Matanza: show apocalíptico no Circo Voador no Rio
Resenha - Matanza (Circo Voador, Rio de Janeiro, 20/05/2011)
Por Marcelo Fernandes
Postado em 28 de maio de 2011
E o mundo não acabou. Embora para o rock brasileiro, dominado por coloridos e covers vergonhosos de clássicos gringos (vide Tico Santa Cruz destruindo AC/DC), fosse melhor que o apocalipse viesse no último sábado. Porém, no dia anterior, o MATANZA realizou um show que desse motivos para que a Humanidade continuasse a caminhar sobre este planeta esquecido.
A banda carioca é provavelmente hoje a maior do rock nacional, alternativa ou não. Caso discorde, responda sem pensar: qual outro grupo encheria o tradicional palco do Circo Voador, no bairro da Lapa no Rio de Janeiro, com cerca de três mil camisas pretas cantando suas músicas antes mesmo de subir ao palco?
Antes disso, houve apresentações do Cabrones Sarnentos e da cascuda banda de Saravá Metal Gangrena Gasosa (sempre ótimos), entremeadas de apresentações da pin-up Sweetie Bird para os onanistas de plantão.
Quase às duas da manhã daquele que seria o dia do Juízo Final, Jimmy e seus asseclas (desfalcados do guitarrista e principal compositor Donida, que cansou de shows) subiram no palco do Circo. E não teve nem "boa noite" na entrada. Uma porrada com "Remédios Demais", seguida de "Ressaca Sem fim", e outras três emendadas uma na outra, sem pausas. Até começar a brincadeira de pega-pega entre um público ávido por dar um mosh empolgado com as canções e seguranças tentando impedir.
Quando um mais afoito quase brigou com a equipe do "apoio", houve a primeira interrupção do show, quando o gigantesco vocalista e sua voz de trovão (um pouco forçada para dar veracidade ao personagem Jimmy) recrimina a atitude... do público. Peraí, isso não é um show de rock? E shows de rock não podem mais ter mosh?
Mas o vocalista era a estrela da noite, muito bem assessorado pela guitarra rápida de Maurício Nogueira, e pela cozinha composta baixista China e o batera Jonas, o MATANZA misturou antigos sucessos com as novas do disco "Odiosa Natureza Humana". Inclusive, "Remédios Demais" abriu o show, e foi cantada pelo público do início ao fim, como outras do mesmo CD. Novamente pergunto: qual outra banda pode se dar ao luxo de ter praticamente todas as músicas de um trabalho recém-lançado cantadas por três mil pessoas?
Por essas e outras, talvez o MATANZA nem seja mais uma banda de rock, e tenha se transformado numa empresa, numa marca, que vende um estilo de vida que nem seus integrantes consumam mais (Jimmy bebeu várias garrafas de água durante o show, e já deu várias entrevistas dizendo que não bebe mais, ou não tanto quanto se suporia pelas canções).
Mas nada disso importava para quem estava lá, curtindo, dançando na roda apertada pela lotação praticamente esgotada ou até mesmo impedido de dar mosh. Para o público, o que importava era uma luz negra no fim do túnel da colorida e bunda-mole do rock and roll nacional.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Rock in Rio anuncia lineup dos palcos principais nas duas noites voltadas ao rock
A música que Angus Young diz resumir o AC/DC; "a gente estava ralando, fazendo turnê demais"
A exigência de John Petrucci que Mike Portnoy aceitou ao voltar para o Dream Theater
As 10 melhores bandas de thrash metal de todos os tempos, segundo o Loudwire
Sepultura anuncia que show no Rock in Rio será o penúltimo da carreira
Dez bandas que apontam para a renovação do Rock Nacional cantado em português
Knotfest México anuncia atrações para sua edição 2026
O maior frontman da história do rock, de acordo com o Loudwire
Cinco discos lançados em 2026 que merecem sua atenção
A melhor música de "No Prayer for the Dying", do Iron Maiden, segundo o Loudwire
O cantor que Brian Johnson do AC/DC acha a voz bonita demais para competir: "Não é justo"
A banda brasileira que "faz o Sepultura parecer o Bon Jovi", segundo a Metal Hammer
A música do Rush inspirada por "Kashmir", do Led - e também por uma revista "diferente"
A banda que morreu, renasceu com outro nome e mudou a história do rock duas vezes
O único álbum do Dire Straits que Mark Knopfler consegue ouvir: "Não gosto dos discos"
O solo de guitarra que está em uma música do The Doors, do Kiss e do Pearl Jam
A música que foi feita para preencher espaço em disco e virou um dos maiores clássicos do rock
Tony Iommi escolhe seu riff preferido, assim como o riff que não foi escrito por ele


Matanza: os brutos também amam e "O último Bar" prova isso
A banda de rock nacional que nunca foi gigante: "Se foi grande, cadê meu Honda Civic?"
As três bandas clássicas que Jimmy London, do Matanza Ritual, não gosta
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista



