Oasis: bela performance dos encrenqueiros britânicos no Rio

Resenha - Oasis (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 07/05/2009)

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Por Doctor Robert
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Muito estranho fazer a resenha de um show onde não se está presente fisicamente no local – fica a impressão de se tratar de um DVD ou algo do tipo. Obviamente a vontade de estar lá era grande, mas levando-se em conta a verdadeira maratona de grandes apresentações no Brasil neste começo de ano que qualquer fã de rock and roll não poderia perder (leia-se: Deep Purple, Iron Maiden e Kiss), haja bolso para bancar tudo. Então graças à boa vontade de um canal de TV por assinatura, pude conferir no melhor “camarote” que existe (o sofá da minha sala) a primeira apresentação desta mini tour dos britânicos do Oasis por terras tupiniquins.

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Após uma série de declarações bombásticas envolvendo o futuro da banda por parte de seus “donos”, os irmãos Liam e Noel Gallagher, criou-se certa expectativa sobre como seria a performance no palco, se esta estaria afetada em algo ou não. Enquanto aguardávamos a resposta, e para dar uma amenizada na espera e aquecer a platéia, pudemos acompanhar uma boa apresentação dos gaúchos do Cachorro Grande, com direito a participação de Samuel Rosa, do Skank, no gran finale, onde tocaram duas covers dos Beatles, destacando-se a barulhenta e inesquecível “Helter Skelter”. Abertura mais adequada, impossível...

Passado um breve intervalo, as luzes se apagam, e começa a indefectível “Fuckin’ In The Bushes”. Era a senha que bastava para levar o público ao delírio. E eis que o Oasis surge no palco já mandando de cara “Rock And Roll Star”, direto de seu primeiro álbum “Definitely Maybe”. Público nas mãos, e logo em seguida temos “Lyla” (do excelente álbum “Don’t Believe The Truth”), a nova “The Shock Of The Lightning” e, também dos seus primórdios, a empolgante “Cigarettes and Alcohol”. A essas alturas já poderíamos considerar a partida ganha...

Para surpresa geral da nação, o que pudemos conferir foi simplesmente uma de suas melhores apresentações, principalmente musicalmente falando. Infinitamente superior, por exemplo, à burocrática passagem pelo Rock In Rio III, melhor até mesmo do que o DVD “Familiar To Millions” (mais uma vez lembrando: musicalmente, não se levando em conta produção ou set list). Uma banda extremamente entrosada, Liam com sua voz um pouco melhor (menos ruim?) do que de costume, um grande baterista, Chris Sharrock (substituindo o excelente Zak Starkey, filho de Ringo Starr, que acompanha o The Who) e a participação do ótimo tecladista Jay Darlington, uma figuraça que parece ter saído direto do final dos anos 1960, com seu cabelão e barba – o que levou Noel a brincar, dizendo que foi à praia de Copacabana e a estátua do Cristo não estava mais lá, tinha vindo tocar com a banda.

Voltando ao repertório, muito bem escolhido por sinal, obviamente os grandes destaques ficaram por conta das canções mais conhecidas e dos clássicos. Do álbum novo, o ótimo “Dig Out Your Soul”, tivemos mais 5 canções, entre elas “Ain’t Got Nothing” e “I’m Outta Time”. Outros bons momentos ficaram puderam ser conferidos nas excelentes “The Masterplan” e “The Importance Of Being Idle”, numa dobradinha fantástica cantada por Noel, ficando comprovado mais uma vez este ser melhor vocalista do que seu irmão. Houve ainda espaço para a singela “Songbird”(de “Heathen Chemistry”), e para as clássicas “Slide Away”, “Morning Glory” e “Wonderwall” (cantada em uníssono, como sempre). Liam chegou até mesmo a esboçar certa simpatia, elogiando a platéia que a cada intervalo cantava trechos de canções da banda, principalmente “Live Forever”, pedida insistentemente. Encerrando a primeira parte, “Supersonic”, bastante aplaudida.

No bis, pudemos ouvir uma ótima versão intimista para “Don’t Look Back In Anger”, que levou alguns mais fanáticos às lágrimas, bem como a inesquecível “Champagne Supernova”. E tudo acabou com a tradicional cover de “I Am The Walrus” (adivinhem de quem?) e Noel tirando ruídos ensurdecedores de seus pedais, após uma hora e meia quase que cronometradas de apresentação. Ficou uma sensação de que algo faltou? Pois é, não rolou “Live Forever”... Mas, tudo bem... Após uma bela performance como essa, os encrenqueiros britânicos estão perdoados...

P.S.: apenas para justificar, a voz ruim de Liam Gallagher não é demérito algum. Ao contrário, podemos inclui-lo no time de péssimos vocais que são legais pra caramba, como Brian Johnson (AC/DC), Lemmy (Motörhead) e Dave Mustaine (Megadeth). Suas vozes são terríveis, mas alguém imagina o som destas bandas com uma voz diferente? (Não vale citar o saudoso Bon Scott no caso do AC/DC...).

Set List:
1 – Fuckin’ In The Bushes
2 – Rock ‘n’ Roll Star
3 – Lyla
4 – The Shock Of The Lightning
5 – Cigarettes & Alcohol
6 – The Meaning Of Soul
7 – To Be Where There’s Life
8 – Waiting For The Rapture
9 – The Masterplan
10 – Songbird
11 – Slide Away
12 – Morning Glory
13 – Ain’t Got Nothin’
14 – The Importance Of Being Idle
15 – I’m Outta Time
16 – Wonderwall
17 – Supersonic
18 – Don’t Look Back In Anger
19 – Falling Down
20 – Champagne Supernova
21 – I Am The Walrus

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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