Resenha - Angra (Via Funchal, São Paulo, 18/11/2006)

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Por Maurício Dehò
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Dia 18 de novembro ocorreu o show de abertura da turnê do Angra; mais que isso, a noite marcou a celebração do 15º aniversário do grupo paulista, que ao longo da história se tornou a segunda maior banda de metal do Brasil e uma das maiores de metal melódico do mundo.

Fotos: Rafael S. Karelisky

Tudo isso acabou marcando as duas horas e meia de apresentação em dois aspectos: um show comemorativo e uma festa de aniversário. No primeiro aspecto, a banda aproveitou a data para resgatar músicas antigas e até arriscar novas versões de outras. Já no segundo aspecto, foi, no seu sentido literal, “uma festa de aniversário”, com direito a pulseiras de neon, papéis picados e balões.

Resultado? Positivo e negativo! A escolha do set list favoreceu tanto a quem gosta dos clássicos quanto aos fãs da segunda fase. Já os exageros pelas bodas de cristal dificilmente não fizeram os presentes se embaraçarem e se perguntarem se estavam mesmo num show de Heavy Metal.

Como o que interessa é a música – e é exatamente por ela que se deve dar parabéns pelos anos de sucesso do Angra -, vamos a ela. Às 22h10, Edu Falaschi (vocal), Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Aquiles Priester (bateria) subiram ao palco. Para começar, nada mais, nada menos que a introdução “Unfinished Allegro” anunciando o maior clássico, “Carry On”, para o delírio do público, que não chegou nem perto de lotar a casa de shows. Eles já vinham fazendo a sua bela festa e gritavam o nome da banda e dos seus integrantes, além dos comuns insultos ao pessoal do camarote e até a um “emo” infiltrado na pista. Quando a cortina se abriu (e a fumaça baixou um pouco), pode-se ver o belo cenário com o tema do novo álbum, Aurora Consurgens, além das armações para a iluminação. Falando nas luzes, elas foram um dos destaques, dando um clima diferente e especial para cada música, e ainda houve momentos em que se usou de pirotecnia.

O som, no começo abafado, melhorou, e apenas o vocal de Edu esteve baixo em alguns momentos. A escolha de “Carry On” assim como a emendada com “Nova Era” na virada de bateria do som do Angels Cry não foi por acaso. Nada melhor que lembrar o início de tudo com a “primeira” música do Angra e depois seguir com a primeira da nova fase, com a formação atual.

Em cima do palco, os músicos mostraram o habitual carisma e a boa presença. O destaque é Rafael Bittencourt, que cada vez mais assume a cara principal da banda, como um líder mesmo. Corre pelo espaço todo, se junta a Kiko para duetos, faz ótimos backing vocals e, mesmo fora do microfone, canta todas as letras com vontade. E se todos sabem que Kiko é um dos melhores e mais rápidos guitarristas do Brasil, Rafael não fica longe e, realmente, muitos dos melhores e mais bonitos solos da banda são dele. Foi isso o que se viu quando ele liderou “The Voice Commanding You”, primeira que tocaram do Aurora Consurgens.

Em geral, os novos sons funcionaram bem ao vivo e as linhas vocais cada vez mais favorecem Edu, que não precisa abusar dos agudos e canta mais “rasgado”, como fazia no Symbols.

Regredindo no tempo, executaram a bela “Waiting Silence” com a sue levada que tende ao prog e “Wings of Reality”, sabiamente retomada nesta turnê após muito tempo fora do set, uma injustiça com o último álbum com André Matos. A próxima foi “Z.I.T.O.”, do Holy Land. Um dos destaques da noite, ela casou bem com a voz de Edu Falaschi. Além disso, tem um dos melhores solos, exatamente do Rafael. Encerrando a primeira parte, tocaram o clássico “Angels Cry”.

Com as cortinas fechadas, foi hora de preparar tudo para um especialíssimo set acústico. Para não deixar o público esperando, um vídeo especial rolou nos telões, com os integrantes agradecendo pelos 15 anos e falando um pouco sobre estarem na banda. Rafael resumiu tudo: “A festa é para vocês! Espero ter mais 15 anos pela frente!”. Para completar, trechos do novo clipe da banda, “The Course of Nature”, que pelo pouco que se viu, parece ser o melhor que já fizeram.

Com tudo pronto, as cortinas deram lugar para um palco reduzido, em frente à bateria, desceu o pano do single. Com todos sentados e uma bateria menor para Aquiles, tocaram “Wishing Well”, uma bela versão para “No Pain For The Dead” e a nova “Abandoned Fate”, todas adaptadas ao formato mais intimista desta parte do show. Além dos cinco (diga-se de passagem que só Felipe Andreoli tocou “plugado” com o seu baixo elétrico), um percussionista deu uma mão na parte rítmica. A última foi “Late Redemption”, originalmente gravada com Milton Nascimento para o Temple of Shadows. Os vocais de Milton eram intercalados ora pelo público (isso mesmo!), ora por Rafael. O resultado foi simplesmente emocionante.

