Megadeth: apresentação irretocável de uma banda afiadíssima
Resenha - Megadeth (Credicard Hall, São Paulo, 24/04/2010)
Por Marco Néo
Postado em 28 de abril de 2010
Uma noite memorável. Foi essa a impressão que ficou para os headbangers que foram ao Credicard Hall testemunhar a apresentação do Megadeth, que "suspendeu" temporariamente a turnê de promoção de seu álbum mais recente, "Endgame", para comemorar os 20 anos de lançamento daquele que é considerado por muitos seu álbum mais importante e um dos marcos do Thrash Metal: "Rust In Peace".
Fotos: Marcelo Rossi (divulgação T4F)
Algum desavisado poderá discordar dessa infomação (com uma certa razão, aliás, já que o site oficial da banda aponta as datas da América Latina como parte da "Endgame World Tour"), mas as declarações de Dave Mustaine durante o último mês, o palco do show (com decoração e pano de fundo baseados na capa do álbum) e os "stands" de venda de merchandising oficial com diversos modelos de camisetas exibindo estampas relativas à turnê de 20 anos do "Rust In Peace" que enumeravam as datas da América Latina, dentre as quais São Paulo, não deixavam margem a dúvidas.
Sem banda de abertura e com uma saudável pontualidade, a banda adentrou o palco com a tradicional e apropriada introdução de "Black Sabbath", música que deu o pontapé inicial no gênero. Dali pra frente, muitas surpresas: o início, com "Dialectic Chaos" e "This Day We Fight!", músicas que abrem o último álbum, "Endgame", foi recebido com euforia pelos presentes. Sem qualquer pausa para conversa, os fãs são brindados com o primeiro clássico da noite: a homenagem póstuma a Cliff Burton ("só a música, não a letra", já disse Mustaine várias vezes), "In My Darkest Hour", que, como era de se esperar, foi cantada em uníssono por todos.
Só então Dave Mustaine se dirigiu pela primeira vez ao público, para anunciar que naquela noite tocaria mais músicas do que de costume. Sorte de quem estava lá e pode testemunhar o que já foi divulgado neste site como um dos maiores setlists de toda a turnê. "Sweating Bullets" e "Skin O’ My Teeth" vieram na sequência e esquentaram ainda mais um público que àquela altura já estava extasiado.
Pausa por alguns instantes, e Dave Mustaine volta usando uma guitarra com a estampa da capa do álbum "Rust In Peace". É a senha para que todos comecem a festejar, começava ali a ser apresentado, na íntegra, um dos clássicos imortais do Metal, de "Holy Wars" a "Rust In Peace... Polaris", na ordem. E o massacre sonoro ali perpetrado foi digno de antologia, uma apresentação irretocável de uma banda afiadíssima apresentando seu álbum mais representativo, com performances irretocáveis dos "novatos" Chris Broderick, que teve a manha de tirar todos os solos do Marty Friedman nota por nota, e Shawn Drover, mostrando o porquê de ter entrado há tão pouco tempo e já ter tanta moral com o "big boss". Nada mais apropriado que, como uma cereja no topo do bolo, essa turnê comemorativa tenha marcado o retorno à banda do baixista David Ellefson, o integrante original que, ao lado de Mustaine, ajudou a definir a "cara" do Megadeth.
Uma curiosidade: "Rust In Peace" foi apresentado sem intervalos para conversas, como se fosse uma peça musical dividida em nove atos. Ao final de "Rust In Peace... Polaris", Mustaine agradeceu a todos, anunciado: "muito obrigado, este foi o ‘Rust In Peace’". Apropriado.
Se o show tivesse acabado ali já teria sido memorável, mas os paulistanos foram brindados com mais: "Trust", que foi cantada por todos, "Headcrusher" e "The Right To Go Insane", para lembrarem a todos de que o Megadeth tem álbum novo na praça, "She-Wolf", que normalmente estava sendo tocada na primeira parte dos shows até então, e, fechando o setlist regulamentar, "Symphony Of Destruction", com o coro de "Megadeth, Megadeth, Megadeth" ecoando por todo o Credicard Hall.
Depois de uma pausa de quase cinco minutos e muitos chamados por parte da audiência, seja gritando "Megadeth", cantando o coro de "Peace Sells" ou bradando "olê olê olê olê, Mustaine", o "bis" trouxe uma última surpresa: "A Tout Le Monde", que não vinha sendo apresentada nessa turnê comemorativa e até gerou alguns narizes torcidos de um ou outro tradicionalista, mas que foi aclamada pela esmagadora maioria. Depois dessa última surpresa, o "grand finale", com Peace Sells e com uma reprise da parte final de "Holy Wars", que serviu para a apresentação dos membros da banda.
Um show histórico que certamente será comentado em rodas de bangers por muito tempo.
Setlist do show:
1. Dialectic Chaos
2. This Day We Fight!
3. In My Darkest Hour
4. Sweating Bullets
5. Skin O' My Teeth
6. Holy Wars...The Punishment Due
7. Hangar 18
8. Take No Prisoners
9. Five Magics
10. Poison Was The Cure
11. Lucretia
12. Tornado Of Souls
13. Dawn Patrol
14. Rust In Peace... Polaris
15. Trust
16. Head Crusher
17. The Right To Go Insane
18. She-Wolf
19. Symphony Of Destruction
Bis
20. A Tout Le Monde
21. Peace Sells
22. Holy Wars – Reprise
Megadeth:
Dave Mustaine – vocal, guitarra
Chris Broderick – guitarra, backing vocals
David Ellefson – baixo, backing vocals
Shawn Drover – bateria
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