Benediction: apresentação direta e sem frescuras em BH
Resenha - Benediction (Lapa Multishow, Belo Horizonte, 19/03/2010)
Por Luiz Figueiredo
Postado em 23 de março de 2010
A Cogumelo Records foi fundada em 1980 como uma loja de discos. E essa loja se tornou uma referência em termos de música pesada, em Belo Horizonte, a partir dos anos 80. Os primeiros headbangers da cidade se reuniam depois da escola e nos fins de semana em frente à Cogumelo e muitas coisas aconteciam naquele momento. Em 1985, a loja se tornou selo e é a mais importante responsável pela força do metal mineiro, reconhecido em todo o mundo a partir de bandas como SEPULTURA, SARCÓFAGO, OVERDOSE, CHAKAL, HOLOCAUSTO entre outras. E, em comemoração aos 30 anos dessa história de sucesso, uma série de shows com nomes nacionais e internacionais mais do que consagrados na história da música pesada.
Duas bandas de Belo Horizonte, formadas no início dos anos 90, foram escolhidas como suporte para o BENEDICTION. A PATHOLOGIC NOISE foi a primeira a se apresentar, mas para poucas pessoas que já tinham entrado na casa. Em seguida, quem subiu ao palco foi o SARCASMO para fritar nossos ouvidos com uma abordagem brutal de temas do nosso cotidiano. A primeira música foi executada apenas com a guitarra de Tom Leandro. Segundo Germano (vocal / guitarra), foi a primeira vez que ele apenas cantou. Para a segunda música, ele já empunhou sua guitarra e foi perceptivo o peso a mais no som da banda. Foi assim até o fim da apresentação com clássicos e músicas do último álbum "Metal Morte".
O BENEDICTION
Com o Lapa não tão cheio, o relógio cravava 23h35m e o BENEDICTION já estava no ponto para começar. A introdução para "The Grey Man" com a banda toda já no palco era o indício de que a "Matança Sul-Americana" tinha chegado a Belo Horizonte.
O show começou com alguns problemas técnicos. O som da guitarra de Peter Rew, principalmente, sumia algumas vezes. Isso deixou os membros um pouco impacientes neste início. Até que, solucionado o problema, o BENEDICTION pôde tocar com precisão um set list mesclado em clássicos devastadores, como "Subconscious Terror", "Jumping at Shadows", "Unfound Mortality" e "Nightfear", e músicas do último disco "Killing Music", como "They Must Die Screaming" e "Burying The Hatchet".
Uma apresentação direta e sem frescuras com pouco mais de 1h de duração. Sinal claro de que a banda não liga para "firulas" é o set list improvisado escrito a mão em um pedaço de papelão, jogado junto à bateria (você o verá na foto, acompanhado das palhetas e assinaturas de Healy e Brookes e assinatura de Rew).
A porrada que é a música de Dave Hunt, Darren Brookes, Peter Rew, Frank Healy e Nicholas Barker (baterista convidado, ex-DIMMU BORGIR), conseguiu instigar o público a bater cabeça do início ao fim do show. A grande roda de mosh no centro da pista se abriu no início da primeira música e durou até o fim da última. O público não foi o suficiente para lotar a casa, mas o reconhecimento da banda pelos que estavam presentes foi muito grande. A todo o momento, Hunt e Brookes se direcionavam ao público para agradecer a presença.
No auge da interação, Hunt desceu do palco e foi para a grade junto aos fãs. Ele disse que ouviram falar sobre Belo Horizonte ser a "Cidade do Metal" no Brasil e, como seu país é considerado o berço do estilo, era uma satisfação muito grande estar ali.
Alguns minutos após o show, os integrantes saíram do camarim para atender os fãs que ainda não tinham ido embora. Distribuíram autógrafos, palhetas, tiraram fotos e até bateram papo com alguns. Perguntei ao baixista Frank Healy o que ele tinha achado do show. Ele lamentou os problemas técnicos do início, mas afirmou que, apesar dos contratempos, foi um bom show.
O BENEDICTION viajou no dia seguinte para Salvador, onde fez o penúltimo show e, no domingo, fechou sua primeira passagem pelo Brasil em mais de 20 anos de estrada tocando em Campinas.
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