Era hora de voltar à festa, mas a de aniversário. Enquanto era desmontado o set acústico, Edu chamou 15 (na verdade uns 20 subiram!) fãs para uma surpresinha no palco. Aquiles começou a tocar “Painkiller”, do Judas Priest, mas na hora das guitarras, entrou uma versão pesadíssima para... “Parabéns a Você”?!?! Tudo bem que foi bem melhor do que escutar aquela famosa versão da Xuxa, mas, mesmo assim, foi desnecessário, assim como as bexigas coloridas que caíram do teto.

Com todos os fãs quase que literalmente expulsos (a produção não deixou barato e tirou todos rapidinho), a banda retomou a seriedade com “Ego Painted Grey”, mais uma das novas. O destaque fica por conta do solo de Kiko Loureiro, recheado de efeitos e do baixo de Felipe Andreoli, que já provou que não deve nada a ninguém. Apesar de não ser dos mais carismáticos, agita com todos e tritura o seu baixo. O show seguiu com ênfase nas mais recentes: a sensacional “Angels And Demons”, “Salvation: Suicide”, “Nothing to Say” e “Rebirth” que como sempre foi cantada em uníssono a pedido de Edu, por ser “uma música muito especial”. O destaque, negativo, foram as bolhas de sabão (o quê? isso mesmo!) caindo do teto. Efeito bonito, mas será mesmo que combina com um show de metal?

Para fechar, “The Course of Nature” que se mostrou um som bem legal ao vivo e, já no bis, “Spread Your Fire”. A primeira música do Temple of Shadows, que foi tocada numa versão enxuta, sem aqueles backing vocals grandiosos, já tem status de clássico (não sem motivo) e teve direito a Aquiles com a sua máscara de polvo (e das duas uma, se ele não é um polvo, é uma máquina de tocar bateria, segurando a onda sempre muito bem na parte rítmica) e até os panos de fundo da última tour. Pena que o batera tenha ficado a maior parte do tempo encoberto pela fumaça que fica no palco. Vale destacar também o aniversariante Fábio Laguna, que recebeu um bolo na cara, foi forçado a fazer um stage diving e, claro, foi homenageado de forma merecida pelo tempo que se dedica como convidado no Angra.

Uma última surpresa, além de uma chuva de papéis picados, foi “Smoke On The Water”, mas de um modo bem diferente. Em vez da formação normal, todos os músicos trocaram de instrumento (como já se viu no próprio Angra em outras épocas e no Shaaman). Aquiles foi para o baixo, Edu e Felipe para as guitarras e Kiko Loureiro para a bateria. E para quem ouviu a bônus track japonesa do Aurora Consurgens, “Out of this World”, e ficou com aquele gostinho de “quero mais”, chegara a hora. Rafael Bittencourt assumiu os vocais como fez naquela música. Tudo bem que como frontman ele ainda é um ótimo guitarrista, mas no microfone ele manda muito bem! Pena que a bônus seja mesmo só para o Japão... A versão para a música do Deep Purple não deixou a desejar até pelo solo de Felipe, que provou que leva jeito também com a palheta.

Ao som de “Gate XIII”, música orquestral que fecha o Temple of Shadows, eles se despediram e agradeceram ao público. Tempo também de tirarem uma foto com os fãs ao fundo. Coincidência ou não, os últimos a saírem foram justamente Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, os dois que permitiram ao Angra seguir na ativa e no topo do metal, não desistindo após as saídas de Ricardo Confessori, André Matos e Luís Mariutti, na época do Fireworks.

Os parabéns são merecidos e, musicalmente e por parte de elementos como o cenário e a iluminação, a festa foi um presente para os fãs. Bom set list, como é comum por parte da banda, ânimo lá em cima e um grande investimento no espetáculo. Pena que acabaram exagerando na dose... As pulseiras de néon (até que o efeito é bonito), balões, bolhas e o “Parabéns-metal” podiam (e deveriam) ter ficado de fora. Mas, o mundo não pára. Tocando, os cinco mostraram que tem tudo para manter o nome do Angra por muitos anos. Parabéns e que venham mais 15!

Set List:
Unfinished Alleggro
Carry On/Nova Era
The Voice Commanding You
Waiting Silence
Wings Of Reality
Z.I.T.O.
Angels Cry
Heroes of Sand

SET ACÚSTICO
Wishing Well
No Pain for the Dead
Abandoned Fare
Late Redemption

VOLTA AO SET NORMAL
Painkiller-Parabéns
Ego Painted Grey
Angels And Demons
Salvation: Suicide
Nothing To Say
Rebirth
The Course of Nature
Deus Le Volt/Spread Your Fire
Smoke on the Water (formação trocada)

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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