Capital Inicial: fotos e resenha da apresentação em POA

Resenha - Capital Inicial (Pepsi on Stage, Porto Alegre, 16/07/2010)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Com o acidente de Dinho Ouro Perto – em outubro de 2009 –, o futuro do CAPITAL INICIAL parecia incerto. O cantor, que caiu de uma altura de três metros durante um show em Minas Gerais, precisou ficar internado por mais de um mês para se recuperar de um traumatismo craniano e de uma fratura na costela. No entanto, poucos meses depois, a banda surpreendeu a todos com o lançamento do disco “Das Kapital” e com o início de mais uma turnê.

Fotos: Denis Azevedo

Um dos primeiros shows da turnê de “Das Kapital” foi realizado em Porto Alegre, no Pepsi on Stage, diante de cerca de três mil pessoas. Entre os presentes, estava gente de todas as faixas etárias – de adolescentes a adultos – verdadeiros fãs da banda, que conheciam os maiores sucessos do grupo ou que apenas queriam curtir e dançar. O CAPITAL INICIAL, formado em Brasília em 1983, trouxe para a capital gaúcha 1h45 de música, intercalando músicas antigas (e/ou praticamente esquecidas) e clássicos absolutos com algumas releituras.

De qualquer forma, os gaúchos não se importaram com o frio e com a chuva fina que caía durante a noite do show. O público, que começou a entrar no Pepsi desde as 20h, precisou aguardar até a meia-noite para o início do espetáculo. A festa de abertura, programada para ser realizada às 22h30 por Alexandre Fetter (Atlântida FM), deixou de fazer parte do repertório da noite, aparentemente sem explicação. No entanto, na hora prevista Dinho Ouro Preto (vocal), Yves Passarell (guitarra), Flávio Lemos (baixo) e Fê Lemos (bateria) – acompanhados dos músicos contratados Fabiano Carelli (guitarra) e Robledo Silva (teclado) – iniciaram a apresentação com o tema “Smells Like Teen Spirit” (do NIRVANA) como introdução para o CAPITAL INCIAL.

É verdade que a qualidade do som deixou a desejar do início ao fim do show. No entanto, o quinteto mostrou esforço – mesmo com os fortes indícios de Dinho estar gripado – desde o início do espetáculo. Embora “Ressurreição”, música do novo disco, tenha sido utilizada para abrir o show, ela não demonstrou que o público conhece suficientemente bem as novas composições do CAPITAL INICIAL. De forma incomparável, os gaúchos agitaram com as faixas mais conhecidas, como “Quatro Vezes Você”, executada em seguida. Certamente, o rock n’ roll do 12º álbum do grupo brasiliense possui qualidades evidentes. “Como Se Sente”, outra retirada de “Das Kapital”, mostrou esses indícios de forma bastante clara.

No telão colocado ao fundo do palco, imagens ilustravam cada composição presente no repertório. As fotos de dinheiro e de indicadores econômicos adiantaram a próxima atração: “Que País é Este”, a primeira releitura da noite. Não há dúvidas de como essa música agitou, mais uma vez, os presentes. De outro lado, “Respirar Você”, do álbum “Gigante” (2004), foi, novamente, incomparável à resposta que teve “Natasha”, faixa que veio logo em seguida. A banda, que privilegiava no início do show suas composições mais pesadas, curtas e certeiras, não abriu mão explorar também o (talvez) maior sucesso do disco “Acústico MTV”, de 2000.

Somente no início da próxima música – e com cerca de vinte minutos de apresentação – que a banda se dirigiu pela primeira vez à plateia gaúcha. Um fato que, diga-se de passagem, é relativamente perturbador, ainda mais por se tratar de uma banda brasileira, tão acostumada de se apresentar ao vivo. Depois de agradecer e de desejar boas vindas aos fãs, o CAPITAL INICIAL relembrou uma das suas primeiras composições, “Leve Desespero”, presente no primeiro registro da banda, comercializado em vinil em 1984. A figura carismática de Dinho Ouro Preto se mostrou fundamental para o sucesso ao vivo da banda, ainda mais na faixa seguinte: a balada “Vamos Comemorar”, outra extraída do novo “Das Kapital”.

