NOFX: Euforia e paciência tornam o show memorável
Resenha - NOFX (Santana Hall, São Paulo, 04/02/2010)
Por Paulo Gadioli
Postado em 06 de março de 2010
Quem passava pela Avenida Cruzeiro do Sul, em São Paulo, na quinta-feira (4) se deparou com uma cena no mínimo inusitada. Inúmeras camisas de bandas da cena PUNK/HARDCORE como DESCENDENTS, BAD RELIGION e PENNYWISE contrastavam com os cartazes pendurados no Santana Hall: Belo e Aviões do Forró. A casa, que geralmente realiza shows de forró e pagode, foi escolhida como local de apresentação dos punks californianos do NOFX. Pouco antes das portas serem abertas, o Santana Hall se transformou em um novo reduto para os fãs do hardcore, tamanha quantidade de pessoas nos arredores, mesmo que somente por um dia.
Por volta das 19h50, a banda paulistana TAKE OFF THE HALTER subiu ao palco. Mostraram um hardcore melódico bem feito, muito trabalhado. O vocalista lembrava muitas vezes Alexandre Farofa, da clássica banda santista GARAGE FUZZ. A afinação baixa acabou influenciando um pouco no som, especialmente nas guitarras, deixando o som embolado. A banda pedia que os presentes agitassem, mas alguns engraçadinhos preferiram xingar a banda e jogar isqueiros no palco. Isso causou desconforto para a banda, que se mostrou visivelmente irritada. Mas esse era apenas o começo do festival de arremesso de coisas ao palco.
Após uma considerável demora, que foi acentuada pelo calor excessivo dentro do Santana Hall lotado, começam a aparecer as carismáticas figuras do NOFX. Sob um backdrop muito simples, surgem calmamente os guitarristas Eric Melvin e El Hefe (que também toca trompete), o baterista Erik Sandin e o icônico baixista, vocalista e líder da banda Fat Mike, acompanhado do primeiro dos muitos copos de caipirinha da noite. O baixista contava com um vestuário digno de nota, especialmente pelo elegantíssimo chapéu e os discretos óculos escuros.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A calma presente na entrada da banda foi logo transformada em euforia extrema com a execução da primeira música: "Linoleum", do álbum "Punk in Drublic". Nessa hora, a pista inteira parecia um grande moshpit, sem nenhum espaço para que alguém respirasse. A música seguinte, "Seeing Double at the Triple Rock", não permitiu descanso e, juntamente com "Murder the Government", formou o combo de boas-vindas da banda para o público.
Depois de "The Brews" e "Leave it Alone" terem sido tocadas, algo dourado brilhava no palco. Era El Hefe empunhando seu trompete para a execução de "Eat the Meek", que, com seu ritmo mais cadenciado, permitiu um breve descanso físico, porém não vocal, pois todos continuavam cantando com o máximo de suas forças. Alguns presentes também aproveitavam essa força para continuar arremessando objetos no palco. Esse é um ato até comum em shows do NOFX, mas claramente já estava passando do limite.
É triste que algumas poucas pessoas acabem não conseguindo distinguir o limite entre brincadeira e inconveniência e a grande maioria acabe pagando o pato por isso. Ter que ouvir um veterano da cena punk ameaçar não tocar um clássico como "Stickin’ In My Eye" pela simples falta de noção de algumas pessoas tiraria até Gandhi do sério. Após a execução da excelente "Mattersville", essa falta de bom senso chegou ao ponto máximo. Ao receber uma cusparada de um dos presentes na platéia, Fat Mike fez questão que os seguranças expulsassem o indivíduo do show. "Estou me divertindo muito e gostaria que continuasse assim", disse o baixista. Após o clima tenso, declarou que a banda agora tocaria uma música de briga e assim começou "It’s My Job to Keep Punk Rock Elite", colocando todos de volta na intensa atmosfera do show dos californianos.
Apesar do aparente clima tenso no show, o NOFX é sempre lembrado pelas palhaçadas e diálogos que mantém com o público ao longo da apresentação, e dessa vez não foi diferente. Ao ver um fã que subiu no palco para realizar um stage dive, mas não conseguiu por medo, Fat Mike não perdoou e fez questão de tirar o máximo possível de sarro do indivíduo. A banda, inclusive, realizou uma música em homenagem a essa falta de coragem, intitulada carinhosamente como "He’s a pussy". As famosas imitações de El Hefe também não poderiam ficar de fora. O escolhido dessa vez foi o palhaço Krusty, dos Simpsons. Hefe fez uma rápida imitação, porém muito engraçada.
Continuando o show, mais alguns clássicos como "Drugs are Good", "Pharmacist’s Daughter", "Quart in Session" e o cover "Radio" foram tocados. Após a sequencia, Fat Mike realizou uma troca de instrumento com o guitarrista Eric Melvin. Com essa formação atípica, a banda tocou "Reeko", que viria a encerrar o set da banda. Mas, após uma rápida pausa, eles voltaram com "Franco Un-American" – que acabou virando "Franco South-American" e o hino "Bob" – outra que Fat Mike ameaçou não tocar. Quando começaram os primeiros acordes de Dinossaurs Will Die, os já cansados fãs foram ao delírio e gastaram toda energia que ainda restava. Quando Hefe puxou o trompete novamente, todos viram que a apresentação estava chegando ao fim com "Kill All The White Men".
É curioso que, mesmo com um set de quase 30 músicas, muitas boas foram deixadas de fora, como "Don’t Call Me White" e "Idiots Are Taking Over". Outra música não presente foi "Stickin’ in My Eye". Fica a dúvida se foi por escolha da banda, ou se foi um presente pelo comportamento de alguns perdidos da platéia. De qualquer maneira, o NOFX conseguiu deixar todos aqueles saindo do Santana Hall com uma satisfação muito grande, e muito disso se deve à calma e paciência de Fat Mike. Claro que após muitos anos tocando na cena punk rock, algumas coisas se tornam habituais, mas não é por isso que devem ser toleradas quando feitas de forma excessiva como durante o show.
SETLIST NOFX:
Linoleum
Seeing Double at the Triple Rock
Murder the Government
The Brews
Leave it Alone
Eat the Meek
We Called it America
Mattersville
It’s My Job to Keep Punk Rock Elite
What Now My Love
Cokie the Clown
Drugs are Good
Radio (Rancid)
Pharmacist’s Daughter
Leaving Jesusland
The Desperation’s Gone
I’m Telling Tim
Quart In Session
Perfect Government
Orphan Year
Reeko
ENCORE:
Franco Un- American
Bob
Fuck the Kids
Dinossaurs Will Die
Bottles to the Ground
Kill all the White Men
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