Guns N' Roses: apesar da rouquidão, um grande show em SP

Resenha - Guns N' Roses (Palestra Itália, São Paulo, 13/03/2010)

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Por Felipe Kahan Bonato
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Mesmo ligeiramente fora de forma e com uma banda que alguns defensores da formação clássica cismam em chamar de contratada, Axl e sua trupe conseguiram empolgar os fãs presentes no Plaestra Itália tanto com as músicas antigas como com as do polêmico "Chinese Democracy".

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Aproximadamente 00h30, sobem ao placo os integrantes de uma que foi e busca continuar com a fama de uma das maiores bandas de rock da história. E logo na primeira música, "Chinese Democracy", Axl interrompe o show para buscar alguém na platéia que havia tentado acertá-lo com um copo. Mesmo após a ameaça de terminar o show, Axl aparentemente calmo retomou a primeira canção. Em seguida, vieram "Welcome To The Jungle", "It's So Easy" e "Mr. Brownstone", com um Axl animado, cheio de danças e rodopios, mas que já mostrava um certo cansaço até pelos shows anteriores. Nesse início de show, percebeu-se também a aposta em DJ Ashba como principal guitarrista. Apesar de não gostar de comparações, durante o show é inevitável comparar Ashba com Slash, até mesmo pelo cigarro na boca e por uma guitarra meio alaranjada Les Paul, ligeiramente semelhante com a do ex-integrante. Ashba consegue ser exótico, lembrando ao mesmo tempo Buckethead e Slash, e talvez por isso seja a principal aposta de Axl para substituí-los. Já Ron Thal tocava com sua guitarra de dois braços, esbanjando também muita técnica e concentração, características do músico.

A seguir, vieram as novas "Sorry", que acalmou um pouco o público, e "Better", que soou um pouco diferente da original do álbum, talvez pelas várias camadas da música, que dificultam sua execução ao vivo.

Até então, o problema de baixo volume que havia perseguido a abertura de Sebastian Bach havia sido corrigido, e o GUNS N' ROSES tocava absurdamente alto com a voz de Axl ligeiramente metalizada.

Apresentado por Axl como "Fortus, Richard Fortus", o guitarrista fez seu tradicional solo, além de roubar a cena também em outras músicas ao longo do show socando energicamente sua guitarra.

Após "Live And Let Die", que agitou o público, veio "If The World". Nesse momento, Ron Thal já estava sem sua guitarra de dois braços, mais se revezou entre uma convencional e uma acústica, que ficava fixa exigindo certa desenvoltura do guitarrista para executar os dedilhados da música. Antes de "Rocket Queen", puxada pelo sempre sereno na batera, Frank Ferrer, Axl interrompe o show e entra uma linda loira - justificado o atraso da banda? - que, brincadeiras à parte, após alguns instantes, se percebe ser Ellen Jabour, que traduziria o pedido de Axl para que as pessoas que estivessem mais a frente, perto do palco, dessem um passo para trás, já que algumas estavam muito espremidas. Ao caminhar para fora do palco, o telão exibiu o belo caminhar da brasileira que arrancou suspiros da parte masculina da plateia. "Rocket Queen" sem dúvida possui dois andamentos distintos e tem a cara do GUNS N' ROSES, e sua execução ao vivo foi um dos grandes momentos do set em São Paulo, com os painéis no palco mostrando algumas silhuetas de mulheres, como se deveria esperar.

Na sequência, vieram o solo do engomado Dizzy Reed ao piano, a esperada "Street of Dreams" e "I.R.S". Posteriormente, DJ Ashba, com uma guitarra em preto cintilante, posicionou-se para seu solo, mas foi surpreendido por um problema técnico que o obrigou a voltar com a guitarra das músicas iniciais. Ashba, bem humorado e atônito, desperdiça dois cigarros e, sorridente, mostra ao público o que queria fazer e já emenda o riff introdutório de "Sweet Child O' Mine", levando os fãs ao delírio durante toda a canção.

O show seguiria com a acelerada "You Could Be Mine", com os telões exibindo imagens da Fórmula 1, talvez pelo gosto de Axl pelo esporte e sua grande amizade com Kimi Raikkonen, que aparece nos agradecimentos de "Chinese Democracy". A seguir, Axl senta-se ao piano, para fazer um cover de PINK FLOYD e puxar a bela e bem executada "November Rain", que foi seguida em coro pelo público. Além disso, foi nessa canção em que os 3 guitarristas puderam solar, com Fortus e Ashba dividindo o primeiro solo, enquanto Ron Thal ficou com o final. Ron Thal também seguiria com uma parte interessante do show, em seu típico solo do tema da Pantera Cor de Rosa. Bumblefoot conseguiu mesclar sua técnica, com o ar meio misterioso da música, já conhecida da maioria, que se surpreendeu com a improvisação que o guitarrista foi capaz de criar sobre o tema.

