que Matos dialogava – até que o cantor disse: “Nós somos irmãos... Eu o mando calar a boca, mas logo depois estamos rindo. Nós nos amamos”.

Na sequência, “Soldiers of Sunrise”, “Law of The Sword” e “H.R.”. Nesta última, abriu-se uma ‘roda punk’.

Falando em estilos, o frontman colocou em xeque a vertente do Viper. “Essa música é uma sigla para ‘Heavy Rock’. Na época em que o Pit a escreveu, a gente não tinha noção de como isso ia se chamar, de fato, o estilo. Mas ficaram depois nos rotulando de ‘Power Metal Progressivo Sinfônico do Caralho’. [Nesse ínterim, o público vibrou bastante com a colocação.] Nós fazemos Rock. Só que mais pesado. Nós só evoluímos o estilo”, comentou ele, antes de a banda terminar o seu primeiro ato.

De um álbum para o outro, há muita diferença, majoritariamente na voz mais madura de Matos e na técnica em evolução de todos os outros músicos.

Elementos orquestrais pairam diante das guitarras distorcidas, dando um preenchimento ideal às letras agora bem mais profundas.

“At Least A Chance” só começou depois de um break no show. Um vídeo dos bastidores da nova turnê e com imagens do início da carreira do Viper foi mostrado. Houve uma falha técnica, mas tudo acabou sendo resolvido rapidamente. Os trechos faziam parte do DVD “20 Years Living For The Night”.

Logo depois, “To Live Again” – música que dá nome à tour –, o hit “A Cry From The Edge” – com Andre Matos nos teclados – e o clássico “Living For The Night”. Nesta última, todas as vozes da casa de show tornaram-se um uníssono.

O refrão, um dos mais famosos e bem encaixados da história do Metal nacional, cativou a todos. Braços pra cima.

Além de saudarem o belo som proporcionado pelo Viper, os braços no ar também apontavam para Pit Passarell, acometido pelo mal do álcool em excesso.

O baixista quase não acompanhava as rápidas linhas rítmicas que tinha que fazer e chegou um momento que parou de tocar e virou as costas pro público e, singelamente, ficou brincando com o baterista Guilherme Martin.

Em certo ponto, Andre Matos “recolheu” o instrumento dele e assumiu o baixo, ainda assim com um sorriso no rosto – afinal, apesar dos pesares, o quinteto se ama.

Ademais, o show contou com “Illusions of Time”, “Theatre of Fate”, “Moonlight” e “Prelude To Oblivion”, fechando a seção de íntegras. “The Spreading Soul” e a insuperável “Rebel Manic” extasiaram a galera, do álbum “Evolution”, com um Pit Passarell empolgado nos backing vocals.

Para finalizar e com a promessa de mais vindas para Maceió, o Viper fez um ótimo cover de “We Will Rock You”, do QUEEN, numa levada mais elétrica e vibrante. Como todo o show. Como todo o clima da banda. Uma verdadeira celebração da amizade.

Para mais fotos da revista Rock Meeting, clique no link abaixo:
http://tribunahoje.com/blogs/44/rock-na-velha

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Sobre Breno Airan

Acima de tudo, um forte. Ser roqueiro no Nordeste é estar cercado de olhares de soslaio. Mas ele sabe ser simpático. Começou a escutar Heavy Metal ainda na barriga da mãe. A seu pai, uma verdadeira enciclopédia do estilo, deve tudo. Aos 14 anos, pediu para uma tia R$ 12 de presente de Natal, foi a uma loja de CDs usados e catou logo o "Rust in Peace", do Megadeth - em perfeito estado, inclusive. Daí por diante, a paixão só vem aumentando. É editor do blog Rock na Velha, integrante do blog Combe do Iommi e colaborador da revista alagoana Rock Meeting. Ainda tem tempo para ser jornalista e de tocar baixo em sua banda de Hard Rock, a Azul Manteiga.

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