São Paulo: Pouco público em noite de Aerosmith e Velvet Revolver

Resenha - Aerosmith e Velvet Revolver (Morumbi, São Paulo, 12/04/2007)

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Por Eduardo S. Contro
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Grande momento para o rock’n roll no Brasil. Lado a lado, duas das maiores bandas internacionais no estádio do Morumbi, em São Paulo, para a alegria de milhares de brasileiros que vieram de todas as regiões do país conferir a apresentação.

Fotos: Marcelo Rossi

Do lado de fora do estádio já era possível sentir o clima de uma noite assim. Uma multidão de posers (fantasiados como Slash e Steven Tyler), flanelinhas para todos os lados, trânsito caótico, filas enormes e cambistas vendendo de tudo, até maconha e cocaína (será que era sério?). Enfim, essa era a amostra de uma grande noite que só estava começando.

Já na parte de dentro parecia que os fãs não queriam perder a chance de ficar bem próximos de seus ídolos. A “montoeira” de gente na parte frontal da pista, nas laterais próximas ao palco e até mesmo nas rampas era impressionante. Cerca de 2 horas antes do início do show mal se conseguia andar por essas partes. E nem a chuva forte que caiu por uns 10 minutos afugentou o pessoal do lugar.

A organização afirmava que os ingressos, 70 mil, tinham sido esgotados. Porém, o que se via eram as arquibancadas praticamente vazias e um certo espaço sobrando na parte de trás da pista. Segundo a mesma fonte, 60 mil pessoas compareceram.

Voltando ao lado de dentro, o show do Velvet Revolver estava marcado para começar às 21h. E foi às 21h05 que o grupo formado pelos ex-guns Slash, Duff McKagan e Matt Sorum, além do performático Scott Weiland, ex-Stone Temple Pilots, entrou em ação.

O Velvet não se conteve apenas ao CD "Contraband", de 2004, mandando algumas inéditas que estarão no próximo disco "Libertad", e composições das ex-bandas, como "It's So Easy" e "Mr. Brownstone", do Guns, e “Crackerman" e “Sex Type Thing”, do Stone Temple Pilots, que foram as que mais agitaram a galera.

O destaque fica por conta de Slash. Muita gente só foi ver o rapaz tocar, e não se arrependeram. Pra quem cresceu ouvindo rock na década de 90, o guitarrista é sem dúvida um dos seus maiores ídolos. Pra mim foi uma grande satisfação ver Slash com sua cartola, com a guitarra na vertical e com um cigarro na boca mandando ver suas levadas únicas que marcaram a trajetória de uma das bandas de maior sucesso do rock. Vale comentar também os trejeitos do Scott Weiland no palco. O vocalista que entrou de cartola e óculos escuros, colete de couro e lenço no pescoço, lá pela terceira música já estava praticamente sem roupa, despirocado e dançando a lá Iggy Pop. Cômico.

Apesar da boa apresentação, que levou aproximadamente uma hora, alguma coisa faltou pra agitar um pouco mais os fãs. Talvez essa coisa seja o Axl...

Enfim, hora de um breve intervalo. A essa altura o posto de saúde já estava cheio de gente, pra variar, muitas mulheres que ficaram esmagadas na grade e tiveram que ser socorridas.

Passados cerca de 30 minutos do intervalo chegava o momento esperado por longos 13 anos. O Aerosmith retornava aos palcos brazucas com nada mais nada menos que um set list repleto de clássicos e hits de toda a sua carreira.

Steven Tyler veio mostar com todo o seu carisma que a idade parece que não o afeta. O frontman dá aula de performance. No palco, veio com seu característico microfone cheio de lenços, com traje típico de hard rock (calça apertada e regata), cheio de caras e bocas abusando dos gritos e correndo de um lado pro outro sem parar.

O set repleto de hits levou 1h40 e foi aberto com a famosa “Love In An Elevator”, seguida de "Toys In The Attic" e "Dude (Looks Like a Lady)", que agitaram o público. O ápice, porém, veio com “Crying”. Paralelamente, dois grandes telões com imagem muito nítida posicionados nas laterais do palco mostravam clips e imagens da trajetória da banda.

Ainda rolaram, entre outras, "Living on The Edge", "What It Takes", "Rag Doll", "Draw The Line", "Dream On" e "Janie's Gotta a Gun". Como não poderia faltar, a banda mandou um de seus sons mais melosos, “I Don’t Want To Miss A Thing”. Porém, a noite não ficou apenas em cima dos sons Pops do grupo. Houve tempo pra alguns covers de blues, nas canções "Baby, Please Don't Go" e "Stop Messin Around", cantada pelo guitarrista Joe Perry.

Tyler e Perry, aliás, pareciam curtir bastante a apresentação. O vocalista constantemente mandava seus solos de gaita e Perry chegou até a destruir uma guitarra no final de “Draw The Line”, penúltimo som. O tiozão ainda detona na guitarra. Talvez tivesse impressionado mais se antes dele não tivéssemos visto o Slash tocar. Bom, para fechar, a banda americana mandou a clássica “Walk This Way”, enquanto grande parte da galera já se esmagava na saída.

Vale mencionar que, pra variar, durante o show muita “gente” aproveitou o empurra-empurra pra tirar proveito e roubar carteiras e celulares. Um amigo que estava comigo foi um dos “azarados” que ficou sem o telefone. Mas parece que isso não atrapalhou, já que ele virou e disse: “Dane-se o celular, tô no Aerosmith, porra”.

Porém, nem todo mundo parecia estar na mesma sintonia. O público deixou muito a desejar. Talvez pelo êxtase de estar vendo um show desse porte, talvez por muita gente que nem era fã ter aparecido por lá. De uma forma ou de outra, isso não explica a anemia durante a apresentação do Aerosmith. A galera não agitava. Steven tentou brincar algumas vezes com a platéia, mas sem nenhum sucesso. E quem está acostumado com shows de metal sabe do que eu estou falando. Para um público que é conhecido como o mais caloroso do mundo, estávamos com cara de nórdicos: frios e sem graça nenhuma.

Meia-noite e trinta e cinco minutos, fim de show, muita confusão, mais uma vez, e é preciso encarar o trânsito novamente, só que agora sem problemas, afinal, depois de uma noite dessas ninguém tinha mais que se preocupar com hora pra chegar...

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Sobre Eduardo S. Contro

Assessor de imprensa, nascido em 1982. Músico nas horas vagas, sua história com o rock começou aos 7 anos de idade. Na época, fazia reuniões com os amigos para ouvir Guns, Rolling Stones, Beatles e afins. Aos 12 se tornou fã do estilo Grunge e, como muitos jovens rockeiros, logo passou a ouvir metal, graças ao Iron Maiden. Hoje é bastante eclético. Escuta de tudo um pouco, de rock progressivo setentão a Black Metal. Desde 1996 (ano da criação do Whiplash!) acompanhou o crescimento e desenvolvimento do site e hoje se sente feliz por fazer parte dessa família. Sempre disposto a conhecer bandas novas e discutir sobre os rumos da música, vive em busca de contribuir para a evolução do rock brasileiro.

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