Doro: Rainha do metal domina palco e encanta platéia em SP
Resenha - Doro Pesch (Carioca Club, SP, 24/04/2011)
Por Paulo Roberto P. Ferreira
Postado em 25 de abril de 2011
Após um longo atraso de mais de uma hora e meia, segundo circulava na casa por conta do caos aéreo noticiado durante os feriados no Brasil, foi a vez dos paulistas acompanharem em pleno domingo de Páscoa o que cariocas já tinham curtido no dia de Tiradentes e maranhenses tiveram o prazer de assistir no Sábado de Aleluia.
Doro Pesch, "The Metal Queen", como é conhecida entre os roqueiros, fechou sua turnê brasileira em solo paulistano, curiosamente no palco de um local chamado Carioca Club, que vem ganhando espaço na realização de eventos do gênero com procura estimada em até duas mil pessoas e comportou muito bem o público e o som pesado da banda que acompanha a brilhante vocalista alemã.
Pela primeira vez no Brasil como atração principal (a loira já havia aportado por nossas terras como uma das atrações do Live ´N´ Louder 2006), Doro Pesch está longe de contar por aqui com a legião de fãs que merecia, em quantidade, não qualidade, no que pese a empolgação da carismática cantora ficar acima da média até mesmo do comportamento do público durante um show, nem tanto por culpa da reconhecidamente animada platéia daqui, mas sim porque a energia da "frontwoman" é realmente fora de série.
Com um longo setlist cheio de clássicos da sua ex banda Warlock e outros de sua carreira solo, o destaque fica para a faixa "All We Are" como a responsável pela maior resposta do público em agitação e volume.
Doro mostrou que não é uma vocalista comum, sua voz é peculiar, doce e extremamente potente ao mesmo tempo, ela não faz gutural, nem segue a moda lírica que surgiu quando ela já era rainha com seu próprio estilo, o de adequar a própria voz e sua capacidade de variação para as canções que executa.
Não à toa, a inclusão de duas músicas covers em suas apresentações são originalmente pérolas do rock na voz de dois dos maiores ícones de toda a historia do metal. "Breaking The Law" do Judas Priest, banda de Rob Halford, ganhou uma versão exuberante adaptada para os potentes vocais femininos da alemã e em "Egypt (The Chains are On)", Doro presta tributo a ninguém menos que Ronnie James Dio, o qual ela mesma define como sua grande inspiração, o maior do gênero, e justamente faz com que a platéia se manifeste fervorosamente em memória do cantor no momento mais emocionante do show. Mas vale destacar: a cover do clássico de Dio é anterior a passagem do mito, de modo que o pequeno grande vocalista pôde conferir em vida a versão de sua leal amiga e fã declarada.
Tudo bem que era o último dia de um longo feriado prolongado e a cidade fica vazia, mas em um mundo perfeito, onde a música de qualidade fosse prioridade sobre as comerciais, Doro Pesch e sua banda teriam deixado algum palco em São Paulo aplaudidos por pelo menos mais de cinco mil pessoas após os últimos acordes de "Unholy Love", canção que fechou o concerto, porém, certamente os pouco mais de mil headbangers que foram ao Carioca Club esperavam ver uma lenda e saíram com a constatação de que essa lenda é real.
A mulher canta demais! Ao vivo? Encanta ainda mais! De perto, sem edições, Doro é deusa, se transforma em algo incomum no palco. Chega a ser simples de tão simpática, embora tratada como rainha por ser top no que faz.
Carismática e imponente conquista a idolatria de seu público. Sua performance conferida in loco supera as mais altas expectativas de quem já vai motivado pelo que conhece de LPs, CDs ou DVDs.
Earthshaker Rock
I Rule the Ruins
East Meets West
Hellbound
The Night Of The Warlock
Burning The Witches
Running From The Devil
Egypt (The Chains Are On) (Dio cover)
Für Immer
Wacken Hymne (We are the Metalheads)
True As Steel
Metal Racer
Haunted Heart
You're My Family
Breaking The Law (Judas Priest cover)
All We Are
Fight For Rock
Love Me In Black
Metal Tango
Unholy Love
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