Maestrick: levando arte ao palco em início de turnê

Resenha - Maestrick (Bar Vila Dionísio, São José do Rio Preto, 29/04/2012)

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Por Júlio Verdi
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Muito se fala que o universo rock/heavy metal está estagnado, que nada de novo ou criativo se apresenta. Eu que acompanho a cena nacional vou sempre discordar disso. E na noite de domingo, 29 de Abril, presenciei uma apresentação, que pode com todo o direito do mundo usar a categoria "show" em sua referência e que corrobora a idéia de contradizer muita gente que reclama da falta de novidade.

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A banda Maestrick, de São José do Rio Preto-SP, que vem sendo considerada revelação em muitos braços da imprensa especializada, e teve muitas criticas altamente positivas por seu debut, "Unpluzzle!", lançado recentemente, estreou o show da turnê deste mesmo disco, em sua cidade natal neste domingo supracitado.

Muita gente poderia não colocar muito crédito ou parcialidade, por eu estampar tantos elogios a uma banda de minha cidade. Por isso, o desafio desta resenha, é alem de tentar transportar para o leitor o prazer de ver tão competente banda em ação, é conseguir defender a reflexão de que algo novo está sendo desenvolvido sobre os palcos undergrounds do país, e sim, carregando nas costas o rótulo heavy metal.

O Bar Vila Dionísio, local do show, é um pub já estabelecido há muitos anos na cidade, que abriga diariamente shows de artistas locais e nacionais. Mesmo que a constância sempre seja de bandas cover, esporadicamente traz shows de artistas que primam por seu trabalho próprio. Neste mesmo palco já pisaram Dr. Sin, Torture Squad, King Bird, Golpe de Estado, Kip Winger, Paul Dianno, Ripper Owens dentre outros. O público, invariavelmente jovem, forjado numa mescla de ávidos consumidores de rock e pessoas que apenas gostam de uma balada noturna (e suas características), que se juntam pra prestigiar, seja da maneira que for, as atrações que a casa oferece.

Mas, deixando apresentações regionais de lado, vamos partir logo pra descrever a estréia do Maestrick e seu show desta turnê, que vai percorrer em sua demanda outras cidades do país (vai tocar na edição 2012 do festival Roça and Roll, de Varginha-MG). Para uma casa lotada no sentido físico da coisa, as 23 horas o palco é invadido por um grupo de jovens dançarinos que se posicionam de maneira performática e enigmática, enquanto os PA´s aquecem a expectativa do público do que viria a seguir.

A concepção do disco é a idéia de se mesclar o teor lírico musical a outros campos da arte, como teatro, dança, ópera, artes visuais e cênicas. E o Maestrick quis levar esse cenário (dentro das possibilidades) para seu show. A banda adentra a palco sob os aplausos dos presentes, com forte apelo visual. Trajando vestimentas que remetem também à aura teatral, os músicos da banda se armam com seus instrumentos para logo a seguir começar o espetáculo, com a música que abre seu disco .U.H.C., um prog-metal pesado, sem muita introdução, para começar incendiando o set.

O telão de fundo alternava imagens que representavam os temas de cada música executada. O coro de três backing vocals femininas, que participaram do CD, também estava ali no palco e ao longo da apresentação mostraram-se elementos obrigatoriamente eficientes para total funcionalidade das músicas. O grande charme e diferencial do disco é sua variação musical, passeando e flertando por muitas vertentes, com referências a várias tendências. Por tratar-se de uma banda iniciante, com apenas um disco lançado, era natural que tal trabalho fosse executado em sua íntegra e assim foi, mas com a acertada decisão de fazê-lo de forma não sequencial. Assim, faixas como "Sir Kus", "Puzzler", as diretas e pesadas "Radio Aticve" e "Distúrbia" foram sendo colocadas com precisão no set. "Yellown and Ebrium", com a atuação performática (além da voz) de Fábio Caldeira (G/K) mostram algo que foi bem comum, dentre as músicas, os bailarinos voltavam com performances distintas, ora individuais, ora em grupo, com movimentos em cenas que casavam com a intenção lírica de cada canção.

A banda toda se mostrava excitada e com vontade de ter todo o acerto nessa abertura de turnê. Montanha (B), Heitor (D) e a dupla precisa e afiada de guitarristas, Paulo e Beto, que alternavam as complexas melodias de algumas passagens delicadas de algumas músicas, com solos e muito peso.

As emocionais "Treasures of the World" e "Pescador", essa última a única faixa totalmente em português, provou funcionar muito bem ao vivo, com seu forte refrão. Nessa faixa aliás, a emoção de Fábio ao dedicá-la a seu avô e um amigo recém falecido, era latente.

E a última faixa do disco, "Lake of Emotions" foi executada na íntegra com seus 21 minutos de pura variação. Nem mesmo um problema técnico de palco, que paralisou a faixa por alguns minutos, não tirou seu brilho nem o tesão que os músicos mostraram em completá-la.

O ponto clímax deste espetáculo musical/cênico/visual foi a execução de seu maior hit (pelo menos pra mim), "Aquarela", com grandes alternâncias vocais (principais e backings) e seu forte refrão. Pra fechar, de certa forma surpreendente (eu sempre vi muita influência de Queen em sua música) veio uma versão bastante fidedigna de "Boemian Raphsody", que agradou e muito a audiência. Este foi o segundo "cover" da noite, visto que jogaram uma versão personificada de "Rosa de Hiroshima", do Secos e Molhados, levado a cabo pelas três cantoras backing, (que também tiverem algumas intervenções em alguns dos vocais principais).

O Maestrick conseguiu mostrar que sua competência ao vivo consegue ser similar ao capricho que tiverem na produção de seu maravilhoso debut. A música levada a público, dada ao seu nível de complexidade, transborda nítidas evidências que seu sucesso foi fruto de muito ensaio, o que garante o entrosamento e atuação de cada músico.

Parabéns a todos os envolvidos, e desejo que todo amante de metal, rock, música e arte em geral tenha a chance de ver a banda ao vivo. Competência, dedicação e garra, fazendo de um show de rock, algo que vai além da música em si.

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Sobre Júlio Verdi

Júlio Verdi, 45 anos, consome rock desde 1981. Já manteve coluna de rock em jornal até 1996, com diversas entrevistas e resenhas. Mantém blogs sobre rock (Ready to Rock e Rock Opinion) e colabora com alguns sites. Em 2013 lançou o livro ¨A HISTÓRIA DO ROCK DE RIO PRETO¨, capa dura, 856 páginas, trazendo 50 de história do estilo na cidade de São José do Rio Preto/SP, com centenas de fotos, mais de 250 bandas, estúdios, bares, lojas, festivais e muitos outros eventos. Curte rock de todas as tendências, em especial heavy metal e thrash metal.

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