Paul DIanno: review do show de Porto Alegre
Resenha - Paul Di'Anno (Manara, Porto Alegre, 18/11/2007)
Por Igor Natusch
Postado em 21 de novembro de 2007
Sejamos honestos: ultimamente, reclamar de falta de shows em Porto Alegre não dá. Só nesse 2007, nós gaúchos tivemos a satisfação de assistir bandas como Testament, Cannibal Corpse, Hammerfall, Exodus... Isso sem contar o ápice, o evento único que nos espera dia 05 de março de 2008: Iron Maiden. E, faltando menos de quatro meses para o show em questão, temos a chance de conferir ninguém menos que Paul Dianno, o homem que gravou a voz nos dois primeiros discos da Donzela, em sua terceira visita ao Rio Grande do Sul.
Depois de um atraso muito grande (causado, ao que parece, pela demora de chegada da equipe do Dianno), tivemos um breve show de abertura a cargo da banda Ghaya. O sexteto está conquistando aos poucos seu espaço na cena local, e fez um show eficiente, tocando algumas boas músicas próprias e um cover de "Painkiller", do Judas Priest. Mais uma longa e desagradável espera, e eis que por volta das 23h30 finalmente a banda de apoio de Dianno sobe ao palco, mandando uma emocionante "The Ides Of March". Na seqüência, "Wrathchild", e surge finalmente o homem – para delírio dos presentes, que cantaram a plenos pulmões esse hino imortal da música pesada. E logo depois, veio "Prowler". Simplesmente não há como não agitar feito um louco ouvindo essa que o cronista considera uma das mais perfeitas canções de toda a história do Heavy Metal.
Fisicamente, somos forçados a dizer: Paul Dianno está meio, digamos, quebrado. Mancando muito devido a uma lesão no joelho, o homem agitou bem menos do que da vez anterior em Porto Alegre (2000) – além de que a sua voz também estava bastante enfraquecida, para ser honesto. Segundo o próprio, uma conseqüência da longa viagem de ônibus a partir de Londrina, que fez com que a equipe só chegasse em Porto Alegre pouco antes do show. No entanto, fica difícil engolir a explicação sem ressalvas, quando se vê o homem tomar água geladíssima no intervalo das músicas e, principalmente, fumar um cigarro durante a pausa para o bis. A viagem pode até ter piorado o quadro, mas está na cara que Paul não se ajuda muito... Resultado: frases cantadas fora de métrica, agudos solenemente ignorados e incontáveis pausas para deixar a galera cantar junto enquanto o vocalista tomava um ar. Se quiséssemos ser chatos quanto a esses detalhes de desempenho, a crítica do show poderia sair bastante negativa, no fim das contas.
Mas a questão que se impõe é: isso importa? Afinal, o cara é uma lenda, estava de ótimo humor, tinha uma banda bem competente por trás, e o repertório escolhido era simplesmente matador. Rolaram vários sons da banda Killers ("Marshall Lockjaw", "The Beast Arises" e uma versão pesada de "Faith Healer", clássico de Alex Harvey), além de uma canção do Battlezone ("Children Of Madness"), todas composições de alto nível. Mas, como todos sabemos, o povo queria Iron Maiden, e Paul Dianno não se furta de dar aos fãs o que eles querem. Além das já citadas, tivemos pérolas como "Murders In the Rue Morgue", "Running Free", "Killers" (dedicada ao "maior terrorista filho da puta do planeta", George Bush) e "Remember Tomorrow", todas recebidas com previsível entusiasmo pelo bom público presente. "Phantom of the Opera" foi, na minha opinião, o ponto máximo – brilhantemente executada e com o público ensandecido, acabou sendo daquelas de lavar a alma. Coisa linda de se ver, acreditem.
Na volta do bis, outro ponto alto: "Transylvania", "cantada" a plenos pulmões pelo público, que acompanhou toda a linha melódica da primeira parte a plenos pulmões – como, aliás, já tinha ocorrido na citada "The Ides Of March" também. De volta ao palco, Paul pergunta se o pessoal quer ouvir "um pouco de Punk Rock", comenta com o resto da banda que o público "vai odiar isso" e manda nada menos que "Blitzkrieg Bop" do Ramones, em versão levemente "metalizada" e que acaba sendo muito bem recebida pela maior parte do público. Para fechar de vez, "Sanctuary", tocada com empolgação e que encerrou da melhor maneira essa bela noite de Metal.
Em resumo: por mais que se critique Paul Dianno por viver na sombra do Maiden (assunto que rende uma interminável discussão), e por mais que o cara sinta o peso dos excessos de sua vida e esteja meio fora de forma (em mais de um sentido), ele continua sendo uma figura incrivelmente carismática, e sem dúvida capaz de oferecer um show competente e sumamente divertido. E não é isso que se quer, no fim das contas, de qualquer show? Podem até dizer que o show foi um mero "aperitivo" para o show de março. No fundo até foi mesmo – mas, de qualquer modo, valeu muito a pena, sem sombra de dúvida.
SETLIST:
The Ides Of March
Wrathchild
Prowler
Marshall Lockjaw
Murders In the Rue Morgue
The Beast Arises
Children Of Madness
Remeber Tomorrow
Faith Healer
A Song For You
Killers
Phantom Of the Opera
Running Free
BIS:
Transylvania
Blitzkrieg Bop
Sanctuary
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