Noite Senhor F: Krisiun e o melhor do Thrash gaúcho ao vivo

Resenha - Noite Senhor F (Opinião, Porto Alegre, 26/08/2012)

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Por Paulo Finatto Jr.
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A Noite Senhor F entrou em seu segundo ano de atividades em 2012 e resolveu inovar ainda mais. O minifestival – que foge da lógica mercantilista da música – sempre levou ao palco do Opinião shows diferenciados e de enorme qualidade, de artistas conhecidos e desconhecidos dos quatro cantos do Brasil. No mês de agosto, o evento propôs um cast pela primeira vez dedicado ao heavy metal. A escolha das bandas não poderia ter sido mais oportuna: com um quê do metal extremo, os representantes gaúchos DISTRAUGHT e LEVIAETHAN foram chamados para dividir o palco com a lenda do brutal death metal KRISIUN. O que há de melhor e de mais potente no cenário headbanger nacional foi traduzido em uma noite moldada por três horas ininterruptas de música pesadíssima.

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Fotos por Liny Rocks

A primeira banda a subir ao palco do Opinião foi a DISTRAUGHT. Com um disco novo para mostrar ao público, o grupo formado por André Meyer (vocal), Ricardo Silveira (guitarra), Marcos Machado (guitarra), Nelson Casagrande (baixo) e Dionatan Britto (bateria) concentrou o repertório do seu show no recente “The Human Negligence is Repugnant” (2012). Embora a plateia conhecesse muito pouco a nova empreitada do conjunto, o espetáculo proporcionado pelos caras foi realmente vibrante. As músicas “Borderline” e “Psycho Terror Class” foram as escolhidas para abrir o set, mas pouco serviram como aquecimento. O show iniciou pontualmente às 21h e no Opinião o público aumentava à medida que o repertório transcorria.

No entanto, o clima criado por músicas como “Justice Done by Betrayers” e “My God is My War” viraram a noite a favor da DISTRAUGHT. O thrash metal do grupo – extremamente técnico e pesado – encontrou o seu melhor momento com a dobradinha também proveniente do novo “The Human Negligence is Repugnant” (2012). O bom trabalho executado pela dupla de guitarristas e a excepcional performance do baterista Dionatan Britto eram as duas principais constantes do show, que evidenciou ainda a importância da DISTRAUGHT para o metal gaúcho contemporâneo. As faixas “The Human Negligence is Repugnant” e “Insane Corporation” deram sequência a performance com uma boa resposta da plateia. Os pedidos de ‘roda punk’ feitos por André Meyer foram atendidos em todas as oportunidades.

Na reta final, a DISTRAUGHT tirou da cartola duas músicas do seu trabalho anterior, o ótimo “Unnatural Display of Art” (2009). As faixas “Reflection of Clarity” e “Hellucinations” foram cantadas por boa parte da plateia e provaram que a banda gaúcha possui um currículo de respeito. O show de 55 minutos foi encerrado com o que a DISTRAUGHT possui de melhor e de mais impactante em sua discografia. A banda deixou o palco do Opinião satisfeita e o público certamente ficou impressionado com a competência do quinteto.

O descanso foi de aproximadamente vinte minutos e às 22h15 a LEVIAETHAN já estava pronta para iniciar o seu repertório. Com quase trinta anos de história, a banda formada por Flávio Soares (vocal e baixo), Denis “Blackstone” Goulart (guitarra), Manoel Rodrigues (guitarra) e Ricardo “Ratão” Fonseca (bateria) é uma das percussoras do thrash metal no Rio Grande do Sul. A prova é que os caras faziam na Noite Senhor F o show de relançamento do debut “Smile” (1989). Por um problema com a distribuidora, o disco que seria entregue para cada um dos presentes no evento, precisou ter a sua data de distribuição remarcada para duas semanas depois.

