Resenha - Napalm Death (Circo Voador, Rio de Janeiro, 27/10/2007)

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Por Carlos Mendes
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Muita gente considerava a noite como um mini-festival, já que cada banda tinha o seu público interessado. Punks, Hardcores, Headbangers, Thrashers... tinha espaço pra todo mundo no Circo.

Fotos: Luiz Garcia

Grande parte do público ainda estava lá fora quando o Confronto subiu ao palco. Com público reduzido ainda, os caras foram se soltando e conseguiram empolgar o público, executando um metalcore de qualidade. Você acha pouco, para uma banda de abertura, levar o público a fazer um circle-pit? Felipe Chehuan (vocal), Maximiliano Moraes (guitarra), Eduardo Moratori (baixo) e Felipe Ribeiro (bateria) lembraram os bons momentos do Pantera, mostrando que não é a toa que a banda tem feito muitos shows pela Europa e pelo Brasil afora. Com um som de qualidade, mas com algum acento mais modernoso, o destaque do Confronto foi a guitarra endiabrada de Maximiliano. Qual o captador que ele usa? Aliás, bonita essa sua camisa do Municipal Waste, banda americana de crossover muito admirada no underground carioca. Destaque também para "Santuário das Almas", que estará no próximo disco da banda. Com um set curto, porém eficiente, a banda só pecou por alguns exageros. Não precisava ficar repetindo um discurso sobre ódio entre uma música e outra. Ou isso já está nas letras da banda ou então vira a repetição de um assunto só.

Set-list
Confronto
Guerra, Queda e Morte
Causa Mortis
Vale da Morte
De Igual para Igual
Santuário das Almas
Corporações Assassinas
Tortura
Negação

Como duas outras bandas com um som, digamos, mais pesado; sobrou para o Inocentes segurar o rojão. Só que Clemente (vocal e guitarra), Ronaldo (guitarra), Anselmo (baixo) e Nonô (bateria) são (muito) experientes e não deixaram barato. Demonstraram energia em um set que privilegiou as músicas mais antigas. Nessa hora o público mudou um pouco, ficando à frente do palco a galera mais velha, punks, anarquistas e moicanos, que aguardavam mesmo pela apresentação dos paulistas. Clemente era o mais animado e a banda mandou logo três velharias: "Rotina", "Expresso Oriente" e "Não Acordem A Cidade". Foi quando eles interromperam essa última para resolver um apitaço no equipamento de som, provocado pelo volume excessivo do baixo. Nada difícil de resolver. Eles recomeçaram a música e seguiram com "Nada de Novo No Front" e "Garotos do Subúrbio". Clemente lembra que a primeira vez que eles tocaram no Circo foi em 1983, num festival com várias outras bandas punk (ou punk rock, como ele mesmo classifica o Inocentes). A banda demonstra bastante peso e eficiência com duas guitarras. Vez por outra rola até um pedal duplo no bumbo. Em meio a músicas mais conhecidas, como "Ele Disse Não", aparece "Rota de Colisão", música que, por enquanto, está disponível apenas no My Space da banda. Nada como novo a serviço do velho. Pra fechar a tão esperada "Pânico Em SP", que contou até com o backing vocal da galera, e "I Fought The Law", cover do The Clash. Realmente, tinha gente muito feliz por ter visto o Inocentes aqui no Rio novamente.

Set-list
Rotina
Expresso Oriente
Não Acordem A Cidade
Nada de Novo No Front
Garotos do Subúrbio
Desequilíbrio
Miséria e Fome
Restos de Nada
Medo de Morrer
Intolerância
Ele Disse Não
Rota de Colisão
Pátria Amada
Pânico em SP
I Fought The Law