Depois de “Fogo” (do “Você Não Precisa Entender”, de 1988) e “Não Olhe Para Trás” (do “Gigante”, 2004), o (provável) maior momento do show. Com “Primeiros Erros (Chove)”, o CAPITAL INICIAL contou com o suporte incondicional da plateia, que cantou o refrão e embalou as melodias com as mãos levantas. Nas palavras do vocalista, um momento comovente de ver, de cima do palco, essa interação tão forte com o público. Do álbum novo ainda veio “Marte em Capricórnio”, antes do anúncio de outras releituras. Com “Fátima” e “Veraneio Vascaína” – ambas da percussora banda ABORTO ELÉTRICO – o grupo contou com a voz dos fãs, que chegaram a entoar sozinho diversos trechos de “Fátima”. No repertório, uma outra releitura: “Mulher de Fases”, do RAIMUNDOS, que contou novamente com a participação da plateia gaúcha.

Na parte final da apresentação, outros dois sucessos do recente período da banda: “O Mundo” e “À Sua Maneira”. Com 1h15 de show, o CAPITAL INICIAL encerrou o espetáculo com o mais novo hit “Depois da Meia-Noite”, que comprova que a banda consegue emplacar sucessos a cada disco novo. O público, que pedia pela continuação do show, interagiu com a banda também no bis, em que os caras relembraram dois grandes sucessos do passado: “Todas as Noites” (1991) e “Independência” (1987) – na sua versão rock e não acústica. Depois da despedida da banda, Dinho Ouro Preto permaneceu em palco para uma homenagem a Renato Russo (o compositor completaria cinquenta anos em 2010). Com a plateia cantando junto, uma versão reduzida (e a cappella) de “Por Enquanto”, do LEGIÃO URBANA, foi relembrada. Com a despedida de Dinho, o público começou a deixar o Pepsi on Stage. No relógio 1h40.

Entretanto – para a surpresa de todos os presentes – a banda retorna ao palco para um trecho da matadora “Whola Lotta Love”, do LED ZEPPELIN. A surpresa, que deixou a plateia na expectativa para outras composições, ainda se estendeu para mais uma releitura: “Boulevard of Broken Dreams”, do GREEN DAY, com apenas Dinho Ouro Preto (e violão) no palco. Depois de executar um trecho da música (e maior, se comparado com o do LED ZEPPELIN), Dinho definitivamente se despediu dos gaúchos às 1h45. Com as luzes da casa acesas, os gaúchos puderam voltar à rua para enfrentar novamente o frio e a chuva que caía sobre a cidade, após presenciar um excepcional show do CAPITAL INICIAL.

No entanto, uma consideração importante precisa ser feita sobre um aspecto bastante precário do espetáculo: a sua produção. Depois de confirmar com o Whiplash! o credenciamento da nossa equipe por telefone, nenhum representante da TSO Produtora esteve presente no local com a lista de autorizados a cobrir o show. Não apenas nós, mas diversos outros veículos especializados foram deixados à própria sorte ao lado de fora do Pepsi, sem nenhuma perspectiva. Em nome do Whiplash!, agradecemos a Opinião Produtora, que assumiu a responsabilidade de concretizar a realização do evento e que autorizou a cobertura do espetáculo sem maiores transtornos dentro do local. De um amadorismo sem tamanho – e de uma falta de respeito inimaginável – quando, até mesmo vencedores e promoções, que envolviam ingressos e diretamente a TSO, foram (até mais) prejudicados que a imprensa. Não é apenas lamentável encerrar o texto com essas palavras, como ainda é pior presenciar situações e atitudes como essa.

Set-list Capital Inicial:

01. Ressurreição
02. Quatro Vezes Você
03. Como Se Sente
04. Que País é Este
05. Respirar Você
06. Natasha
07. Como Devia Estar
08. Leve Desespero
09. Vamos Comemorar
10. Fogo
11. Não Olhe Pra Trás
12. Primeiros Erros (Chove)
13. Marte em Capricórnio
14. Fátima (Aborto Elétrico)
15. Veraneio Vascaína (Aborto Elétrico)
16. Mulher de Fases (Raimundos)
17. O Mundo
18. À Sua Maneira
19. Depois da Meia-Noite
20. Todas as Noites
21. Independência
22. Por Enquanto (Legião Urbana)
23. Whole Lotta Love (Led Zeppelin)
24. Boulevard of Broken Dreams (Green Day)

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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