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Arch Enemy: Ao-vivo, uma performance ainda mais impressionante

Resenha - Arch Enemy (Via Funchal, São Paulo, 01/02/2007)

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Por Maurício Dehò
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Se você é daqueles que só acreditam vendo, o dia 1º de fevereiro, uma quinta-feira, em São Paulo, foi uma bela data para provar uma coisa que mexe com a cabeça de qualquer pessoa: como Angela Gossow consegue cantar (berrar, urrar, bradar, gritar...) daquele jeito? O dia marcou a primeira passagem dos suecos Arch Enemy pelo Brasil, trazendo na bagagem uma história de 10 anos, seis álbuns e um death metal melódico, com influências do tradicional e do thrash, que marca por onde passa - e aí se inclui, além da Europa, Japão e Estados Unidos.

Fotos: Rafael Karelisky

O show aconteceu no Via Funchal e contou com um bom público, apesar de a casa não estar lotada. Os responsáveis por aquecer os poucos que já estavam presentes às 20h45min foram os baianos do Ungodly, com um death metal bem executado, vindo do debut auto-intitulado, mas um pouco prejudicado pelo som e por falhas no equipamento. Eles já eram conhecidos dos paulistanos, quando abriram para o Slayer. Além das faixas próprias, foi justamente uma música dos americanos que eles escolheram para fazer um cover, com uma versão interessante de "War Ensemble".

Mas o esperado era mesmo o Arch Enemy e os presentes não devem ter se decepcionado. Às 22h15min, os suecos subiram ao palco, com um cenário simples, duas telas e um pano de fundo, ao som de uma introdução, e já começaram destruindo com a pesada "Nemesis", do álbum mais recente (que segue nessa tendência de peso extremo), "Doomsday Machine", de 2005. O engraçado é que os cinco integrantes nem parecem ter todos esses 10 anos de experiência. Como se estivessem estreando, distribuíam sorrisos mostrando a satisfação de tocar, ainda mais no Brasil, tão reconhecido no exterior. Exemplo foi a cara de Angela logo ao chegar à frente do palco. Mesmo com toda a pose de má e com uma maquiagem especial - um risco preto embaixo de cada olho -, não conseguiu esconder o sorriso.

E, seguindo o ditado, a vocalista alemã SABE e FAZ AO VIVO. Se a qualidade do som não começou das melhores (para variar, mas depois foi acertado), um pouco abafada e com o vocal bem baixo, isso não atrapalhou a performance da banda. Pondo um ponto final a qualquer possível dúvida; Angela faz mesmo tudo o que se ouve nos CDs do Arch Enemy e pareceu fazer até mais, sempre gritando. E para quem acha que Tarja Turunen agitava alguma coisa no Nightwish, devia ter visto esta garota. Anda de um lado a outro do palco, balança a cabeça de verdade e faz mil caras e bocas. Quem agradece é o público, que reverenciou a banda e seguiu junto cantando o refrão da música - por mais estranho que seja tentar acompanhar os guturais!

Voltando um pouco no tempo, tocaram "Enemy Within", do primeiro álbum com Angela, "Wages of Sin", considerado por muitos o melhor do quinteto. As guitarras são um show à parte, mostrando terem tanta importância quanto os típicos vocais, por causa da mistura da agressividade com a melodia de riffs e solos, marca registrada do grupo. Michael Amott e Fredrik Akesson mostram que formaram uma boa dupla. O segundo é o substituto do irmão de Michael, Christopher Amott, que deixou a banda em 2005, e já provou seu valor. Se é difícil substituir um membro original, mais difícil ainda é fazer uma parceria com o seu irmão. Mas Fredrik, ex-Talisman, mostrou já estar quase 100% entrosado, além de tecnicamente ganhar de lavada do companheiro.

Seguindo com um set list matador - aliás, a banda já tem uma série grande de clássicos e músicas que não podem ficar fora - tocaram "Dead Eyes See no Future", com seu começo bem sombrio e um refrão cadenciado. Desta vez, era a vez de Michael, que fazia mais caras e bocas que de costume, mostrar o apreço pelo Brasil aplaudindo e mandando beijos aos fãs. Voltando ao "Doomsday", foi a vez de "My Apocalypse", talvez a música mais soturna já gravada pelo grupo, apesar de ter um "miolo" lento e um belo solo, e da agressiva "I Am Legend/Out For Blood".

Em "My Apocalypse" vale destacar o trabalho do batera Daniel Erlandsson. Apesar da cara de moleque, ele destrói na bateria. Além das baquetadas e bumbos duplos, é o responsável pelos samplers que entram durante as faixas e ainda mantém a sincronia para tudo funcionar direito.

