Matanza: show apocalíptico no Circo Voador no Rio
Resenha - Matanza (Circo Voador, Rio de Janeiro, 20/05/2011)
Por Marcelo Fernandes
Postado em 28 de maio de 2011
E o mundo não acabou. Embora para o rock brasileiro, dominado por coloridos e covers vergonhosos de clássicos gringos (vide Tico Santa Cruz destruindo AC/DC), fosse melhor que o apocalipse viesse no último sábado. Porém, no dia anterior, o MATANZA realizou um show que desse motivos para que a Humanidade continuasse a caminhar sobre este planeta esquecido.
A banda carioca é provavelmente hoje a maior do rock nacional, alternativa ou não. Caso discorde, responda sem pensar: qual outro grupo encheria o tradicional palco do Circo Voador, no bairro da Lapa no Rio de Janeiro, com cerca de três mil camisas pretas cantando suas músicas antes mesmo de subir ao palco?
Antes disso, houve apresentações do Cabrones Sarnentos e da cascuda banda de Saravá Metal Gangrena Gasosa (sempre ótimos), entremeadas de apresentações da pin-up Sweetie Bird para os onanistas de plantão.
Quase às duas da manhã daquele que seria o dia do Juízo Final, Jimmy e seus asseclas (desfalcados do guitarrista e principal compositor Donida, que cansou de shows) subiram no palco do Circo. E não teve nem "boa noite" na entrada. Uma porrada com "Remédios Demais", seguida de "Ressaca Sem fim", e outras três emendadas uma na outra, sem pausas. Até começar a brincadeira de pega-pega entre um público ávido por dar um mosh empolgado com as canções e seguranças tentando impedir.
Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Quando um mais afoito quase brigou com a equipe do "apoio", houve a primeira interrupção do show, quando o gigantesco vocalista e sua voz de trovão (um pouco forçada para dar veracidade ao personagem Jimmy) recrimina a atitude... do público. Peraí, isso não é um show de rock? E shows de rock não podem mais ter mosh?
Mas o vocalista era a estrela da noite, muito bem assessorado pela guitarra rápida de Maurício Nogueira, e pela cozinha composta baixista China e o batera Jonas, o MATANZA misturou antigos sucessos com as novas do disco "Odiosa Natureza Humana". Inclusive, "Remédios Demais" abriu o show, e foi cantada pelo público do início ao fim, como outras do mesmo CD. Novamente pergunto: qual outra banda pode se dar ao luxo de ter praticamente todas as músicas de um trabalho recém-lançado cantadas por três mil pessoas?
Por essas e outras, talvez o MATANZA nem seja mais uma banda de rock, e tenha se transformado numa empresa, numa marca, que vende um estilo de vida que nem seus integrantes consumam mais (Jimmy bebeu várias garrafas de água durante o show, e já deu várias entrevistas dizendo que não bebe mais, ou não tanto quanto se suporia pelas canções).
Mas nada disso importava para quem estava lá, curtindo, dançando na roda apertada pela lotação praticamente esgotada ou até mesmo impedido de dar mosh. Para o público, o que importava era uma luz negra no fim do túnel da colorida e bunda-mole do rock and roll nacional.
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