Após mais uma passagem de som, que já indicava que a guitarra de Mitch Harris vinha rasgando, eis que surge a introdução do disco novo: "Weltschmerz". O público do Circo, que já tinha demonstrado certa animação, endoidou de vez. Eu nunca tinha visto abrir uma roda ainda na intro. Um a um, Mark "Barney" Greenway (vocal), Mitch Harris (guitarra e vocal), Shane Embury (baixo) e Danny Herrera (bateria) surgem no palco e mandam a melodia pra bem longe dali. Atacaram com "Sink Fast", "Let Go" e "Unchallenged Hate", única do From "Enslavement to Obliteration". O esporro que essa banda faz ao vivo é só comparável a uma visita à fábrica da Latasa (fabricante de latinhas de refrigerante e cerveja). Além da fúria da banda e da figura simpática e engraçada de Barney Greenway (eu me lembrava muito do Monty Python quando ele falava normalmente), o destaque da noite foi Mitch Harris. Com um excelente timbre de guitarra, o cara comandou o ataque. Seu backing vocal, que muitas vezes funcionava como uma segunda voz (?), parecia o grito de um condenado. É praticamente um Glenn Hughes do grindcore, quando o baixista quase sessentão tocava no Deep Purple. Ao vivo funciona melhor que em CD, terminando o refrão muitas vezes com delay. Só que Mitch Harris foi bem antipático ao defender sua pedaleira do ataque dos fãs mais afoitos que queriam dar um mosh ali pela esquerda. Não precisava dar empurrão em fotógrafo, esbravejar contra o segurança e nem ameaçar quem subia no palco em sua direção.

Abro aqui um parêntese (ou um parágrafo) para falar do público carioca nesse show. Onde mais você pode ver um sujeito desfilar com a camisa do Fresno no meio de um show de grindcore? E o outro que foi ao evento de Havaianas e depois ainda reclamou que perdeu o chinelo em um do moshes? Legal um evento onde se reúnem várias tribos sem nenhum incidente, por mais violenta que possa parecer a diversão do público.

E o Napalm seguem com "Suffer the Children" e tantos outros clássicos, mesclados com músicas dos últimos dois discos ("The Code is Red ..." e "Smear Campaign" ). Breed to Breath também compareceu, com uma bateria mais reta e sem aquele toque mais experimental de "Inside the Torn Apart". Aliás, eles deixaram de fora alguns discos como "Utopia Banished", "Diatribes", "Words From The Exit Wound" e "Enemy Of The Music Business". Ponto pra Danny Herrera, que segurou a pancadaria e demonstrou velocidade, criatividade e precisão.

O melhor ficou pro final. Comemorando 20 anos do lançamento, o Napalm mandou sete músicas do Scum. Disseram presente :"Control", "Scum", "Life?", "The Kill", "Deceiver", "Siege Of Power" e "You Suffer". Nessa última Barney deu até uma disfarçada pra ver se pegava a galera desprevenida e a música passava desapercebida. A galera foi ao delírio com esse clássico grind que entrou para o Guinness Book como a mais curta do mundo, com seus 1,326 segundos. Não faltou também o cover do Dead Kennedys, que já virou quase uma co-autoria: "Nazi Punks Fuck Off!" Depois dos recentes incidentes, principalmente em São Paulo, essa música ficou bem atual. Aquela saída meio safada e a banda retorna com "Mass Appeal Madness" e "Siege Of Power". Com algo em torno de uma hora e 20 minutos o Napalm Death deixou o Circo destruído (no melhor sentido). Barney Greenway fez questão de apertar a mão de todo mundo que estava à beira do palco. O baixista Shane Embury distribuiu autógrafos e tirou fotos logo após o show, tudo na maior simpatia. Viu, Mitch Harris, como dá pra espancar e ser simpático na mesma noite?

Set-list
Weltschmerz (intro)
Sink Fast Let Go
Unchallenged Hate
Suffer The Children
Silence Is Deafening
Instruments Of Persuasion
Fatalist
Continuing War On Stupidity
Breed To Breathe
Control
When All Is Said And Done
In Deference
Hung
The Code Is Red ... Long Live The Code
Scum
Life?
The Kill
Deceiver
You Suffer
Persona Non Grata
Smear Campaign
Nazi Punks Fuck Off
Mass Appeal Madness
Siege Of Power

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