Opeth: Apresentação da banda que em breve estará no Brasil
Resenha - Opeth (Capitol, Perth, Austrália, 20/04/2006)
Por Rodrigo Altaf
Postado em 23 de abril de 2006
Esqueça tudo o que ja te disseram, e siga esse conselho: o Opeth está entre as três bandas que você PRECISA conhecer até o final desse ano. O grupo ganhou vários prêmios com seu último album Ghost Reveries (2005), e está com apresentações agendadas no Brasil. A banda sueca esteve em Perth dia 20 de Abril de 2006, divulgando seu mais recente album, e provou que merece todos os elogios que vem recebendo.
Justo quando se acha que tudo na música já havia sido inventado, eis que surge o Opeth pra provar que estávamos errados. A mistura pra lá de original da banda capitaneada por Michael Åkerfeldt (guitarra/ vocais) combina elementos do Death e Black Metal com o Progressivo, e vem aos poucos conquistando um lugar cativo no coração dos headbangers.
A banda foi formada em 1990, e desde então trocou sua line-up várias vezes, mas sempre contando com Åkerfeldt. É ele o mentor da banda, compondo a maioria das músicas, e impressionando com seu vocal ora gutural, no estilo de Max Cavalera do Sepultura, ora melódico, como fazia Greg Lake no Emerson, Lake and Palmer, por exemplo. As influências do grupo vão desde Bathory até Camel, e isso se torna claro à primeira audição de qualquer um de seus álbuns. Atualmente a formação é composta também por Peter Lindgren (guitarras), Martin Mendez (baixo), Martin Lopez (bateria) e Per Wiberg (ex-Spiritual Beggars, teclados).
Bom, e de acordo com a descrição do som da banda, já dá pra ter uma idéia do que esperar das letras, certo? Amores sofridos, lugares macabros, possessões e doenças mentais são temas recorrentes.
A efetivação do tecladista Per Wilberg fez muito bem ao som da banda. Ele não faz solos cheios de notas como Rick Wakeman ou Jordan Rudess. Ao contrário, cria climas que só favorecem as letras sombrias do grupo, como faria um John Paul Jones em músicas do Led Zeppelin como "Kashmir" ou "No Quarter", por exemplo.
Perth é chamada de a Seattle da Austrália. Não pelo clima, que não tem nada a ver com a fria e cinzenta cidade americana, mas pela quantidade de bandas novas que surgem por lá, e pela animada cena musical. Nos últimos meses, marcaram presença na cidade grupos tão díspares como Franz Ferdinand, Jamiroquai, The Stooges, White Stripes, Motley Crue e Motorhead, só para citar alguns. Enfim, um cenário perfeito para o massacre sonoro que estava por vir.
Apresentações feitas, vamos ao show. A banda de abertura foi The Eternal, e seu doom metal arrancou tanto aplausos quanto vaias. O grupo australiano foi formado em 2003 e já tem um disco lançado, mas provou que ainda precisa de mais um tempo de estrada para se firmar. Os riffs mezzo Metallica mezzo Black Sabbath ficaram cansativos a certa altura do show. Chamou a atenção o visual mauricinho dos caras, com alguns tocando de camisa pólo. O único com pinta mais heavy metal era o tecladista, um clone perfeito de Zé do Caixão.
Às dez e meia em ponto, entra no palco o Opeth, mandando logo de cara a faixa de abertura do novo álbum, Ghost of Perdition. Vários presentes ainda se lembravam da última visita dos caras a Perth, cerca de três anos atrás. A multidão vai à loucura, e não parou um segundo. A seguir foram mostradas canções mais antigas, como "White Cluster", "Amen Córner" e "Under the Weeping Moon", entremeadas com músicas do álbum novo, como "Baying of the Hounds" e "The Grand Conjuration". Akerfeldt, com sua camisa do Celtic Frost (mais metal, impossível!) tem o público em suas mãos, e apesar da sonoridade pesada das músicas, a atmosfera do palco não tem nada de austera, com o vocalista brincando com o público várias vezes e fazendo piadas sobre a Austrália. Em determinado momento, ele resolve fazer um "teste de conhecimento metálico" com a galera, tocando riffs famosos e pedindo pra adivinharem de qual música seriam. Rolaram "Smoke on the Water" (Deep Purple), "To Live is to Die" (Metallica) e "Paranoid" (Black Sabbath) entre outros.
E se vocês acham que falta de organização é coisa exclusiva do Brasil, não se iludam: no meio do show, houve uma pane geral na iluminação do palco, deixando a casa às escuras.
A noite foi fechada com "Leper Affinity" e "Deliverance", deixando todos em estado catatônico, e completamente surdos. Se você curte death metal e rock progressivo, marque na sua agenda e não perca de jeito nenhum o show desses suecos no Brasil.
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