No entanto, nada atrapalhou a performance do grupo em cima do palco. Embora o nervosismo fosse um pouco visível no rosto de Flávio Soares, a banda proporcionou um show incrível, com um instrumental extremamente bem trabalhado e influências completamente old school. O espetáculo da LEVIAETHAN contemplou as duas fases distintas da banda. As músicas de “Smile” (1989) e “Disturbed Mind” (1992) foram executadas à medida que o grupo mostrava também o seu novo repertório, que será transformado em um CD no futuro. Os destaques ficaram por conta das clássicas “Echoes from the Past” e “Pilgrimage to Insanity”, que – junto com “AIDS” – formataram a trinca de abertura do show. As novas “Hell is Here” foi outro destaque à parte do set-list. Os quarenta minutos do LEVIAETHAN em cena mostraram um grupo afiadíssimo e que ainda tem muita lenha para queimar.

O palco foi rapidamente ajeitado para que às 23h20 o maior expoente do metal extremo gaúcho – e também brasileiro – subisse ao palco do Opinião. O trio Alex Camargo (vocal e baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria) desembarcaram em Porto Alegre para dar continuidade à turnê do álbum “The Great Execution” (2011), que já havia passado pela Europa e pelos Estados Unidos no início do ano. Com um espetáculo à parte proporcionado pelas luzes, o KRISIUN despejou em 1h10 de show o que o death metal possui de mias brutal e avassalador. A abertura com “Ominous” serviu apenas como um aperitivo para o que viria na sequência: a excelente “Combustion Inferno”. Embora o death metal extremo seja um estilo de difícil assimilação, o trio gaúcho esbanja técnica e arranjos mais do que certeiros em um show agressivo do início ao fim.

O KRISIUN é uma banda de poucas surpresas e o espetáculo corria normalmente com petardos atrás de petardos. A faixa “The Will to Potency” foi a primeira do set-list a homenagear o recente “The Great Execution” (2011). Por outro lado, “Vicious Wrath” recuperou o trabalho criado pelo grupo em discos que ficaram um pouco no ostracismo, como “AssassiNation” (2006). Os sucessos do conjunto aos poucos também apareciam – do aclamado disco “Conquerors of Armageddon” (2000) a primeira escolhida foi “Ravager”. Na sequência, o frontman Alex Camargo precisou se desvencilhar dos pedidos insistentes por “Black Force Domain” para executar “Descending Abomination” e outra música de “Conquerors of Armageddon” (2000): “Hatred Inherit”. Com o claro intuito de agradar a plateia com o que ela queria ouvir, o KRISIUN deixou boa parte do repertório de “The Great Execution” (2011) de lado para apostar em um set-list mais clássico. A faixa “Blood of Lions” foi a terceira e última música nova do repertório.

A verdade é que o KRISIUN tinha uma grande surpresa reservada para o público. Com o violonista Marcello Caminha no palco, a banda relembrou as suas raízes com a performance de “Minotaur”, recheada por elementos da música tradicionalista gaudéria. A ideia funcionou muitíssimo bem e o Opinião cantou junto com a banda o hino rio-grandense em uníssono também. Em seguida, “Bloodcraft” e “Kings of Killing” antecederam um sensacional solo de bateria comandado por Max Kolesne. Embora em um gênero que exige muita velocidade e pouca melodia, o baterista comprovou o porquê de ser constantemente apontado como um dos principais instrumentistas com as baquetas em punho. O encerramento do show foi com a certeira e esperada “Black Force Domain”.

Em pouco mais de uma hora, o KRISIUN deixou o palco do Opinião de alma lavada. Com uma agenda sempre cheia e com shows marcados principalmente no exterior, o retorno da banda a sua terra natal possui sempre um sabor especial: a satisfação por estar de volta era visível no rosto de cada um dos três integrantes do grupo. Por outro lado, o público pouco teve do que se queixar, pois os produtores da Noite Senhor F acertaram em cheio ao reunir no palco do Opinião a nata do thrash/death metal gaúcho e brasileiro. A oportunidade foi única e dificilmente se repetirá.

Set-list:

01. Ominous
02. Combustion Inferno
03. The Will to Potency
04. Vicious Wrath
05. Ravager
06. Descending Abomination
07. Hatred Inherit
08. Minotaur
09. Blood of Lions
10. Bloodcraft
11. Kings of Killing
12. Black Force Domain

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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