Vulcano: show dos pioneiros do som pesado em Vitória

Resenha - Vulcano, Delicta Carnis e Siecrist (Estação Porto, Vitória, 25/08/2012)

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Por Léo Pinto
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O armazém 5 da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) no Porto de Vitória entrou de vez no circuito cultural da cidade, quando abraçou o projeto da prefeitura chamado Estação Porto. Por lá, toda semana somos brindados com diversas atrações culturais nos mais diferentes estilos e modalidades, e tudo com entrada franca. No último sábado foi a vez do som pesado invadir o espaço onde no verão passado, serviu de local para recepção de turistas que chegavam em cruzeiros marítimos. Agora, com uma estrutura bacana para shows, a Metal Devastation WebZine e a Condessa da Noite Produções nos trouxeram o Metal na Carne 3 com um trio infernal de bandas. As capixabas SIECRIST e DELICTA CARNIS e a lendária banda paulista VULCANO.

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Numa noite nublada e por vezes chuvosa no Centro da Capital capixaba e com os sedentos headbangers chegando, me deparei com dois garotos de cabelos brancos, próximos à ilha de som, bem humorados e curtindo o som que ecoava para entreter a galera. Os dois garotos passaram por mim e subiram para o camarim. Não restaram dúvidas: eram Eles! Zhema Rodero e Arthur Justo Von Barbarian, guitarrista e baterista respectivamente da lenda viva do heavy metal brasuca, o VULCANO.

Devidamente credenciado para cobrir o evento para o Whiplash.net, fui muito bem recebido pelo Igor, da Metal Devastation WebZine e vocalista do DELICTA CARNIS, que autorizou minha entrada no camarim do VULCANO, para um bate-papo de quase meia hora. Quando entrei no camarim, não acreditei: eu estava diante dos pais do metal extremo brasileiro. Lá estavam Arthur e Zhema, que se juntaram a Luiz Carlos Louzada (vocal), Fernando Nonath (guitarra) e Carlos Diaz (baixo). Todos muito receptivos, atenciosos e extremamente simpáticos, sem o estrelismo que faz parte de algumas bandas do gênero. Conversamos sobre o cenário atual do heavy metal no Brasil, os poucos espaços para shows, a volta da banda depois de um tempo parada, a turnê europeia de divulgação do último álbum “Drowning in Blood” de 2011 a três meses atrás, e a cena metal em Santos, cidade natal deles, onde está difícil ter divulgação de shows nas rádios e jornais da cidade, além do propósito de uma concha acústica instalada numa praia de Santos, onde não se pode ter show de nenhuma espécie para não atrapalhar a vizinhança (!!!!). Só de ter esse papo com a banda eu já me dava por satisfeito, mas eu estava ali para cobrir os três shows da noite. Saí do camarim junto com os rapazes para assistirmos a primeira banda que iria se apresentar.

O massacre sonoro teve início quando os veteranos do SIECRIST, de Vila Velha, subiram ao palco para destilar o tradicional thrash/death metal, marca registrada da banda desde o início em 1990. Cláudio Neto (baixo e vocal), Adilson Schwartz (bateria), André Nideck (guitarra) e Henrique Vallejo (guitarra) abrem os trabalhos com “Fucking World”, logo após a introdução Carmina Burana, de Carl Orff, seguida da pedreira “You're Born”. A clássica “Freezin' Hell”, que dá nome ao primeiro álbum da banda de 1992, deixa a galera ensandecida e já emendando com “No Hope”. O show segue enérgico com “The Last Flight” que prepara o terreno para os anos 80, quando o vocalista anuncia que a próxima música é nada mais, nada menos do que a sensacional “Piranha”, cover da banda californiana EXODUS e que está em seu álbum de estreia “Bonded By Blood” de 1985. Nem precisa dizer que o álbum faz parte da minha listagem de discos fundamentais do thrash metal oitentista. “Fatal Atraction”, “Master Of Evil” e “Wake Up” encerram o passeio sonoro por todos os quatro álbuns da banda.

A segunda banda a se apresentar foi a DELICTA CARNIS. Um death/black metal de prima, genuinamente da capital Vitória, quebrando tudo como sempre. O show contou com porradas sonoras arrasadoras de suas três obras: uma demo, uma coletânea e um álbum ao vivo. “Flames Of Surtur” é de descolar o cérebro e juntamente com a excelente “The Execution Of Damien”, incendeia a legião de fãs à frente do palco. “Elimination Of The Human Race” é daquelas que sempre tem ótima performance ao vivo sempre que tocada. A sombria “Bastard Angels”, seguida de “The Age Of Axe And Sword”, que dá nome a coletânea de 2006, abrem caminho para o gran finale com “The Pentagram”. Depois de toda essa avalanche, só nos resta recolocar o cérebro descolado no lugar e esperar pela lenda...

Estava na hora do VULCANO! Os pioneiros do som pesado no Brasil, subiam ao palco da Estação Porto para fazerem um show avassalador com nada menos do que 22 músicas em, mais ou menos, uma hora e meia! Foi um passeio pauleira pela discografia da banda, desde a primeira demo “Om Pushne Namah”, de 1983, até o mais recente lançamento, o surpreendente “Drowning In Blood”, de 2011.

O ritual se inicia com a “Intro - Satanic Legions”, marca registrada do VULCANO, que anuncia o que vem por aí. Cinco pancadas na moleira, pertencentes aos três primeiros álbuns logo de cara! Isso quer dizer que foi um início que não passou do ano de 1986: “Witches's Sabbath”, “Dominios Of Death”, “The Signals”, “Prisioner From Beyond” e “Fallen Angel”. Uma overdose de pura nostalgia dos anos 80. A sequência é quebrada quando pulam para 2011 e executam cinco músicas do último álbum “Drowning In Blood”, começando com a fantástica “Awash In Blood”, seguida de “Devil's Forces”, “They Sold Their Souls”, “Prision In The Hexagon” e “Total Desolation”. Mais uma vez entramos no túnel do tempo para uma sequência do álbum “Bloody Vengeance”, de 1986, com “Death Metal”, “Spirits Of Evil”, a própria “Bloody Vengeance” e “Ready To Explode”. É impressionante como o gás desses senhores... ops... quero dizer, desses garotos grisalhos, assim como eu (hehe), não ameaça acabar! Os caras não param! E isso é bom, porque agora eles visitam vários álbuns, dando continuidade ao massacre, com “Gates Of Iron”, “From The Black Metal Book”, “Riding In Hell” e “The Evil Always Returns”. Pra finalizar com chave de diamante, o tradicional encerramento com a trinca infernal: “Total Destruição”, “Guerreiros de Satã” e “Legiões Satânicas”, todas do álbum “Live!”. Curiosamente, o único álbum que não foi representado no show por nenhuma música, foi “Ratrace”, de 1999. Obviamente que isso não tirou o brilho da apresentação. A quantidade e a qualidade das músicas já falam por si.

Vida longa, VULCANO e que venha outras vezes à Vitória! Adoramos essa inesquecível visita e a simpatia da banda!

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Sobre Léo Pinto

Capixaba de Vitória, historiador, guia de turismo, fanático por metal, hardcore, punk, rock e todas as suas vertentes, desde 1981 (sim, tenho cabelos e cavanhaque grisalhos, e daí? hehe). Sempre às ordens para resenhar sobre shows, acompanhar bandas em visita à minha cidade e prestar assessoria à imprensa.

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