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Sebastian Bach em SP: não mais jovem, mas Wild como nunca!

Resenha - Sebastian Bach (Carioca Club. São Paulo, 14/04/2012)

Por Rafael Tavares
Em 18/04/12

O que falar da apresentação de Sebastian Bach na noite de 14 de Abril no Carioca Club, em SP? Sensacional, incrível, emocionante, inesquecível são adjetivos que simplesmente não fazem juz ao que o público que lotou a casa de show presenciou.

Texto e fotos: Rafael Tavares

Antes de começar de fato a resenha, gostaria de fazer alguns comentários acerca da produção. Infelizmente Sebastian Bach é um nome incrivelmente subestimado nessa terrinha nossa, amada, idolatrada, salve-salve, BraZil.

Uma pessoa com o talento do Sebastian Bach, com o público que ele tem no país – capaz de tocar em lugares muito melhores do que o pulgueiro que é o Carioca club, um lugar completamente desorganizado – tem de se submeter a fazer um show cedo e curto, pois agendaram seu show numa casa que, mais tarde, teria um show de pagode, para poder excursionar num nos lugares em que ele mais se sente bem tocando. Produtores bundões, como os que trouxeram o Bach, deveriam focar sua energia, tempo e dinheiro produzindo shows de bandas cover, pois é mais de seu naipe.

Além de ser desumano agendar um grande número de shows em dias seguidos – estive no aeroporto de Guarulhos e tive o prazer de, pela 3ª vez, encontrar com o "Tião" e seu cansaço era visível mas, mesmo assim, não recusou parar 10 minutos para atender seus fãs, tirar fotos e dar autógrafos. "Fazer esses shows seguidos desse jeito é ridículo", ele disse. Acontece que Sebastian Bach é muito maior do que isso e quando sobe naquele palco ele dá 110% e soa impecável, dominando o público como poucos conseguem.

E agora começa a resenha.

A abertura ficou por conta da boa Madjoker, que, apesar de não ter empolgado tanto o público com suas músicas autorais, levou o lugar abaixo com os muito bem executados covers de Fuel (Metallica) e You Could be Mine (Guns N’ Roses). A banda tem futuro se decidirem investir em um trabalho sério, e espero vê-los novamente, mais amadurecidos e desenvolvidos, pois potencial para isso eles têm. Uma "brisa de ar fresco" no meio de tanta banda-nova-porcaria no cenário nacional.

Pouco depois das 20h as luzes se voltam para a cortina que cobria o palco e começa a introdução de "Rock and Roll", do disco "Bring ‘em Bach Alive", seguida por "Slave to the Grind", "Kicking and Screaming" e "Dirty Power". Um chute na cara de todos que estavam alí presentes. Também foram executadas músicas da era do Skid Row como "Big Guns" e "Here I Am", mas o foco do show, felizmente, foi tocar material de sua carreira solo. Todavia, o ponto alto do show, que pegou todos de surpresa, foi o medley, a capella, de "Wasted Time", "In a Darkened Room" e "By Yourside", antes da excelente "As long as I got the Music". Simplesmente emocionante. Muitos foram às lágrimas nessa hora, inclusive este que vos escreve.

Sobre a banda, não há muito o que falar. Apesar de ser fã da formação que gravou "Angel Down" (com Metal Mike na guitarra e Steve Digiorgio no baixo), a formação atual, que conta com Bobby Jarzombek na bateria, Johnny Chromatic na guitarra e vocais, Jason Christopher no baixo e o menino prodígio Nick Sterling na guitarra, soa simplesmente unida, fechada...redonda feito uma cerveja de verdade bem gelada (coisa que, aliás, não existia no Clube). Os músicos que acompanham "Tião" foram muito bem recebidos pelo público, especialmente Nick Sterling, que ganhou até uma faixa com seu nome – devidamente destacada por Bach durante um dos solos.

