Hard Legends Party: Eric Martin e Jeff Scott Soto em SP

Resenha - Hard Legends Party (Carioca Club, São Paulo, 23/05/2010)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Ana Clara Salles Xavier
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.









Domingo friorento em São Paulo: confere. Público nota 10: confere. Organização do evento: confere. Shows com dois grandes vocalistas na segunda edição da Hard Legends Party: confere.

Fotos: Alexandre Cardoso

Quem compareceu ao último show do Eric Martin em 2008, presenciou uma apresentação animada, mas com a organização que deixou muito a desejar. Quem não se lembra da mais de uma hora de atraso do show em pleno domingo? Dessa vez, foi bem diferente.

O Carioca Club tem sido escolhido constantemente para receber shows de, digamos, “menor porte”, como por exemplo os de Vince Neil este ano, e Evergrey e Moonspell no ano passado. Apesar de ser uma casa de shows essencialmente de samba e pagode, o local comporta bem o público e mostra ser uma boa opção, especialmente por ser de fácil acesso, ainda mais agora que a estação Faria Lima do metrô foi inaugurada.

Já com a casa cheia, às 19:10 o telão que transmitia esportes no palco levantou-se e Eric Martin, eterno vocalista do Mr. Big, surgiu diante de aproximadamente 400 pessoas. Com quase 50 anos, o cara tem energia de deixar qualquer menininho de 20 anos com uma invejinha nada branca. Pulando, cantando muito bem, simpático como das outras vezes, Eric comandou o público durante todo seu set, apesar de ter demorado um pouco pra galera se empolgar, talvez pelo fato de que o começo do show foi apenas com músicas de sua carreira solo. Conversando o tempo todo com a platéia, vindo para a frente do palco diversas vezes, ele parecia visivelmente feliz por estar ali.

Sua banda é muito competente: o baixista Mark, com seu visual de atendente de help-desk, toca muito bem e tem uma bela voz, afinada e cravada com a de Eric. O jovem baterista Pablo completa a cozinha, e o guitarista Mark Holley, apesar de não ser tão virtuoso como Paul Gilbert ou Ritchie Kotzen, não comprometeu.

“Take Cover” e “Superfantastic” foram alguns dos pontos altos do show. Aliás, vale – e muito – mencionar a qualidade acústica do Carioca Club. Os técnicos conseguem manter uma regularidade e isso é um dos fatos que atrai os produtores para marcarem seus shows lá.

A banda ensaiou “Shine”, mas parou, para a decepção de alguns (a minha, por exemplo). Eric disse que sem o Mr. Big não ia rolar, mas aproveitou para dar uma notícia que animou bastante o público: a banda vai se reunir (de novo!) e entrará em estúdio em setembro desse ano para gravar um novo álbum. Depois, caem na estrada, e segundo palavras do cara, obviamente a turnê passará pela América do Sul. Mas isso, só em 2011...

“Promisse Her The Moon” também estava no set list, e foi o momento ideal para todos os casais aproveitarem a trilha sonora e o tempinho frio tão convidativo para ficarem mais juntos. Outra balada dos tempos de Mr. Big, “Wild World”, arrancou gritos das fãs mais exaltadas. Eric pediu a ajuda de todos para a melodia do refrão, pois disse que era muito rápido para ele tocar no violão. A platéia participou, não só com o coro, mas com palmas, assovios e ainda mais gritos.

Quem aguardava o encerramento do primeiro show da noite com “Daddy, Brother, Lover, Little Boy” ou mesmo o sucesso “To Be With You”, deve ter se decepcionado um pouco. Mal sabiam a surpresa que estava por vir.
Com um show de um pouco mais de uma hora, Eric Martin mais uma vez mostrou que está em plena forma, com uma voz impecável, muita energia e um carisma que ainda arranca suspiros da mulherada.

Terminado o primeiro show, era hora de aguardar pelo gran finale da noite: Jeff Scot Sotto. Sim, o cara é praticamente brasileiro de tantos shows que já fez por aqui, mas fã que é fã assiste o ídolo quantas vezes for preciso. Eu particularmente nunca tinha visto o cara ao vivo (vergonha de mim mesma, eu sei), por isso digo que fiquei impressionada com a receptividade do público. E é absurda a presença de palco e simpatia desse cara.

Após uma breve intro (com um som poderoso saindo das caixas de som), Jeff aparece e é instantaneamente ovacionado pela platéia, com muitos gritos e aplausos. A impressão era de que a apresentação de Eric Martin foi um aquecimento. “21st Century”, do álbum “Beautiful Mess” foi a primeira música, seguida por “Soul Divine”, “Eyes Of Love”, “No Salvation”, “Warrior/Living The Life”. Jeff comanda o show de um jeito que é impossível tirar os olhos dele: seu carisma é invejável e sua voz é um absurdo. Junte a um vocalista desse porte, uma banda de excelente músicos, formada pelos espanhóis Jorge Salan (guitarra) e Fernando Manier (baixo) e pelos brasileiros B.J. (guitarra e teclados) e Edu Comminato (bateria). Todos tocam com muita pegada e o entrosamento entre os caras é impressionante. Não é a toa que essa é a banda que acompanha Jeff nas turnês há dois anos.

