Venom: após 23 anos e com outra formação, ainda marcante
Resenha - Venom (Victoria Hall, São Caetano do Sul, 12/12/2009)
Por Paulo Gadioli
Postado em 14 de dezembro de 2009
Após um período de mais de 20 anos, os fãs do Venom finalmente poderiam ter uma chance de assistir a mais um show dos ingleses. Na última vez que a banda passou pelo Brasil, em 1986, a situação era outra. Como todas as facilidades da internet ainda não existiam, era algo complicado ouvir e conseguir informações de bandas estrangeiras. Formou-se uma verdadeira aura sob a imagem da banda que, juntamente com os canadenses do Exciter, realizou um dos melhores shows da década de 80, segundo muitos que tiveram o privilégio de vivenciar a época. Após mudanças na formação e no próprio som da banda, seriam eles capazes de repetir o feito e realizar mais um show marcante?
No dia 12 de dezembro, o cenário na cidade de São Caetano do Sul, logo pela tarde, já foi se mostrando muito condizente com a banda. Um dia nublado e que, com o chegar da noite, tornou-se extremamente chuvoso. A chuva caminha lado a lado com outro problema: o trânsito. E foi justamente esse problema que atrasou e impediu muitos de poderem acompanhar as bandas de abertura. As bandas encarregadas eram: Doomsday Ceremony, Genocídio e Nervochaos. O que se ouviu é que, apesar de problemas técnicos, elas fizeram seu papel muito bem e representaram o Metal brasileiro de uma forma muito digna.
Aproximadamente às 23h30, após um certo atraso - que já vinha ocorrendo desde as bandas de abertura -, abrem-se os portões do inferno. As luzes se apagam, uma introdução assustadora começa a ecoar nos PA’s, luzes vermelhas dominam o ambiente. Nada mais apropriado para o Venom entrar no palco. E, logo de cara, já incendeiam todos os presentes no Victoria Hall com o clássico "Black Metal", seguido prontamente pela não menos importante "Welcome to Hell". Essa última música pareceu ser uma alerta aos desavisados, que estariam prestes a presenciar o verdadeiro inferno na terra.
Comparada com a formação do show de 86, apenas o baixista e frontman Cronos permanece na banda. Completam a banda o baterista Danny "Dante" Needham e o guitarrista La Rage.
Logo após a dobradinha de clássicos que abriu o show, Cronos não falou muito. Apenas fez questão de chegar o mais próximo possível de todos os fãs ali presentes. Palavras não se tornavam necessárias naquela atmosfera de respeito e admiração. O baixo dele, inclusive, possuía uma singularidade muito interessante. Com duas luzes localizadas no braço do instrumento, a impressão era de que aquilo eram dois grandes olhos vermelhos, enxergando todos na platéia.
A qualidade de som ainda não era das melhores. O som embolado parecia incomodar muitos dos presentes. O microfone de Cronos também estava num volume não muito compatível com o resto da banda, já que era difícil ouvir o que ele cantava. Difícil mesmo foi ouvir durante a execução de "Countess Bathory". Talvez um dos clássicos mais aguardados pelos fãs da banda, a música tirou gritos de praticamente todos os presentes, que gritavam a plenos pulmões.
O baterista Dante era um show à parte. Com seu grande set de bateria, executava as músicas com perfeição, sem parar nem um minuto sequer. Inclusive lembrava Mikkey Dee, do Motorhead, ao agitar a cabeleira loira e bater impiedosamente no instrumento. O baterista do Venom, inclusive, já esteve em terras tupiniquins mais no início do semestre, ao integrar a banda de Tony Martin. La Rage também não fez feio, o guitarrista mostrou muita técnica ao realizar os solos e, assim como os outros dois membros da banda, aguentou com a mesma energia o show, do início ao fim.
A banda ainda presenteou os fãs com músicas como "Seven Gates of Hell", "Warhead", "Antechrist" e "Hell", dentro de um set extenso. O golpe de misericórdia foi dado quando o Venom retornou para o bis, tocando "In League With Satan". Logo após, Cronos perguntou a todos os presentes que horas eram. A resposta foi alta e clara: "Witching Hour!", e assim começou a música que viria a encerrar a apresentação da forma mais brutal possível. E é importante lembrar que, das poucas vezes que Cronos se dirigiu ao público, ele fez questão de reforçar a idéia que a banda voltaria ao Brasil logo. Só resta a esperança de que esse "logo" não se torne em mais de duas décadas novamente.
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