O carisma e o talento de Sebastian Bach merecem um parágrafo à parte. Aquele cara sabe como controlar o público e mantê-lo na palma da mão. Fez piada antes de "(Love is a) Bitchslap" dizendo que tinha um convidado especial "Ax...não, não. Axl no momento está muito ocupado mandando os babacas do Hall da Fama se foderem", quando tocou a citada música seguida da insana "Stuck Inside", que também conta com os vocais do Axl no disco, cujos versos foram cantados pelo público para a surpresa e admiração de Sebastian. Claro que uma bandeira do Brasil com o apelido de "Tião" se fez presente, e Sebastian brincou falando que faria uma tatuagem com seu nome em Português. É esperar para ver. Sobre a voz/performance, como de praxe: perfeito. Fazer três shows seguidos, em três países diferentes, enfrentando rotina de hotel, translado, show, recuperação pós show, hotel e aeroporto novamente para repetir essa rotina mais duas vezes num período de 72 horas e, mesmo assim, cantar da forma impecável por aproximadamente 1h30 é para poucos. E estamos falando de um vocalista que já passou da barreira dos 40 anos (Sebastian tem 44 anos) mas que, sabe-se lá como, consegue manter o fôlego que tinha no auge do Skid Row, vinte anos atrás. Infelizmente Sebastian é um dos vocalistas mais subestimados da história do Rock... deveria estar no mesmo patamar de gênios como Freddie Mercury, Robert Plant, Ronnie James Dio, Steven Tyler, Bruce Dickinson e Axl Rose (sim, AXL FUCKING ROSE. Doa a quem doer).

Outro parágrafo à parte se faz necessário para os maiores clássicos do Skid Row: "18 and Life" e "I Remember You", cantadas em uníssono pelos fãs, e "Youth Gone Wild", que encerrou a noite com toda a fúria que os fãs ainda tinham guardado para concretizar o quão importante é esta figura para a história do Rock and Roll.

Comentários extras sobre o show: tive a oportunidade de conhecer o Otávio Augusto, cooperador do Whiplash.net, antes do show, quando conversamos a respeito do cenário musical e foi bom compartilhar ideias com ele a respeito de vários assuntos – como o Whiplash.net, inclusive. Outro comentário que vale ser feito é o pedido para que os produtores que possam vir a ler esta ou qualquer resenha dos shows do Sebastian Bach: coloquem em suas cabeças que ele é um artista de renome, com um público fiel no Brasil, e que merece tocar em lugares à sua altura, e não ser tratado como uma banda de garagem em seus primeiros shows de início de carreira. O mesmo para a representante da gravadora de Sebastian no Brasil, que demorou uma eternidade para lançar "Kicking and Screaming" no por aqui. Fatos como esse corroboram para que o "Tião" não possa tocar em lugares melhores. Há muito sobre o que refletir a esse respeito. Mas, como diz o próprio Sebastian Bach: "Enquanto eu tiver a música me guiando, nada me incomodará!"

Banda:

Sebastian Bach – Vocais
Nick Sterling – Guitarra e backing vocals
Johnny Chromatic – Guitarra e backing vocals
Jason Christopher – Baixo
Bobby Jarzombek – Bateria

Setlist:

Intro ("Rock and Roll", de "Bring ‘em Bach Alive")
Slave to the Grind
Kicking and Screaming
Dirty Power
Here I Am
Big Guns
(Love is a) Bitchslap
Stuck Inside
Piece of Me
18 and Life
American Metalhead
Medley a capella: Wasted Time/In a Darkened Room/By Your side
As long as I Got the Music
Monkey Business
My Own Worst Enemy
I’m Alive
I Remember You
Tunnelvision
Youth Gone Wild

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Sobre Rafael Tavares

Nascido em 1987, descobri o rock and roll já cedo, aos 6 anos de idade, quando ouvi "I Don't Care About You" com o Guns N' Roses em algum momento de 1993. De lá pra cá minha paixão pela música pesada e, especialmente pelo Guns N' Roses (que estará para sempre marcado em minha pele, alma e coração) cresceu exponencialmente. Sebastian Bach me fez querer virar cantor e o resto é história. Produtor fonográfico, formado em Letras e professor. Tão diversificado quanto o Rock and Roll, essa é minha vida, esse é meu clube. =D

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