Resenha - Blind Guardian (Via Funchal, São Paulo, 17/03/2007)

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Por Maurício Dehò
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Dragões, guerreiros, espadas... Isso é épico, não? Não necessariamente. Na verdade, apenas seis caras em um palco com seus instrumentos podem ser muito mais épicos que isso. É claro que se trata do Blind Guardian, que, após cinco anos, fez mais uma passagem pelo Brasil, em março, e dia 17, um sábado, se apresentou no Via Funchal, em São Paulo, na turnê de divulgação do seu mais recente álbum: “A Twist In The Myth”.

Fotos: Elisabete Tamagnini

O que foi um dia de chuva (pior para os que lotaram a fila desde cedo) logo virou uma noite de — muito! — calor dentro da casa de shows. Sem banda de abertura, os alemães subiram ao palco pontualmente às 22h, sem tentar nada de novo comparando aos últimos shows por aqui. Para começar, a introdução “War Of Wrath”, seguida por “Into The Storm”, que foi mais que bem recebida pelo público.

O som, que começou um tanto abafado e com a voz de Hansi Kürsch um pouco baixa, ainda teve de disputar espaço com os fãs que lotaram o Via Funchal, gritando o nome da banda uma hora antes do show e ainda cantando todas as letras. Os alemães, que costumam ser um pouco frios, pareceram se animar mais que o costume. No início, os guitarristas André Olbrich e Marcus Siepen agitavam e trocavam de lado e o vocalista também se mexia mais que o habitual. Ao fundo, o baixista Oliver Holzwarth, o tecladista Michael Schüren e, com sua bateria branca, Frederik Ehmke, que recentemente entrou no lugar de Thomas "Thomen" Stauch, ficaram mais na deles, mas mandando bem em seus instrumentos.

A segunda música foi “Born In A Mourning Hall”, o que já mostrava que o set list deveria ser quase que igual ao das últimas apresentações da banda nesta tour, seguida pelo clássico “Nightfall”. Como que para reforçar esse elemento épico do Blind, não havia nem ao menos um cenário especial, apenas um pano em que se dava a impressão que seriam passadas projeções, mas que só teve utilidade para a iluminação, que foi muito bem trabalhada.

Depois deste trio, foi hora de Hansi anunciar um som mais intenso, “The Scrip For My Requiem”, do “Imaginations From The Other Side”, uma das melhores faixas da banda: pesada, cheia de variações, com um refrão poderoso e backing vocals muito legais, um ponto alto executado por todos, menos Frederik. Se Hansi costuma ser meio frio com aquele seu jeito peculiar de frontman, desta vez até resolveu botar a cabeça para balançar um pouco, enquanto liderava o eufórico público. Entrando um pouco no novo álbum, lançado no último ano, tocaram o single “Fly”, uma música bem diferente do usual. Como era de se esperar dos novos trabalhos do Blind, muito complexos em estúdio, fica difícil reproduzir com fidelidade ao vivo. Mesmo assim, a execução foi boa.

Foi hora, então, de um dos maiores clássicos, “Valhalla”, que teve seu refrão bradado por todos, lembrando um verdadeiro hino de guerra. No meio da música, aquela paradinha para os fãs cantarem sozinhos, o que deixou os músicos boquiabertos e visivelmente emocionados, ainda mais quando saíram do palco e o público seguiu com a letra: “Valhalla – Deliverance, why've you ever forgotten me”. Para parabenizar os brasileiros, Hansi não precisou escolher muitas palavras e soltou seu já famoso: “Absolutely Fucking Brilliant!” (que poderia ser traduzido por “absolutamente brilhante, porra!”). Vale destacar o trabalho do vocalista, um dos mais reconhecidos no metal. Se o alemão acaba fugindo de alguns poucos agudos, compensa em muitas outras partes, com uma voz mais que poderosa, clara e limpa ou mais agressiva, sempre nos momentos certos.

O show seguiu em alta com “Time Stands Still (At The Iron Hill)” e “And The Story Ends”, do disco “Imaginations From The Other Side”. Uma boa notícia veio da última, quando Hansi a apresentou dizendo que seu título, que em português significa “E a História Termina”, não deve ser levado a sério.