A aguardada "Knockin' On Heaven's Door" não deixa a peteca cair. Axl, durante a música, se pronuncia sobre o show secreto para famosos ao qual não apareceu, dizendo que sua garganta estava ruim e que preferia se apresentar para o grande público ao invés de comparecer a uma festa privada. Aplaudido, pediu para a plateia o ajudar na música, na qual esbanjou sua potência nos vocais, o que até mesmo gerou dúvida em sua "desculpa". Outro fato contraditório foi a execução de "Nightrain", uma das que mais exige do vocalista que, no entanto, despejou todos seus agudos, mostrando que ainda tem voz para se apresentar em alto nível.

O bis viria com "Madagascar", muito bem executada e psicodélica, com as imagens da África nos painéis e de Martin Luther King. Depois, veio a complexa "Shackler's Revenge" que, ao contrário de "Better", ficou mais parecida à gravada e foi muito bem conduzida. A seguir, vieram as mais calmas "This I Love", do álbum mais recente e a clássica "Patience", acompanhada novamente pelo público. Por fim, "Paradise City", para empolgar e fazer pular a já cansada plateia. Com explosões e chuvas de papel picado vermelho e serpentinas brancas, que trouxeram um belo visual, terminava a boa apresentação do GUNS N' ROSES.

Ao longo do show, Axl mostrou-se muito simpático e receptivo aos presentes que muitas vezes acertavam o cantor. Atencioso, diversas faixas do público foram exibidas e os presentes, recolhidos. Bumblefoot aproveitou também para colocar uma rosa em sua guitarra, enquanto Axl colocou outras em seu bolso, exibiu camisetas da seleção e a bandeira do Brasil. Em outro momento, o vocalista pediu para que o público completasse uma brincadeira sua, em que ele dizia "F*** you" enquanto os fãs gritariam "Axl Rose". Sarcástico, Axl gostou da brincadeira, que depois foi repetida. A banda inteira também se conectou muito bem, com os guitarristas próximos e em sintonia em diversos momentos, inclusive com a participação de Axl, abraçando-os e compartilhando o microfone. A banda ainda teve tempo para tentar dar uma rasteira em Axl, que conseguiu desviar e riu da brincadeira.

O setlist soube dosar momentos mais intensos com os mais brandos, mantendo os tradicionais solos que sempre estiveram nos shows da banda. Além disso, a escolha das músicas e sua ordem foram muito inteligentes, permitindo a Axl se poupar em alguns momentos, em que foi possível perceber os backing vocals mais altos que o vocalista. Nas músicas e nos momentos em que se exigia maior potência, Axl conseguia corresponder graças ao set equilibrado.

Parecendo muito satisfeito com seu trabalho, nas músicas finais Axl mostrou-se mais à vontade, dançando e percorrendo todo o palco e já deixando saudades nos fãs paulistas. Apesar das críticas, o GUNS N' ROSES provou a força das músicas de "Chinese Democracy" quando tocadas ao vivo e quem estava presente pôde sentir que, apesar das polêmicas com a formação da banda, a magia do Guns esteve presente em São Paulo por aproximadamente 2h30 de show. Obviamente, a voz de Axl está diferente, mas permanece boa, o que continua mantendo-o como um dos maiores frontmen da história do rock, capaz de agitar os 38000 fãs presentes. O surrado de críticas Axl mostrava toda sua megalomania e seu talento em um show grandioso e realmente muito bom.

Setlist:
1 Chinese Democracy
2 Welcome To The Jungle
3 It's So Easy
4 Mr. Brownstone
5 Sorry
6 Better
7 Richard Fortus - Solo Guitarra
8 Live And Let Die
9 If the World
10 Rocket Queen
11 Dizzy Reed - Solo Piano
12 Street Of Dreams
13 I.R.S.
14 DJ Ashba - Solo Guitarra
15 Sweet Child O' Mine
16 You Could Be Mine
17 Axl Rose - Solo Piano
18 November Rain
19 Ron Thal - Solo Guitarra
20 Knockin' On Heaven's Door
21 Nightrain

Bis
22 Madagascar
23 Shackler's Revenge
24 This I Love
25 Patience
26 Paradise City

Formação
Axl Rose (vocal)
DJ Ashba (guitarra)
Ron "Bumblefoot" Thal (guitarra)
Richard Fortus (guitarra)
Tommy Stinson (baixo)
Dizzy Reed (teclado)
Frank Ferrer (bateria)


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Sobre Felipe Kahan Bonato

Felipe Kahan Bonato: Nascido em 88, há mais de 10 anos - por enquanto - escuta praticamente qualquer subgênero de rock e metal, explorando principalmente bandas mais desconhecidas. Teve contato tardio com a guitarra, seu instrumento preferido, optando então em seguir a carreira de Engenheiro de Produção e em contribuir esporadicamente com resenhas no Whiplash.

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