AC/DC: a banda fez a espera de 13 anos valer a pena

Resenha - AC/DC (Morumbi, São Paulo, 27/11/2009)

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Por Natalia Monteiro, Fonte: Conta Gotas Cotidiano
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Sexta-feira, dia de sair mais cedo do trabalho e enfrentar o trânsito eterno da cidade de São Paulo para chegar até o bairro do Morumbi, mais precisamente ao estádio conhecido pelo mesmo nome.

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Filas e mais filas rodeando o local, latas de cerveja espalhadas pelo chão e pelas mãos da maioria das pessoas que ali estavam. O tempo começa a fechar e a chuva forte cai, mas ninguém se preocupa, afinal, todos permaneciam lá por um motivo especial. Muito especial.

Adentrando no estádio em meio a dois corintianos (mais uma vez, eles em maioria e eu sendo alvo de piadinhas sem nexo), logo procuramos o melhor lugar possível da arquibancada laranja. O que não valeu de nada, já que o vício pela cerveja e consequentemente as idas ao banheiro tomavam meus amigos por completo. Enfim, depois disso outros lugares ótimos foram conquistados.

Antes de o evento começar, as tradicionais "olas" iam e vinham, mostrando toda a empolgação das quase 70 mil pessoas lá presentes. Era um dia de clássico como há muito tempo não se via.

Pontualmente às 21h30 o mistério acaba, e os astros da noite entram em campo. Raramente se vê tanta habilidade, onde cada movimento é ovacionado pelos espectadores e os corpos torneados são admirados. Essa sexta-feira, 27 de novembro de 2009, ficará para a história.

Mas espera aí, sexta não é dia de jogo, muito menos de clássicos!

Entretanto, quem disse que estou falando de futebol? Simplesmente tentarei descrever nas próximas linhas os 120 minutos de um show das maiores e mais tradicionais bandas de rock do mundo: AC/DC.

A banda australiana não comparecia em terras brasileiras desde 1996, com a turnê do CD Ballbreaker, mas fez a espera de 13 anos valer a pena mediante um show repleto de cenários gigantes, como uma locomotiva de 6 toneladas (com chifrinhos), uma boneca inflável gigante (sem chifrinhos, mas com cinta-liga), duas boinas imensas (com chifrinhos), um sino gigante (sem chifrinhos, mas com Brian Johnson pendurado no mesmo) e um show pirotécnico ao final do espetáculo. Os dinossauros do rock vieram realmente para deixar boquiabertos e impressionados a enorme quantidade de "chifrinhos ensandecidos" do Morumbi.

O repertório não deixou a desejar, já que hits como "Back In Black", "Thunderstruck", "Hightway To Hell", "Hells Bells", "T.N.T.", "Whole Lotta Rosie" e "You Shook Me All Night Long" foram intercalados com as mais recentes músicas do Black Ice, como "Rock'n'Roll Train", "Big Jack" e a canção título do álbum. Mas o ápice da noite, em minha humilde opinião de fã, foi o blues sexy de "The Jack", o qual rendeu um strip-tease meio desengonçado, porém divertido, de Angus Young, que teve direito à uma cueca personalizada com o logotipo da banda.

Falando em Angus Young, o guitarrista de pernas inquietas e seu duck walk (como os fãs chamam seu passo característico) e seu traje a lá schoolboy teve direito a um incansável solo de 10 minutos acompanhado de sua tradicional Gibson SG, cativando a todos os presentes com tanta habilidade, caras e bocas. Nem todo o marketing em volta do, podemos dizer, astro da banda, faz com que o público deixe de apreciar todo o teatro, camisetas, capas de álbuns e "preferências" oferecidas a Angus. Fora tudo isso, o físico do menino de 54 anos impera por todo palco, rendendo um comentário um tanto quanto suspeito de um de meus companheiros de show, Edu: "é o primeiro strip-tease masculino que eu vejo, e estou gostando". Tudo bem, é de se entender.

Os louros também são justos a Brian Johnson, o vocalista de 62 anos criador de um charmoso rebolado durante suas performances. Acompanhado de sua boininha de caminhoneiro, Johnson conseguiu de maneira impressionante substituir Bon Scott, morto em seu próprio vômito durante uma noite "daquelas" em 1980. Os gritos agudos e a voz estridente, além da alegria e empolgação, permaneceram, e o torcedor fanático do Newcastle United vai pro top em substituições de vocais.

Sinceramente, esperava ouvir "High Voltage" e "Jailbreak", apesar de minha música favorita ser "Rocker" (e eu ter plena consciência de que essa nunca seria executada). Contudo, como mais uma vez observa sabiamente meu amigo Edu: "ah, que se dane, não faltou nada não!". Fato que não. Sobrou foram empolgação e vontade de ver um desses no mínimo uma vez por ano.

Não poderia deixar de comentar a humilde abertura do show concedida ao Nasi, o qual cantou alguns clássicos do rock como "Should I Stay or Should I Go", "I Wanna Be Your Dog" e "Sociedade Alternativa". Posso dizer que o nosso Wolverine brasileiro representou, mas ainda penso que no momento, a banda mais indicada para este serviço seria o Matanza, por sua proximidade musical com os "tiozões" da terra dos cangurus.

Após o show, o cansaço vencia, mas os sorrisos não conseguiam sair de nossos rostos. No carro, a trilha sonora continuava a mesma: "Back in Black"!


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