Paul DiAnno: excessos e o fantasma chamado Iron Maiden

Resenha - Paul Di'Anno (Beco 203, São Paulo, 09/10/2011)

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Por Durr Campos
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Paul Dianno é um cara encrenqueiro, turrão, teimoso, beberrão e sabe-se lá mais o quê. Só que, além dos predicados acima, o sujeito é muito talentoso. Dono de um timbre de voz único, o inglês resmungão sempre será lembrado por ter gravado nada mais nada menos que os dois primeiros álbuns de estúdio do Iron Maiden, os atemporais Iron Maiden (1980) e Killers (1981). Após ser expulso da Donzela por envolvimento com drogas, registrou material de considerável qualidade – especialmente o debut solo Di’Anno (1984) e o irretocável Fighting Back (1986), de seu Battlezone -, realizou algumas turnês, mas no fim das contas sua carreira resumiu-se a ser eternamente o ex-vocalista do Maiden. Como já faz um tempo que ele nem se importa com isso, novamente veio ao Brasil para uma série de apresentações, tendo reservado o domingo, 9 de outubro, para seus fãs na capital paulista.

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Texto: Durr Campos/ Fotos: Pierre Cortes

Localizado na famosa Rua Augusta, centro de São Paulo, o Beco 203 recebeu poucos seguidores de Paul, mas se formos levar em conta o entusiasmo do público o saldo foi bastante positivo.


Já passava das 22h quando o Scelerata iniciou seu curto, porém interessantíssimo set. Os gaúchos possuem uma sólida carreira com mais de uma década na estrada e dois discos editados, sendo que o terceiro, gravado na Alemanha sob a produção do renomado Charlie Bauerfiend (Angra, Helloween, Blind Guardian, Viper, Gamma Ray, HammerFall, etc.) deve sair a qualquer momento. Canções do Darkness & Light (2006) e Skeletons Domination (2008), mescladas à excelente versão para “Hell Patrol” do Judas Priest, aqueceram a plateia e mostraram o porquê do prestígio alcançado. Destaques aos cinco integrantes: o vocalista Fabio Juan, o baixista Gustavo Strapazon, o baterista Francis Cassol e os virtuosos guitarristas Magnus Wichmann e Renato Osorio.


Cerca de uma hora após, à exceção do Fabio, o Scelerata estava de volta como banda de apoio à atração principal. Os excessos já são latentes no físico de Paul DiAnno, prova disso foi a dificuldade com que o cantor foi conduzido pelo roadie até a lateral do palco. Visivelmente irritado, parecia reclamar de alguma coisa. Enquanto isso os músicos tocavam a maravilhosa instrumental “The Ides of March”. Pouco após a seguinte, “Mad Man in the Attic”, descobrimos a causa de tanta birra: o local. Nas palavras do próprio, “preferiria estar tocando no Manifesto”, algo que nem importava ao público, que estava ali apenas pela música e tomar umas cervejas. Nada melhor que hinos do quilate de “Prowler”, “Muders in the Rue Morgue”, “Purgatory” (foda!) e “Strange World” para dar o toque necessário que o momento exigia.


Paul brincou bastante, misturou um português macarrônico com sua língua nativa, comemorou a vitória do seu time brasileiro predileto (nota do redator: reservo-me ao direito de não mencionar por ser torcedor de seu principal adversário) e contou algumas histórias hilárias de sua vida conjugal. “Children of Madness”, do homônimo disco do Battlezone lançado em 1987, foi uma grata surpresa, mas nada se compara ao impacto que “Remember Tomorrow” causa. Dotada de rara beleza, esta pérola é certamente uma das baladas mais queridas do heavy metal de todos os tempos. Dali a diante foi apenas hit após hit: “Genghis Khan”, a obrigatória “Wrathchild”, “Drifter”, que ele disse não gostar, “Charlotte The Harlot”, apresentada como “a canção que fala sobre minha mina predileta”, o petardo “Killers”, a épica “Phantom of the Opera” e uma das mais celebradas, a ótima “Running Free”, que ajudou a batizar a turnê atual, “Running Free Again”.


Em tempo, logo que chegamos ao Beco 203 observamos o set-list colado ao chão do palco e percebemos que haveria um encore contendo três canções: “Transylvania”, “Sanctuary” e o cover dos Ramones, “Blitzkrieg Bop”. Uma pena o Paul ter desistido delas, pois fôlego a turma ali presente tinha de sobra. Ótima pedida para fechar um domingo chuvoso.

Set-list

The Ides of March
Mad Man in the Attic
Prowler
Marshall Lockjaw
Murders in the Rue Morgue
Purgatory
Strange World
The Beast Arises
Children of Madness
Remember Tomorrow
Genghis Khan
Wrathchild
Drifter
A Song for You
Charlotte The Harlot
Killers
Phantom of the Opera
Running Free

Encore (que não aconteceu)

Transylvania
Sanctuary
Blitzkrieg Bop

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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