Guns N' Roses: detonando sucessos e extasiando audiência
Resenha - Guns N' Roses (Estádio Mané Garrincha, 07/03/2010)
Por Elizângela Araújo
Postado em 09 de março de 2010
Nunca fui fã do GUNS N´ROSES. No auge do seu sucesso eu só ouvia outro tipo de rock (thrash, death, grindcore etc.) e, no máximo, me permitia adorar RUSH, DEEP PURPLE, BLACK SABBATH e outros dinossauros ou bandas sessentistas/ setentistas menos conhecidas. Confesso que não estava muito ansiosa pelo show, embora nos últimos anos tenha ampliado muito meu espectro musical, inserindo na minha coleção de CD e nas pastas de arquivos MP3 muitas outras bandas – inclusive o G N´R – e estilos. Como a gente sempre amadurece – ou deveria – com a idade, também aprende com as novas gerações. Sou mãe de um pré-adolescente de 12 anos que nasceu com "rock nas veias" – tanto eu quanto o pai dele tocávamos em bandas de thrash/death metal (inclusive, toquei grávida), mas que prefere hard rock, heavy metal e rock and roll às vertentes mais pesadas que ainda freqüentam o aparelho de som da família. Por causa dele é que fui ao show que abriu a turnê de Axl e companhia pela América Latina. Ainda bem que fui levá-lo, porque tive a oportunidade de ver um grande espetáculo de luz, efeitos e, principalmente, musical.
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E se fiz um prólogo considerável é justamente para que o leitor tenha uma noção de que minha opinião sobre o show de ontem não se trata da opinião de uma "mulherzinha deslumbrada pelos cabeludos algo apetitosos e suas guitarras cortantes".
Bom, mas vamos ao que interessa, o set list e a performance dos músicos – muito mais do Axl, né? Pois é, verdade que o cara não é mais o mesmo do alto de seus 48 anos, principalmente na aparência, mas verdade também é que ele empolgou totalmente o público, inclusive os céticos como essa que vos fala. Obviamente que o mérito não é somente dele, já que está acompanhado de músicos virtuosos, como o DJ Ashba, que entrou oficialmente para a banda no dia 21 de março do ano passado (dia em que o IRON MAIDEN tocava em Brasília para nos fazer felizes, por coincidência). E embora o mérito não seja somente do Mr. Rose, se houvesse uma medida de mérito, ainda assim seria a dele maior, visto que é dele a escolha de quem trabalha no Guns, por assim dizer.
O show, obviamente, foi aberto com "Chinese Democracy", que para quem conhece sabe que é a primeira música do álbum homônimo. E mesmo cansada pela longa espera de uma hora e meia depois que o Sebastian Bach se despediu, os primeiros riffes de guitarra foram suficientes pra tirar a galera do chão ou fazer muita gente "das antigas", como eu, ensaiar batidas de cabeça. A coisa esquentou ainda mais com a velha e ótima "Welcome to the Jungle", que fez a galera pular e cantar como se não houvesse hoje (segunda-feira, o difícil "Day after" para quem tem que voltar a essa vidinha certinha que mantém a sociedade minimamente operante e o mercado funcionando).
Pra engrossar ainda mais sequência de coros cantando refrões, seguiram-se "It´s So Easy" e "Mr. Brownstone". O disco lançado no ano passado volta à cena com "Sorry", seguida por "Better", uma das melhores músicas do novo álbum pra mim. Em seguida, Richard Fortus mostrou ter sido aluno aplicado e músico apaixonado, detonando um solo que culminou com a famosa "Live and Let Die" (cover do Paul McCartney e trilha sonora de James Bond). "If the World" e "Rocket Queen" mantiveram a platéia acesa até que o pianista/tecladista Dizzy Reed fizesse seu "piano solo". Acordes suaves anunciam "Street of Dreams" e, logo depois, "Scraped".
Entra em cena DJ Ashba e seu solo de guitarra. Breve pausa e ele inicia "Sweet Child O´Mine", que levou a galera ao delírio, nos fazendo pular e cantar junto com Axl. Seguem "You Cold Be Mine" e uma brincadeira de um dos guitarristas (perdoem-me, mas não lembro qual dos três) com os acordes de "Another Brick in the Wall", clássico dos clássicos, que o Axl fez prosseguir cantando o refrão já sentado ao piano, quando daria seu solo e em seguida mandaria a balada "November Rain" (ou seria tudo ensaiado?). Até Henry Mancini e sua famosa trilha para a série A Pantera Cor de Rosa se fizeram presentes pelos dedos do guitarrista Ron "Bumblefoot" Thal. Em seguida, outro momento de catarse coletiva, com direito a celulares iluminados fazendo o papel de isqueiros, com "Knockin´On Heaven´s Door" (cover conhecido do Bob Dylan) – o Axl continua segurando os tons mais baixos, embora haja opiniões contraditórias. Muda tudo e entra o riff nervoso de "Shackler´s Revenge". "Patience" vem logo depois, seguida por "Nightrain", que deixou a galera querendo mais. Luzes se apagam e a banda vai embora. Alguns minutinhos depois, gente já saindo, os músicos voltam com "Madagascar". E eu ali, já comentando com meu filho (que tinha perdido os óculos ao se empolgar logo no começo com "Welcome to the jungle"), que show "cacetático" (prá nao dizer do caralho e cair no lugar comum) tinha sido aquele. Ainda critiquei o fato de não terem tocado – até aquele momento – "Paradise City", quando meus ouvidos percebem a própria. Momentos finais, a gente cantando o refrão, os efeitos pirotécnicos tomaram nova forma e, no finalzinho, canhões lançaram recortes de papel vermelho e serpentinas de papel prateado eram lançados do palco para a platéia vip, o que fez um efeito muito bonito de se ver para quem estava nas escadarias, como eu.
Minha conclusão, pois, é que valeu cada centavo pago pra ver o show, pois a banda nos proporcionou uma noite inesquecível, emocionante e empolgante, nos fazendo sair do lotado Ginásio Nilson Nelson com a sensação de que a vida, no fim das contas, sempre pode ser mais intensa do que é.
Autêntico rocker, headbanger "desviado", roqueiro "das antigas", simples apreciador de shows de grande porte ou o que quer que você que esteve no show de Brasília seja, certamente vibrou em algum momento. Na minha opinião, Mr. Rose se redimiu de qualquer atraso, por mais longo que tenha sido, e mostrou que continua com a energia que o consagrou, além da técnica vocal.
Ah, sobre o Sebastian Bach, um autêntico rocker, como sempre. Além de ser uma figura com grande presença de palco - pela altura, cabelo e corpo agradáveis de se olhar - detonou grandes sucessos do SKID ROW (inclusive "I Remember You" e "18 and Life"), do seu último disco e até "Back in the Saddle" (do AEROSMITH). Devo estar esquecendo alguma coisa, mas é que só dormi três horas de ontem pra hoje.
E quem quiser que conte outra, que esta é a minha versão do show – e obviamente haverá sempre outras, menos ou mais empolgadas, e até bem ácidas.
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