JSS conversou o tempo todo com a platéia, brincando ao dizer que estavam cansados, pois no show da noite anterior haviam tomado muitas caipiroskas. Bebida essa que inclusive, foi reposta durante todo o show com coros de “vira vira vira” tanto do público quanto da banda. E Jeff não amarelou. Entornou tudo (umas 4 sozinho), dividiu com seus companheiros de banda e mesmo assim, parecia que aquilo tudo desceu como um desses sucos de caixinha.

Numa das paradas entre musicas, Jorge Salan fez um pequeno solo de guitarra, para em seguida puxar o riff de “Holy Diver”, do Dio. A banda tocou um trecho da musica, o que enlouqueceu os presentes. Mais uma merecida homenagem a Ronnie James Dio, um dos pilares da história do Heavy Metal como o conhecemos.

O show segue com “Comes Down Like Rain/Gin & Tonic Sky”, e o ritmo não diminui. Mas ainda faltavam as músicas do Talisman. Jeff sabe o quanto a banda é querida por aqui, e optou por um medley com suas músicas favoritas. Mais uma pequena pausa e a banda volta ao palco, dessa vez com JSS usando uma camiseta da seleção canarinho. Clichê, é verdade, mas não deixa de ser carinhoso da parte dele. Conversando com o público, ele disse que haviam algumas batidas de bateria bastante conhecidas no mundo na música. Edu Comminato mandou o comecinho de “We Will rock You” (Queen), “We’re not gonna take it (Twisted Sister)”, “Run to The Hills” (Iron Maiden) e claro, a inconfundível introdução de “Stand Up and Shout”, da trilha sonora do filme “Rockstar”. Com certeza, essa era a música mais aguardada por muitos ali presentes e foi um verdadeiro deleite. Só faltou mesmo surgir o Zakk Wylde fazendo os solos ou a Jennifer Aniston, vendo o show atrás do palco. Do camarote dava prá ver muito bem todos cantando, agitando, punhos cerrados e chifrinhos no ar.

Quando parecia que seria o fim da apresentação, Jeff chamou Eric Martin para o palco. Lembra daquelas duas musicas do Mr. Big que citei há alguns parágrafos, que Eric Martin ficou devendo? Pois é, os dois vocalistas fizeram um dueto genial em “Daddy, Brother, Lover, Little Boy”, que deu brecha para uma versão com mais pegada de “To Be With You”. Um momento inesquecível para os fãs de Mr. Big.

O músicos saem do palco, mas retornam na seqüência, com Jeff usando uma camiseta do Talisman. Ele disse que sempre gosta de encerrar os shows de maneira animada, mas dessa vez faria algo diferente. O músicos sentam no chão do palco, e ele pede um momento de silêncio, pois gostaria de dizer algumas palavras. Inclusive, pede para que BJ traduza o que ele falar, assim todos poderiam entender melhor. JSS diz que não está usando aquela camiseta à toa e que gostaria de prestar uma homenagem a Marcel Jacob, baixista do Talisman e seu amigo que veio a falecer em 2009. Muito emocionado, disse que as pessoas pedem por uma reunião do Talisman, mas Jeff disse que sem Marcel, não há qualquer chance de isso acontecer. “Since you’ve gone”, com algumas mudanças na letra, teve uma interpretação de arrepiar, a emoção de Jeff ao cantá-la comoveu muita gente. E assim acabou mais uma apresentação impecável de Jeff Scott Soto, de um jeito um pouco melancólico, mas muito bonito.

Essa edição da Hard Legends Party foi um verdadeiro presente para os fãs de São Paulo, que puderam conferir dois shows de artistas que fizeram - e porque não dizer, ainda fazem - história no meio musical. E se você ficou em casa assistindo Domingão do Faustão, meu caro, devo dizer: PERDEU!

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows

Andre MatosAndre Matos
O que ele faria se fosse mulher por um dia?

Iron MaidenIron Maiden
Uma releitura de "The Trooper" pelo Cine

MetallicaMetallica
Garoto de 10 anos destrói com Enter Sandman em programa de TV

5000 acessosSlayer: fãs hardcore dão (literalmente) o sangue pela banda5000 acessosAs regras do Death Metal5000 acessosHeavy Metal: as 10 introduções mais matadoras do estilo5000 acessosMetal sinfônico: os 10 melhores segundo o TeamRock5000 acessosMegadeth: com quantas baquetas se faz um álbum de estúdio?3746 acessosLed Zeppelin: o álbum gravado com PJ Proby antes do debut

Sobre Ana Clara Salles Xavier

Ana Clara Salles, 24 anos, paulistana. Fã do Guns n' Roses, Black Label Society, Judas Priest, Led Zeppelin e Beatles, no seu acervo musical tem espaço também para bandas dos anos 80 como Sisters of Mercy e Depeche Mode. Afinal, como já disse uma vez Friedrich Nietzsche: "sem música, a vida seria um erro".

Mais matérias de Ana Clara Salles Xavier no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online