A primeira canção da fase pré-Angela foi "Diva Satanica", título que caberia como uma luva para ser apelido da vocalista, seguida pelo riff fenomenal de "Skeleton Dance". Foi então que, até para dar um descanso a ela, entrou o primeiro solo da noite, de bateria. Por sorte dos presentes, Daniel tem o bom senso de não se alongar, além de ser criativo, misturando alguns sons ao seu solo. A peça executada é quase igual à do DVD da banda, "Live Apocalypse". Ponto positivo para o batera, que ainda mostrou a excelente técnica.

Uma das músicas mais legais criadas pelo Arch Enemy, "Burning Angel" pareceu não ficar tão espetacular ao vivo. Ou pelo menos não contou com a mesma agitação do público, apesar de ser uma das que melhor exemplifica essa mistura do metal extremo com partes mais melódicas. Outra conhecida de todos foi "The Immortal", do "Burning Bridges". Vale destacar a vontade do baixista Sharlee D'Angelo, o mais empolgado do quinteto. O cara, quase um gigante no palco, simplesmente some dentro dos próprios cabelos, balançando a cabeça a todo instante. Além disso, o ex-companheiro de King Diamond no Mercyful Fate manda bem no seu instrumento.

Mais um descanso de Angela veio com a boa instrumental "Hybrids of Steel". Como ninguém é perfeito, a música teve direito a um pequeno erro de comunicação entre Michael e Daniel, que retomaram e seguiram em frente. Depois foi a vez do solo de Fredrik, que contou com uma ajudinha do batera Daniel com uma batida velocíssima. Como já falado, Fredrik mostrou conhecer bem de guitarra e pôde mostrar toda a sua virtuose.

"Bury Me An Angel", primeira faixa do primeiro álbum, "Black Earth", de 1996, foi a próxima, e deixa claro que Angela não se dá bem apenas nas músicas de sua faixa, mas que como o próprio baterista Daniel Erlandsson diz, ela é bem melhor que o antecessor, Johan Liiva, e foi o diferencial para o Arch Enemy chegar onde está hoje. Outro clássico absoluto é "Ravenous", do "Wages of Sin", uma daquelas composições que se ouve e não se esquece mais. Foi uma das melhores do show, com seu riff forte, a interpretação agressiva de Angela e o dueto de guitarras na ponte para o refrão.

E (pela última vez) mais uma pausa com o solo de Michael Amott, que provou que o seu negócio não é fritação. Apesar de mandar bem nas partes mais rápidas, também teve ajuda de Daniel e preferiu mandar um som mais cadenciado, primando pela beleza. Dá para entender, depois de tudo, como o Arch Enemy consegue juntar tão bem o death metal e o melódico, num estilo próprio.

Angela voltou em "Dead Bury Their Dead", que tem uma linha de guitarra sensacional. Difícil manter a cabeça parada com o riff, mais que inspirado. Para encerrar a noite, mais uma faixa instrumental, a pequena "Snow Bound", com mais um erro de Michael, mas nada de grave. Ela abriu as portas para outro destaque da noite, "We Will Rise", que tem aquele espírito tipicamente pró-metal, com um clima levado por efeitos bem usados e um riff bem simples, mas eficiente. Emendada nela, o belo final de uma das que ficou faltando ser apresentada na totalidade, "Bridge of Destiny".

Com apenas uma hora e vinte, o Arch Enemy se despediu da sua primeira apresentação em São Paulo. Enquanto "Enter The Machine" começava a tocar nos PAs, a maioria ainda parecia não acreditar que o show já tinha acabado e com certeza já ficou na vontade de um show com outras faixas marcantes que ficaram de fora como "Instinct", "The First Deadly Sin" e "Silent Wars".

Pelo fato de o grupo ainda ter aquela vontade de banda iniciante, apesar dos 10 anos de experiência, e já voltar aos estúdios logo após este fim turnê, como antecipou o Whiplash!, os fãs não devem esperar muito pelo retorno. Some isso à cara de satisfação da banda e pronto. É só aguardar pela próxima parada no Brasil, com o quinteto desfilando novos petardos, mais melódicos e progressivos, como prometeu Michael Amott.

SET LIST:
Intro
Nemesis
Enemy Within
Dead Eyes See No Future
My Apocalypse
Out of Blood
Diva Satanica
Skeleton Dance
Solo de bateria - Daniel
Burning Angel
The Immortal
Hybrids of Steel
Solo - Fredrik
Bury Me An Angel
Ravenous
Solo - Michael
Dead Bury Their Dead
Snow Bound
We Will Rise / Bridge of Destiny

Formação:
Angela Gossow - vocal
Michael Amott - guitarra
Fredrik Akesson - guitarra
Sharlee D'Angelo - baixo
Daniel Erlandsson - bateria


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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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