Um dos melhores momentos veio em seguida, principalmente para quem sente saudade do som mais direto e pesado dos primeiros álbuns dos alemães, em comparação ao detalhismo e complexidade dos dois últimos. Era a hora de “Majesty”, do debut “Battalions Of Fear”, uma das melhores composições das duas décadas do Blind, com sua introdução engraçada, riffs pesados, um refrão simples e solos sob medida. Claro que tudo cantado em uníssono pelo público, que não deixou barato nem quando não havia letra alguma para acompanhar. Enfim, aquele tipo de música que não devia acabar nunca e que logo que soa seu último acorde já deixa saudade.

Por falar em solos, vale destacar o trabalho de André, que mesmo tendo a dificuldade de estar sempre com suas linhas de guitarra e pedais de efeitos, faz um trabalho quase perfeito, com sua sonoridade própria, facilmente reconhecível. E se o mais épico, ou glorioso, são os solos, o desempenho de Marcus Siepen na guitarra base é de dar inveja. O cara leva o som com muita segurança e sempre dá um show em cima do palco, seja agitando a todo o momento, seja nos backing vocals.

Depois deste retorno no tempo, a banda voltou ao presente com “Another Stranger Me”, que fechou com apenas duas músicas o enfoque no “A Twist In The Myth”, mesmo que em entrevistas o grupo tenha dito que incluiria mais faixas na passagem em solo tupiniquim (ficou faltando a acústica “Skalds And Shadows”!). A faixa não conseguiu chegar ao seu potencial em estúdio, principalmente pela falta de backing vocals que a completassem e o vocal de Hansi, mais grave que na gravação.

Chegando ao fim, foi a vez da emocionante “Bright Eyes”, que não pode ficar de fora em nenhuma passagem por terras tupiniquins e, já que o assunto é épico, de uma das amostras mais claras da grandeza da banda alemã, com os 14 minutos de “And Then There Was Silence”. Apesar de longa, a faixa não é cansativa, por não ficar se repetindo, e teve um bom trabalho na bateria de Frederik. Por sinal, apesar de o baterista não ter acrescentado nada novo, teve uma boa participação e parecia se sentir bem em casa — até por entrar no palco “vestindo” apenas calção e o peculiar cavanhaque com trancinhas!

Todos já sabiam o que esperar do bis e, até quase o fim, não tiveram realmente surpresas. Para começar, “Imaginations From The Other Side”, que dispensa comentários. Depois a belíssima “The Bard’s Song – In the Forest”, com o tradicional show do público, que mal deixa Hansi chegar perto do microfone. Para fechar, “Mirror Mirror”, mais que clássico do “Nightfall in Middle-Earth” e que usualmente encerra as apresentações dos alemães.

Como um bom épico, o final feliz ainda não chegara. Hansi convidou ao palco Edu Falaschi e Felipe Andreoli, respectivamente vocalista e baixista do Angra, para uma participação especial. Para explicar, as bandas são amigas, ainda mais após a recente turnê conjunta pelo Japão, que resultou até na aparição de ambas no programa do Ronnie Von (sim, ele mesmo!). Antes que quem não goste de Angra reclame, o final feliz não diz respeito apenas à participação dos paulistas. Afinal, que faixa mais alegre poderia ser escolhida do que “Barbara Ann”, aquele cover dos Beach Boys, gravado pelos alemães no “Follow The Blind”. E como o que vale é a confraternização, a música foi uma verdadeira bagunça, mas nada que tire o brilho das duas horas anteriores, pelo contrário.

Agora sim, encerrado, foi tempo dos agradecimentos e de ver mais um pouco aquela cara de satisfação que os gringos têm quando tocam no Brasil. O bom é que a promessa de voltarem o mais cedo possível já foi feita. É ficar na expectativa para que os bardos não demorem mais cinco anos para mostrar o quanto precisam de pouco para serem... Épicos!

Set list:
01 - War Of Wrath
02 - Into The Storm
03 - Born In A Mourning Hall
04 - Nightfall
05 - Script For My Requiem
06 - Fly
07 - Valhalla
08 - Time Stands Still (At The Iron Hill)
09 - And The Story Ends
10 - Majesty
11 - Another Stranger Me
12 - Bright Eyes
13 - And Then There Was Silence

Bis:
14 - Imaginations From The Other Side
15 - The Bard's Song - In The Forest
16 - Mirror Mirror
17 - Barbara Ann (com Edu Falaschi e Felipe Andreoli)

Formação:
Hansi Kürsch – vocal
André Olbrich – guitarra solo
Marcus Siepen – guitarra base
Frederik Ehmke – bateria
Oliver Holzwarth – baixo
Michael Schüren – teclado

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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