Amorphis: tirando o fôlego e lágrimas dos fãs em São Paulo
Resenha - Amorphis (Via Funchal, São Paulo, 12/09/2009)
Por Lucas Mosca
Postado em 22 de setembro de 2009
Foram quase duas décadas de espera, mas finalmente uma das bandas mais cultuadas do metal finlandês veio ao Brasil. Hoje, é quase impossível rotular o som do Amorphis, que viaja das linhas finas e complexas do rock progressivo à energia brutal do death metal, mesclados a uma atmosfera melancólica. Tudo isso, vale salientar, sem perder a originalidade, melodia e talento que marcam o grupo desde o álbum de estréia, "The Karelian Isthmus", de 1992. Após o lançamento seminal de "Tales from the Thousand Lakes", dois anos mais tarde, a banda começara a atingir o status de celebridade na cena underground mundial e, com "Elegy", de 1996, a consagração chegara pra valer. Após esse disco, os trabalhos posteriores foram ganhando, cada vez mais, toques experimentais e absorvendo influências de outras fontes musicais. Fato esse que provocou, digamos, um certo "racha" junto aos fãs e à crítica.
Com a saída de antigos membros do conjunto, sobraram apenas os guitarristas Esa Holopainen e Tomi Koivusaari como integrantes da formação original. Músicos que, junto com o vocalista Tomi Joutsen, deram um show à parte em São Paulo, numa noite de sábado com céu limpo e clima agrádavel.
Pontualmente às 22h, as luzes do Via Funchal se apagam e o grupo entra em cena. Apesar do público que estava presente na casa ser, na maior parte, fã do Children of Bodom - que fecharia a noite -, a vibração na pista foi intensa. No intervalo das canções, o nome do Amorphis era bradado em coro pelos presentes.
Como prometido por Koivusaari, foram tocadas músicas da carreira inteira da banda. A faixa de abertura foi "Leaves Scar", do ótimo "Eclipse" (2006). Joutsen, com seu estilo "Bob Marley from hell", agitava sem parar. E sua bela voz, carregada de emoção, evidenciava ainda mais o poder de fogo do substituto de Pasi Koskine. Destaque também para o preciso trabalho de Holopainen – vestido com a camisa da seleção brasileira de futebol – e seu parceiro nas seis cordas, acompanhados dos competentes baixista Niklas Etelavuori e baterista Jan Rachberger.
Na sequência, vieram: "Towards & Against", do penúltimo disco, "Silent Waters"; "On Rich and Poor", do "Elegy"; a nova "Sampo", com seu refrão grudento; e "The Smoke", outra do "Eclipse". Sequência matadora, que deve ter tirado o fôlego – e talvez lágrimas – de muita gente... Exceto o volume baixo do teclado, a cargo de Santeri Kallio, a banda soava ótima ao vivo.
Após a breve pausa, Joutsen anuncia o clássico "The Castaway". Êxtase na pista. Era o primeiro som do clássico "Tales From The Thousand Lakes" tomando conta do ambiente. Que foi seguido por "Against Widows" e "Alone", a segunda faixa de "Am Universum" (2001).
À essa altura, eu – bem como muita gente - já sentia que a espera tinha valido a pena. Quando "Silver Bride", "My Kantele" e, principalmente, "House of Sleep" (que composição do cara***!) foram executadas, essa sensação se multiplicou por mil. Era algo que ficava estampado no semblante de cada fã da banda que se avistava no local.
Ok, até aí beleza! Mas cadê "Black Winter Day"? Para delírio geral do público, esse grande clássico de "Tales..." foi o escolhido para fechar a apresentação. E deixar saudade nos fãs...
Que o grupo não demore para voltar ao Brasil! Mas em show exclusivo, pois calibre é o que não falta ao Amorphis.
Set List
01 - Intro
02 - Leaves Scar
03 - Towards and Against
04 - On Rich And Poor
05 - Sampoo
06 - The Smoke
07 - Castaway
08 - Against Widows
09 - Alone
10 - Silver Bride
11 - My Kantele
12 - House Of Sleep
13 - Black Winter Day
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